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quarta-feira, 23 de julho de 2025

O Mundial Sub-19 da Tchéquia - Por Lucas Pacheco

Finalizado no último domingo, o Mundial sub 19 confirmou mais uma vez a supremacia estadunidense no basquete feminino. A potência conquistou o tetracampeonato consecutivo; nas últimas onze edições, os Estados Unidos somam dez ouros e uma prata. Apresentando mais uma geração brilhante no cenário mundial, não parece estar perto do fim o domínio na modalidade.


A seleção trucidou suas adversárias na fase de grupos e nas oitavas-de-final, tendo que esperar até as quartas para encontrar uma rival à altura. A partida mais difícil e disputada na campanha dourada não podia ter outra adversária que não a França, outra potência do basquete que forma ótimos prospectos geração após geração. Único jogo com diferença em dígitos simples, a França reproduziu na categoria sub 19 o mesmo perigo imposto às americanas no adulto. 


As duas principais escolas da atualidade anteciparam a final devido à derrota francesa na fase de grupos perante a Austrália. O revés jogou a França para o chaveamento dos Estados Unidos e tirou a chance de ambas alcançarem o pódio. No melhor jogo do torneio, os EUA precisaram de muito suor e intensidade coletivas, além do talento da MVP do Mundial (a ala-pivô Saniyah Hall saiu-se com 26 pontos e 6 rebotes) e de sua companheira no quinteto ideal (a pivô Sienna Betts). Frente a uma seleção tão atlética e fundamentada quanto a sua, os talentos individuais precisaram aparecer para sacramentar a vitória por 70 x 65.


Saniyah Hall cresceu na reta decisiva da competição e ganhou a disputa interna pelo prêmio de MVP; com 1,85 e 16 anos, ela exemplifica uma tendência desta edição do Mundial. Desfalcadas de jogadoras com idade para participar do sub 19, muitas das quais já figuram nas seleções adultas (como as espanholas Awa Fam e Iyana Martin, a chinesa Zhang Ziyu,  a japonesa Kokoro Tanaka), as seleções anteciparam o desenvolvimento da geração seguinte. Não apenas Saniyah Hall, a seleção estadunidense contou ainda com Jerzy Robinson (MVP do sub 17 do ano passado) e Sydney Douglas, todas com idade para o próximo Mundial sub 19, de 2027.


O sinal é claro: com essa idade, as protagonistas já jogam com(o) adultas. Outra jogadora do quinteto ideal, a espanhola Somto Okafor também é elegível para a próxima edição da categoria.

 

Com a França fora das semi-finais, quem se beneficiou foram as australianas. A tradicional seleção mostrou que segue formando novas gerações em condições de competir; venceram a França na fase de grupos e, após um susto nas quartas (quando venceram a Hungria na prorrogação), ganharam do Canadá para garantir a vaga na final e a prata. Com um basquete repleto de fundamentos e muito físico, assentado  na defesa pressionada, o coletivo se sobressaiu. A ala-armadora Bonnie Deas cavou seu lugar no quinteto ideal, mas não se engane - há muito talento no elenco (atenção para Madison Ryan, com seu QI altíssimo, e Sitaya Fagan, com sua velocidade e seu arremesso cada vez mais polido, outras elegíveis para o Mundial de 27).


A Espanha, desfalcada das estrelas dessa geração, conquistou um honroso bronze ao derrotar o Canadá, seleção apontada como grande candidata a bater de frente com os EUA. Para isso, porém, precisaria derrotar as outras potências, tarefa à qual seguidas gerações vêm falhando. Mesmo liderada por Syla Swords, presença constante na seleção adulta e egressa de participação olímpica em Paris, o Canadá caiu na hora decisiva. A despeito do resultado decepcionante, apresentou um elenco extremamente atlético e veloz, capaz de quebrar adversárias vacilantes. 


A real disputa por posições começa depois das cinco seleções de ponta do basquete feminino mundial (EUA, Austrália, Espanha, Canadá e França), as quais comprovaram que seguirão no topo por um bom tempo. Também no segundo escalão do Mundial, o padrão do adulto se mantem, com seleções européias sempre competitivas e alguns destaques individuais bem amparados por coadjuvantes cientes de suas limitações. Hungria, Portugal (em sua estreia na categoria, ficou na sétima posição graças à promessa no garrafão, a pivô Clara Silva) e Israel (décima colocação graças à pontuação e à mira da voluptuosa ala Gal Raviv) provam que o intercâmbio visto no continente colhe seus frutos.


Entre as seleções asiáticas, a China sentiu a falta de sua referência técnica no garrafão; já o Japão, praticando o mesmo basquete visto em todas as categorias (caracterizado por defesa pressionada e veloz, capaz de dobrar em qualquer canto da quadra e por um ataque de muita movimentação e alto volume de arremessos de três), terminou na sexta posição, logo atrás do quinteto de elite. Independente da falta de estatura, as japonesas provaram ao mundo a possibilidade de um basquete coletivo e inteligente.


O continente africano, já com poucas vagas (2), se viu desfalcada de sua campeã continental. Mali não obteve os vistos de viagem necessários e, por razões extra-esportistas, não participou do torneio; não foi a primeira vez que as malinesas sofreram por esse motivo. Sem que a Fiba demonstre muita preocupação em desperdiçar uma geração inteira, o basquete africano sai prejudicado, ameaçando a evolução dos últimos anos.






Por fim, o Brasil. No fim, o Brasil, que venceu tão somente sua rival continental (Argentina) para se livrar da lanterna. Nos últimos três Mundiais da categoria, nossa seleção soma míseras duas vitórias, sem ultrapassar a décima quarta posição, muito pouco para um país tão tradicional no basquete. O resultado reflete o sucateamento cada vez mais profundo da formação, do circuito de base; com pouquíssimos clubes formadores, sem apelo de público e investimento reduzido, as praticantes escasseiam e o poço se aprofunda a cada nova competição.


Se o passado recente não trazia grandes expectativas para o Mundial, o elenco possuía promessas mais fortes que os elencos pregressos. Seguindo a tendência mundial, as duas protagonistas (Ayla McDowell e Manu Alves) participaram do vice da Americup adulta; tal qual as potências, dispúnhamos de jogadoras elegíveis para 2027 (Julia Preis e Mica). Nada que fosse bem aproveitado pela comissão técnica liderada por Leo Figueiró. Ao invés de produzir um coletivo coeso e intenso, vimos um ataque centrado em pick-and-roll e pouco cuidado com a bola.


Muito parecido ao padrão da seleção adulta, bem como ao basquete do NBB (de onde Figueiró foi fisgado), o lado defensivo deixou muito a desejar. Sem postura no 1x1, sem cobertura e movimentação, sem comunicação e baixíssima intensidade, a defesa foi o calcanhar de aquiles de um elenco promissor para nossos padrões recentes e a grande responsável por derrotas que poderiam ser evitadas. Perdemos para o Japão (quinta colocada) nas oitavas, depois de um início equilibrado, sem prevalecer nossa altura e força; perdemos para a Coréia do Sul por apenas 7 pontos; perdemos para a Tchéquia por 5 pontos.


Se a CBB não rever a preparação, repetiremos o fracasso nas edições vindouras. Uma formação com muitas lacunas mereceria um longo período  de maturação, com toda a comissão disponível - o contrário do que aconteceu. As mudanças na rotação durante a competição apenas comprovam a falta de planejamento. Sem mudança de postura (a transição defensiva foi um desastre, sem qualquer conserto), não adiantou trocar jogadoras que apenas completam o quinteto.


Durante o ciclo de formação desse time, as jogadoras passaram por um comando técnico diferente a cada torneio, condição pouco auspiciosa para compensar a formação falha. Julia Preis mostrou flashes promissores, assim como a armadora Micaela, que devem compor o próximo ciclo na categoria; ambas, porém, precisam de muito trabalho técnico e físico. Nosso último grande resultado na base, no já distante 2011, não surgiu do nada, antes fruto de longo trabalho junto ao elenco, propiciado pela CBB. O caminho é conhecido, resta trilhá-lo.


segunda-feira, 7 de julho de 2025

Prata de Pokey na AmeriCup aponta caminhos e desafios para o futuro da seleção brasileira


A seleção brasileira feminina de basquete terminou com a medalha de prata na AmeriCup 2025 ao perder a final para a seleção americana (92-84).

Foi o primeiro torneio sob o comando da treinadora americana Pokey Chatman, a nova aposta da Condeferação Brasileira de Basquete para devolver a seleção à disputa de Mundiais e Olimpíadas depois dos fracassos em 2018, 2020, 2022 e 2024.

Uma vitória ontem, 06 de julho de 2025, teria encerrado esse incômodo jejum. A derrota empurrou o Brasil para um novo qualificatório programado para março de 2026 com sede e adversários ainda indefinidos.

A campanha nessa competição e também nos passos iniciais desse processo (amistosos contra equipes da WNBA e contra a seleção canadense) aponta motivos para comemoração e também para preocupação, de forma que é difícil simplificar uma análise de uma modalidade com problemas tão complexos como o basquete feminino brasileiro. É injusto que a "solução" da seleção adulta desconsidere, por exemplo, a falência da base e os problemas da liga local. 

Mas, enfim, comecemos com as boas novas.

A chegada de Pokey Chatman e sua exigência doce e objetiva fizeram muito bem ao basquete da seleção. O time se reconciliou com o esmero na defesa e apresentou um ataque muito mais criativo e coletivo. 

Considerando os confrontos mais recentes com a Argentina, que incluem o da Americup anterior e uma vitória e uma derrota (ambas dramáticas) nas finais dos dois últimos Sul-Americanos, as duas vitórias de Santiago foram incrivelmente mais sólidas.

De forma geral, inclusive, as atuações brasileiras nessa Americup são superiores tecnica e taticamente a edição anterior, mesmo que nela o Brasil tenha conquistado o ouro.

Essa nuvem otimista se traduz em quadra pelo ótimo desempenho de Damiris Dantas, Kamilla Cardoso e Bella Nascimento.

Jogadora com quinze anos de seleção adulta, Damiris (32 anos) é nome consolidado no time, mas fez sua melhor atuação com a camisa da seleção.  Além do auge técnico, esteve bem na função de capitã e extremamente segura.

Mais jovem, Kamilla (24 anos) é uma presença colossal e espalhou sua dominância incontestável por todo o torneio. Acho que o único detalhe para a pivô seria uma busca por maior controle sobre as faltas cometidas, que comprometeram bastante a sua participação e o resultado do Brasil na final.

Quando Kamilla se tornou uma realidade na seleção, eu sempre considerei que talvez nós (brasileiros, comunidade do basquete) não a merecêssemos, já que tão pouco o país fez pela sua formação como jogadora. Mas já que os deuses do basquete assim quiseram, como eu os agradeço!

Essa mesma sensação, em intensidade maior, acompanha a inesperada e bela aparição de Bella Nascimento (22 anos) na seleção. Que acontecimento! A nova ala titular teve uma evolução espantosa ao longo do torneio e tem um potencial imenso de crescimento a partir de uma maior evolução física após sua estreia no basquete profissional. 

A dependência desses três nomes passou menos evidente ao longo do torneio, mas ficou escancarada na final. Dos oitenta e quatro pontos do Brasil, incríveis setenta e oito (92%) foram marcados pelo trio: Damiris (35), Bella (24) e Kamilla (19). Vitória, com 5, e Aline, com 1, foram as únicas outras jogadoras a pontuar. 

Até a decisão de domingo, o trio Damirs-Bella-Kamilla respondia por 58% da produção ofensiva brasileira no torneio. 

Ao longo da competição, Vitória (29 anos), Aline (28 anos) e Manu de Oliveira (25 anos) desempenharam um papel diferente do que habitualmente se espera delas em seus clubes ou nas passagens anteriores pela seleção. Menos envolvidas com a produção ofensiva, concentraram-se mais na defesa e em criar condições para que o time jogasse bem. Embora o desempenho ofensivo das três na final tenha sido ruim, acredito que compuseram bem um núcleo mais veterano que ganhou a confiança de Pokey e permitiu que o esquema funcionasse. Imagino que continuarão a ser lembradas em futuras convocações.

Menos animador é o cenário na armação. Não se trata de uma crítica pessoal às duas jogadoras que representaram o país na competição, respaldadas por uma série de convocações anteriores, mas a constatação de um do vértice mais frágil do time e o ponto mais delicado para a sequência do trabalho. Cacá (33 anos) e Alana (30 anos), ambas entre as melhores em atuação na LBF, foram em geral imprecisas em suas funções na condução do time na competição. Há poucas opções no país, além das duas cortadas na fase de preparação: Albiero, 27 anos e Bea, 29 anos e por isso, uma expectativa pela confirmação de uma naturalização de uma estrangeira, intenção anteriormente já cogitada pela CBB. Parece improvável que isso aconteça até março, de forma que considero que Pokey deveria se envolver pessoalmente com a avaliação de outros nomes, o que imagino que deva ocorrer a partir das competições nos próximos meses: Mundial Sub19, Universíade e Global Jam, bem como, em menor escala, dos desempenhos na fase final da LBF.

O saldo também não me parece muito favorável para Thayná (29 anos), sempre cercada de muita expectativa pelas suas atuações dominantes na LBF. Quando recebeu as oportunidades em quadra, pareceu faltar à atleta a intensidade necessária para vôos em nível mais alto. Depois de receber dezoito minutos na semifinal, a atleta não teve condições físicas de jogo na final.

Aos 24 anos, Catarina Ferreira apareceu muito bem na primeira fase de preparação, mas pareceu excessivamente inibida na competição oficial. 

Manu Alves (19 anos) e Ayla (18 anos) foram apostas da comissão técnica que pareceram muito precoces para o atual estágio de desenvolvimento do basquete de ambas. Talvez tivesse sido melhor a opção por atletas que pudessem completar melhor o time: uma terceira armadora e uma quarta pivô com condições de revezamento efetivo.

Considerando que foi o passo inicial do trabalho de Pokey e a urgente necessidade de renovação, acredito que o saldo seja positivo. O trabalho precisa continuar e é a partir da postura desses três atores (treinadora, jogadoras e confederação) que esse começo promissor pode se confirmar como uma real mudança de status do Brasil no cenário internacional.

sábado, 12 de novembro de 2011

Thais Pinto estreia com vitória na Oregon State e eu desabafo contra a preguiça da LBF

ball_1024x768 A Oregon State University estreou ontem na temporada 2011 da NCAA- I Divisão com uma vitória por 64 pontos de diferença, a maior da história da universidade.

Contra Western Oregon (96-32), o time foi liderado por Earlysia Marchbanks, com 15 pontos, mas quatro outras atletas pontuaram com dígitos duplos.

A brasileira Thais Pinto saiu do banco e jogou por 13 minutos, nos quais marcou 9 pontos, 3 rebotes, 3 recuperações e 2 assistências.

A estreia foi muito fácil e as últimas experiências com ‘universitárias’ não tem sido muito animadoras, mas acredito que a campanha da pivô deve ser observada de perto nesse ano, já que disputa uma conferência fortíssima (a PAC12).

Visitando o site da equipe (aqui), conhecida como Beavers, chama a atenção a qualidade: espantosa. Existe um perfil no facebook (aqui), outro no twitter (aqui), um canal de vídeos no youtube (aqui), além de podcasts, aplicativos para iPhone e muito mais. A partida de ontem foi acompanhada por 1423 espectadores.

Realmente um exemplo de como se fazer e promover o esporte.

É de corar de vergonha uma comparação com o site e a organização da (profissional?) Liga de Basquete Feminino daqui. Sem data de início da temporada, sem tabela, com informações equivocadas, uma absoluta ausência nas redes sociais e um único vídeo, que nem divulgado foi.

Já ouço alguém chorando as pitangas, dizendo que aqui não tem dinheiro, incentivo, patrocínio e etc e tal, mas tem algo em muito maior quantidade que talvez explique a diferença: a preguiça!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Aos 36 anos, ainda há espaço para Silvinha Luz na seleção brasileira?

NLB-Idolkort-7 Passada a euforia da conquista do Pré-Olímpico e o impacto da derrota na semifinal no Pan, é hora de pensar em Londres-2012, que está logo ali.

O primeiro ano do trabalho de Enio Vecchi se encerra com mais pontos positivos do que negativos e a impressão é que continuamos naquele miolo do pelotão médio, que no basquete feminino permite que uma seleções como a República Tcheca e Espanha, prata e bronze no Mundial em 2010 não tenham conseguido ser protagonistas do Europeu nove meses depois.

Como a renovação não aconteceu de forma equilibrada nos últimos anos, a situação é bem delicada e há pouco tempo para mudanças radicais, que só surgirão em face de atuações excepcionais na segunda edição da LBF.

Parece claro que há um grupo de seis jogadoras que tem o total respaldo da comissão técnica e da diretora Hortência: Érika, Adrianinha, Damiris, Iziane, Franciele e Clarissa.

Abaixo dessas seis, mas ainda em posição privilegiada parecem estar Silvia Gustavo, Tássia e Nádia.

Desse grupo de nove atletas, chama atenção a situação das alas. Iziane é Iziane. Silvia ganhou a confiança de Enio, mas seu basquete continua sobrevivendo mais de boas intenções que de condições físicas e técnicas.

Por fim, a expectativa que cerca a ainda menina Tássia tem levado ao erro de que ela (já) pode atuar de ala ou armadora conforme seja o desejo do treinador, algo que eu só vi Magic Paula fazer com a mesma competência.

Nesse cenário, ganha força a madura dupla do Pré Chuca & Micaela, já vista em Pequim-2008, mas ainda sim bem mais afinada que Jaqueline & Izabela no Pan.

Nunca imaginei que fosse escrever isso, mas sobe ainda Palmira, a jogadora que mais evoluiu sob o comando do novo treinador.

Resumindo, o cenário nas laterais é muito complicado.

Nesse universo particular, acho que é hora de pensar numa carta que já julguei fora do baralho. Ainda mais madura que todas as demais, Silvinha Luz, 36 anos está na Suécia, defendendo o NorthLand, que lidera a liga local com seis vitórias.

Na última sexta-feira, jogando contra o Vikings (74-55 sobre o vice-campeão da última temporada), a ala brasileira esteve perto de um tripe-double em 36 minutos de correria: 14 pontos, 11 rebotes, 9 assistências e 3 recuperações. Silvinha lidera a competição em assistências (6,0), é a quarta mais eficiente (19,2) e a nona cestinha (14,8).

Sei que ouvirei comentários do tipo “na Suécia, até eu!”, mas são números semelhantes aos que ela registrou no Brasil no último ano e superiores ao de outras concorrentes citadas acima.

A resposta à pergunta do título só Enio tem. Eu, do lado de cá, acho que ainda sim.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Depois da vitória, a espera pela reconstrução

brasil1pre

Nunca foi tão fácil chegar a uma Olimpíada!” assim Maria Helena Cardoso resumiu no twitter a conquista da vaga em Londres. Técnica da seleção na missão frustrada na Malásia em 1988 e na dramática e inédita classificação para Barcelona, em 1992, ela sabe muito bem do que está falando.

Embora muita gente tenha se concentrado na fragilidade dos adversários, acho que é evidente que alguma coisa mudou. Para melhor.

Em 1999, perdemos para Cuba no Pré-Olímpico, mas haviam três vagas em disputa. Em 2003, vencemos Cuba e conquistamos a vaga única. E em 2007, queda diante de Cuba na semifinal e a vaga acabou vindo contra a mesma Cuba– novamente de forma dramática – no Pré-Olímpico Mundial-2008.

Assim, essa última conquista realmente me parece digna de comemoração, ainda mais quando se contextualiza o momento em que ela ocorrre.

O torneio marcava a estreia de um técnico sem experiência no feminino e desacreditado pela maioria – por mim, inclusive. Enio Vecchi se comportou muitíssimo bem. A defesa melhorou incrivelmente e parece ser esse o caminho num time de alas pouco produtivas no ataque. Ofensivamente, houve mais equilíbrio, menos chutes de três e  individualismo. Emocionalmente o grupo também pareceu melhor. Menos apático do que no Mundial de 2010 e menos oscilante do que de costume.

Além de Enio, acho que seus auxiliares merecem o reconhecimento. Tenho minhas reservas a Urubatan, mas enfim: parabéns! Gosto muito do trabalho de Janeth. Na semifinal contra Cuba, foi possível ouvir a voz ao fundo da assistente durante um tempo técnico em que Micaela reclamava da dificuldade de conter a adversária. “Mas ela é muito rápida!” dizia a ala. Serena, Janeth apenas tranquilizou Kaé: “Mas você é tão rápida quanto ela”, no que me pareceu um gesto bastante nobre.

Acho que merece crédito ainda o trabalho de Hortência. Depois de um começo um tanto quanto confuso, parece que aos poucos, a diretora das seleções femininas se encontra mais na nova função. Que a evolução persista!

Entre as jogadoras, acho que o torneio sela uma nova fase para Érika com a camisa amarela, na qual a sua importância é reconhecida, aceita, admirada  pelo grupo e mesmo por Hortência. Mal aproveitada na era Barbosa, ausente na era Bassul e um corpo estranho na era Colinas, a pivô deixou claro em Neiva sua explosiva combinação de força e talento.

Tão brilhante como Érika, esteve Adriana, talvez em sua melhor participação na seleção. Esteve firme, jogou com extrema inteligência e parece ter afastado do semblante o desgate e a decepção de suas últimas penosas participações com a seleção nas Olímpiadas -2008 e no Mundial-2010.

Sinceramente não consigo avaliar Babi pelo pouco que vi no Pré-Olímpico, embora ela tenha me impressionado bastante no amistoso em Americana. De qualquer maneira, é fundamental pensar à frente nessa posição e a comissão técnica parece estar atenta a isso.

O cenário no garrafão parece mais confortável. Além de Érika, as demais pivôs apareceram muito bem. Clarissa é daquelas jogadoras que dão prazer em ver jogar. Infelizmente uma contusão tirou parte do seu brilho no torneio. Damiris está esplêndida e é realmente um milagre ver uma jovem alcançar o nível que ela belisca aos 18 anos num país que oferece muito pouco aos seus talentos. Gostei de ver Gilmara tendo sua primeira oportunidade, mas acho que com a boa fase de Clarissa, a tendência é que ela tenha menos espaço. Acho a dupla Nádia e Franciele fantástica, mas as duas parecem carecer de alguma coisa para entrar em combustão espontânea. De longe, a impressão que tenho é que algo entre a confiança e a concentração às vezes escapa pelas mãos das duas jovens.

Nas alas, é que o nó aperta. A situação é complicada e não vejo muitas saídas para a Olimpíada que se aproxima.

Acho que a receita será reincorporar Iziane e tentar alguma novidade, o que é muito difícil, pois o universo de convocadas está extremamente limitado.  Reconheço que a comissão técnica tentou. Viu Tatiane, Fernanda, Izabela, Karen, Jaqueline, deu uma chance para Natalia Santos… Janeth observou outras tantas atletas na Universíade, mas verdade difícil de admitir é que há poucos nomes.

Chuca foi a presença mais regular na posição, o que não quer dizer muita coisa.

Reconheço o esforço de Palmira, principalmente na defesa, uma de suas deficiências. Colaborou bastante ainda na transição, dando um repouso a uma sobrecarregada Adriana.

Micaela continua tendo seus bons momentos na defesa e Enio soube dosar bem as oportunidades dela, sem que comprometessem o todo. Mas a ala vive uma falta de sintonia absoluta no ataque.

Por fim, Silvia Gustavo desapareceu após uma virose durante a Copa Pitalito.

Espero que ao menos uma novidade seja incorporada ao grupo daqui para a frente. Tássia talvez seja a mais gabaritada.  Se a opção for por veteranas, não entendo a ausência de Silvinha Luz na equipe.

Vaga conquistada, a hora é  de viabilizar a segunda edição da LBF e  planejar 2012. Sem isso, esse otimismo momentâneo logo desaparecerá.

sábado, 10 de setembro de 2011

Impressões sobre a primeira vez de Enio Vecchi

banco

Assisti ontem à primeira partida no Brasil da seleção brasileira sob o comando do técnico Enio Vecchi, o sexto técnico nesses vinte anos que acompanho o basquete feminino.

damicuba Tanto Enio como seu time, parecem ainda um pouco travados e tensos com essa missão que lhes foi confiada. As meninas ainda estão assim meio “duras”, sem ritmo entre o fim da temporada de clubes e a falta de amistosos que o calendário impôs.

Me deu alguma esperança perceber que há jogadas ensaiadas (aleluia!) e que em alguns momentos o time se portou bem no cinco-contra—cinco. O número de assistências foi alto (29), bastante superior aos amistosos das fases Bassul/Colinas.

A maior falha está na defesa – passiva demais, permitindo as bolas de três das cubanas (10 no total, contra 5 das brasileiras) e que as armadoras vencessem facilmente a marcação de Adrianinha sem nenhuma cobertura. Aliás essa deficiência é crônica na seleção brasileira e eu cheguei a acreditar que isso mudaria ao ver a seleção sub-16 de Janeth na Copa América. Mas parece que ela não ensinou isso ao Enio ainda. O pior foi que vendo isso tudo, ele me saiu com uma defesa por zona…

Não concordo que a seleção cubana seja frágil. É um time que caso não sofresse com as limitações de seu país, estaria aí dando muito trabalho a qualquer seleção. A base é experiente e mantém Marlen Cepeda, Clenia Noblet, Yamara Amargo, Suchitel Avila e Gélis, que nos conhecemos de outros carnavais e de um bom número de derrotas.

A fase de amistosos do time foi longa, com vitórias sobre Letônia e Canadá, entre outros e as cubanas acabaram de ganhar com um pé nas costas a Copa da América Central. Ou seja, elas estão “prontas” para a Copa América. O Brasil, ainda não.

O amistoso inicial tranquiliza um pouco mais em relação à armação, que somou 14 assistências divididas entre a titular Adrianinha e a reserva Babi.

Adrianinha teve uma atuação equilibrada, apesar de ter muito mais poder de fogo. Me preocupa a facilidade com que é vencida na defesa e logo se carregou em faltas.

Babi foi uma grata surpresa. Esteve bastante segura, mesmo nos momentos decisivos. É uma jogadora que não tem um bom arremesso, mas talvez se ela se limitar a armar com competência e defender razoavelmente já salve a pátria.

Nas alas é que a situação derrapa.

O maior destaque foi – vejam só – Chuca, que funciona muito bem em um time de operárias e muito mal em um de estrelas.

Sílvia Gustavo ofereceu aquilo que estamos acostumaclavoa dos a ver. Felizmente Enio percebeu que na posição quatro não dá para ela em qualquer torneio de nível técnico mediano. Na posição três, Sílvia segue com seu basquete sobrevivendo mais de boas intenções do que de técnica e condições físicas. Me passou a impressão que ela é a “mulher-forte” de Enio, a sua jogadora de confiança.

Palmira continua simplesmente trágica. E não é culpa dela, mas de quem insiste nela. Desatenta, frágil no jogo de contato e sustentada na esterilidade dos arremessos de três, eu não entendo o que ela faz ali nos últimos anos. Algum motivo deve ter…

Em decadência técnica e física, Micaela sobrevive na base da experiência. Leu o jogo bem ontem e cavou faltas. Já valeu.

Preocupa-me o fato de Jaqueline nem ter sido testada ontem.

Nas pivôs, a preocupação maior é a baixa estatura.

kaell Clarissa esteve estupenda ontem. Seus 24 pontos e 11 rebotes devem constranger aqueles que passaram os últimos anos a sepultar seu basquete.

Franciele patinou na sua tradicional irregularidade. Com dificuldade na marcação, acabou não comparecendo ao jogo e perdeu a chance de reforçar a boa impressão deixada nos amistosos na China.

Nádia entrou bem no segundo quarto, mas voltou no terceiro sonolenta e Enio preferiu encerrar a experiência.

Damiris era a mais nervosa entre as onze. Me parece que a menina não lidou bem com sua primeira partida após o sucesso na sub-19 e ao atuar num time que tem pivôs mais aptas à posição quatro que a cinco. Ainda assim, passou no teste.

Os minutos de Gilmara ainda não me permitiram ter opinião formada. Adicionalmente, Clarissa, Franciele e ela estão meio assim trigêmeas e eu posso ter me confundido.

De Hortência, no meio do jogo, veio uma declaração intrigante. Analisando a partida, disse apenas que “quando Érika chegasse…”. Não citou Iziane. O repórter também não perguntou.

Por fim, Helen Luz comandou os comentários no SPORTV com competência exemplar. Sentou-se para comentar sabendo o que estava acontecendo, onde jogavam as jogadoras e expressou-se com clareza. Ótima!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Oito Anos

015b

Na quarta-feira, um leitor deixou um link que noticiava a contratação da pivô brasileira Flávia Luiza pelo clube português Vagos.

Aparentemente não havia nada de anormal na nota.

Flávia é uma atleta com diversas passagens pelo basquete europeu: Itália, Suíça, Espanha, Letônia…

E o Vagos é um clube que tem oferecido abrigo a uma série de jogadoras brasileiras nos últimos anos. Da última convocação da seleção brasileira, nada menos do que quatro atletas (Izabela, Fernanda, Sílvia e Clarissa) passaram por lá.

Mas alguma coisa me chamava a atenção na notícia desde o princípio. E eu não sabia exatamente o que era. Dois dias depois, talvez tenha conseguido entender.

Flávia Luiza completa 29 anos nesse domingo. É daquelas que venceram no esporte em condições absolutamente adversas. Talvez pouca gente se lembre, mas foi ela a cestinha da seleção brasileira na conquista da medalha de prata no Mundial Sub-21 (2003), que completou oito anos no início do mês passado. Foi também a que mais tempo ficou em quadra entre as doze escolhidas pelo técnico Bassul.

Se Flávia conseguiu muito através do esporte, é impossível não notar que ela poderia ter ido mais adiante. A afirmação na seleção adulta não veio e a trajetória em clubes foi extremamente irregular.

As razões desse mau aproveitamento são muitas. Algumas são da própria atleta. Outras, do acaso das lesões. Culpados também foram os que gerenciaram sua carreira, com péssimas escolhas no início da carreira no exterior (a comparação com Graziane, sua colega na conquista,  é exemplar). Por fim, falhou o basquete brasileiro como um todo, que não se preocupou muito com uma das líderes daquela (esquecida) vitória, nem com as outras onze.

Obcecado por essa ideia, me debrucei sobre as estatísticas do torneio. Oito anos depois, que fim teriam levado as carreiras das jogadoras que se destacaram ali, como Flávia?

A brasileira foi a oitava cestinha da competição, com 13,1 pontos por jogo. Entre as dez primeiras, registrava o melhor aproveitamento de arremessos (61, 4%). Érika foi a décima segunda cestinha (12,4 pontos e 65% de aproveitamento).

Concentremos-nos nas outras sete jogadoras que pontuaram mais que Flávia:

1) Anete Jekabsone-Zogota (24, 3) – a letona dispensa apresentações. Converteu-se num dos maiores nomes da sua geração. Jogadora do ano de 2007 na Europa, tem passagens pela WNBA e contrato assinado com o poderoso Fenerbahce.

2) Gisela Vega (20,6) – a argentina não está na seleção porque não quer. Tem sólida carreira na Espanha.

3) Liwei Song (16,5) -  disputou os dois últimos Mundiais Adultos pela seleção chinesa.

4) Lan Bian (15,8) – terceira cestinha da seleção chinesa nas Olimpíadas de Pequim 2008 (quarto lugar).

5) Ana Lelas (15,1) – a croata construiu carreira na França e é um dos pilares da seleção que conseguiu vaga para a disputa do Pré-Olímpico Mundial.

6) Ieva Kublina (15) – afirmadíssima na seleção da Letônia, pela qual disputou as Olimpíadas de Pequim.

7) Ekaterina Sytniak (14,4) – mesmo não vencendo a concorrência por uma vaga na seleção russa, tem vaga cativa nos melhores times locais, em uma das mais competitivas ligas de todo o mundo.

Abaixo de Flávia, aparecem outros vários nomes que o destino tem levado longe, como Érika, Zane Tamane (Letônia), Seimone Augustus e Alana Beard (EUA), Emilie Gomis e Céline Dumérc (França) e Laura Summerton e Hollie Grima (Austrália).

Há nomes que sumiram, como o da croata Lea Fabbri, nona colocada.

O caso de Flávia, no entanto, não parece ser uma exceção, mas a regra de como temos maltratado nossos talentos. Suas colegas que já nem jogam mais são o lado ainda mais perverso da estatística.

Meu temor é que em 2019 eu esteja aqui revendo o que o destino ofereceu a Damiris, Tássias, Isabelas, Marianas e Thamaras desse Brasil.

domingo, 17 de julho de 2011

O meu samba de uma nota só

Já ouviu falar em disco furado? A seleção começa nessa semana sua preparação para o Pré-Olímpico e é difícil não notar uma sensação de estranheza em relação ao “novo” time. Que time é esse? Que técnico é esse?

As respostas só teremos durante o torneio, que vale muito – a possibilidade da sexta participação olímpica do basquete feminino.

O time de agora encerra a conexão com a nossa maior conquista, o Mundial de 1994, a partir da aposentadoria das duas últimas remanescentes (Helen e Alessandra). Da última conquista importante, o bronze em Sydney-2000, resta apenas a solitária Adrianinha.

Parte da estranheza, acredito, vem do fato de as duas melhores jogadoras da equipe – Érika e Iziane – serem vistas com desconfiança. A primeira por ter se tornado uma presença heterodoxa no time, contabilizando uma única participação nos últimos cinco anos. A segunda por ter se convertido num triste (porém merecido) símbolo de talento estéril, sufocado pela pouca inteligência emocional e pela indisciplina tática.O dia em que tive saudade da Vivian!

O “novo” time escancara ainda de forma explícita nossa decadência técnica. Durante todos esses anos em que acompanho basquete, meu maior choque havia sido ver a ala Vivian com a camisa da seleção em 2004. Não achava que a lateral tivesse predicados que lhe garantissem a vaga em uma participação olímpica. Hoje em dia, a descarga elétrica vem ao ver na convocação vários nomes tecnica e fisicamente bem inferiores a Vivian.

Ouço muita gente criticar a convocação dizendo que “fulana não tem nível internacional”, mas a realidade é que nosso basquete atualmente não tem nível internacional. Hoje o mercado internacional para nossas atletas está resumido a Portugal e a Segunda Divisão Espanhola. Fora dali, elas não têm espaço, nem mantém seus números.

A primeira convocação de Enio Vecchi parecia se basear em um critério. Inexperiente no feminino, Enio usou o que ele viu em poucos jogos da LBF e numa análise  apressada dos números. O problema é que técnico desconsiderou que a lógica de nossos clubes e torneios é doentia e perversa. Nesse contexto invertido, nem sempre quem joga mais tempo e pontua mais no clube é o nome ideal para se formar uma seleção.

Micaela, mais uma vez "em teste" Da mesma forma que a lista fazia uma justiça tardia a nomes como Gilmara, Carina e Simone Lima, colocava na  posição de “testadas” nomes com Mundial e/ou Olimpíada no currículo (Fernanda, Sílvia, Micaela, Palmira…).

Essa lógica torta é semelhante à uma hipotética escolha de uma “seleção” de cantores pelo Ministério da Cultura. Poderíamos nos basear apenas na lista dos mais vendidos?

Infelizmente no Brasil e no basquete feminino, o técnico e sua confederação precisam enxergar um pouco além. Eles precisam oferecer condições para que a renovação ocorra e vá gerando a evolução de uma nova geração.

Então em algumas posições críticas, é preciso forçar algo novo. É preciso praticamente criar o novo e ter a coragem de não ficar repetindo, repetindo e repetindo a mediocridade.

É preciso haver uma política e uma comunicação entre as seleções juvenis e a adulta. Em 1993, ao menos oito atletas da seleção juvenil que disputou o Mundial daquele ano (Claudinha, Silvinha, Leila, Lígia, Patrícia, Alessandra, Cíntia e Yngrid) tiveram a chance de serem observadas na seleção adulta. Quatro anos depois, a seleção teve o melhor resultado no Mundial Juvenil – quarto lugar, mas a distorção já se iniciava, com menos oportunidades no time principal e apenas Kelly no Mundial adulto do ano seguinte.E a minha vaga?

Em 2011, na primeira convocação de Enio, apenas uma atleta da última seleção juvenil (2009) foi lembrada – Tatiane. Mas nem o direito de disputar amistosos teve. Sintomático, não? Onde estão Tainá, Débora, Patrícia Ribeiro, Leila Zabani, Fabiana Caetano, Cristiane Simões? Hortência, Enio e a CBB esperam passivamente que esquentado o banco de Americana e disputando a A-2 elas subitamente alcancem o “nível internacional” e eles então digam: “Amém!”?

Com os amistosos na China, a esperança era de que a dupla picolé-de-chuchu Enio e Urubatan repensasse as linhas da convocação, principalmente na posição em que desempenho foi mais cruel: nas laterais.

É triste, mas nem Nero coloca mais a mão no fogo pelo quarteto-base que foi à China: Palmira, Fernanda Beling, Micaela e Sílvia Gustavo. (Fora as quatro, havia Jaqueline).

A segunda convocação respondeu a esse problema com o retorno de Chuca (hein?) e Karen, que vem talvez da pior temporada da carreira nos quesitos técnico e físico.

Animador, não?

A dupla verde inspira confiança? Ironicamente o técnico resgata Izabela, para mim o símbolo maior do que o basquete brasileiro tem oferecido a suas atletas jovens e talentosas: uma lenta asfixia.

O que escrevi nesse texto é o que repito exaustivamente nesses anos. Recentemete até senti um certo alívio em ver no blog Giro no Aro um argumento semelhante (The Kids ou o sonho cruel da realidade). Sinal de que não estou louco (ainda).

O problema é que repeti tanto isso, que nem consigo mais olhar para o presente do nosso basquete. Meus olhos só brilham pelo futuro, na nobre teimosia de Franciele e Clarissa, nas recém-chegadas Damiris e Tássia e no terremoto Izabella Sangalli.

Que ele – o futuro – nos surpreenda.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Barradas no Baile

BASQUETE FEMININO Espremidos contra a parede por estarem perdendo suas séries semifinais por 2 a 1, os técnicos Edson Ferreto e Zanon mostraram ontem que - sob pressão - podem abandonar parte da imensa teimosia que acompanha a carreira de ambos.

No primeiro jogo do sábado, entre Santo André e Catanduva (ótimo), Ferreto barrou Natália no time titular, assumindo finalmente que ela e sua reserva Gattei vivem fase péssima. A atuação das duas foi limitada a satisfatórios dezessete minutos. E a função da armação foi dividida em quadra por uma esforçada Palmira e pela talentosa Silvinha Luz (perfeita na marcação sobre Ariadna e com excelente visão de jogo). Catanduva venceu e empatou a série.mariana

À noite, Zanon foi capaz de enxergar que a fase de Karen Gustavo também não é nada boa, a exemplo de outras que estiveram no último Mundial. Para a vaga de Karen, recorreu à Mariana Camargo, que somava pouco mais de sete minutos nas três partidas anteriores. Em 16’, ela respondeu com 8 pontos e 7 rebotes, mas Zanon achou que alongar seu tempo em quadra já seria ousadia demais… Fenômeno semelhante acontece na relação do treinador com a pivô Fabiana, que largou ontem como titular e disparou com 10 pontos, mas acabou ficando no banco por ter cometido três faltas (13 minutos). Fabiana não havia jogado nenhum minuto na segunda partida. Mas ontem, Americana também venceu e empatou a série.

O comportamento de Zanon e Ferreto é comum entre os técnicos brasileiros. Eles conseguem distinguir mal o melhor currículo do melhor momento. Têm dificuldade de admitir seus erros. Têm medo de mudanças. Adoram o conforto de uma mesmice. E preferem morrem com a segurança de que perderam, mas não ousaram nem por um minuto.

O sábado mostrou que até para eles, ainda há esperança.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Oração para São José

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Acredito que ninguém discorde que a transmissão da final da LBF pela Tv Globo é um excelente negócio para o basquete feminino.

A modalidade está afastada da mídia, não tem ídolos, identificação, patrocínios sólidos… Uma transmissão na maior Tv do país – se confirmada - deve ser comemorada. Se não estou enganado, a última vez que a emissora transmitiu um jogo entre clubes femininos foi em 1996, na final dos Abertos.

Mas, parênteses: a LBF não pode se contentar com isso. É preciso investir para que o campeonato e suas equipes melhorem. Só assim poderemos esperar mais que uma manhã de Esporte Espetacular.

Enquanto isso não acontece, a ‘grande tática’ foi estabelecer a decisão em um jogo final único, contrariando as últimas doze edições do falecido Campeonato Nacional.

Quando se anunciou que a quadra seria neutra, todo mundo imaginou que a LBF faria a final em um grande ginásio para abrigar uma grande festa. Ibirapuera e  Maracanãzinho foram as referências mais óbvias. Como segunda opção, pensei que a liga consideraria levá-la a um centro fora do eixo, como Cuiabá, que sediou a Copa América, ou à capital federal ou a uma capital do Nordeste, em tentativas de espalhar a frágil semente da modalidade.

Na minha fértil  imaginação, supunha que se a liga não seguisse essa linha de raciocínio, poderia então beber mesmo na fonte do interior paulista, berço do esporte. Lembrei do ótimo ginásio de São Bernardo. Considerei Franca, uma aposta na tradição e na onda positiva do Jogo das Estrelas do NBB. Ingenuamente pensei até numa reconciliação afetiva com Sorocaba, Campinas, Piracicaba, Osasco, Jundiaí...

Nesse sentido, a falta de critério, lógica, identidade e propósito na escolha de São José dos Campos e seu ginásio com capacidade para 2.500 pessoas como sede do jogo decisivo me chocou absolutamente.

Acho que seria muito mais digno conceder à equipe com melhor desempenho na fase de classificação o direito de ser sede do jogo.

No entanto, estou cansado de esbravejar e resmungar.

A decisão está feita e resta me apegar ao santo.

Que São José nos proteja e não nos permita pagar um mico em rede nacional.

Plim-plim.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O Segredo de Santo André

kaesa O Fábio Balassiano publicou ontem um artigo extremamente bem escrito sobre a fase invicta de Santo André na LBF (“Sempre Laís”).

A análise estatística dele está particularmente interessante.

Com isso, sobrou pouca coisa para o texto que eu havia programado sobre a equipe nessa semana sabática da LBF.

Às observações de Fábio, devo concordar que a equipe realmente joga bem coletivamente e que Laís é sim a melhor treinadora da competição.

Devo lamentar – para não perder o costume – que Laís venha conseguido tais resultados sem oferecer oportunidades a nenhuma jovem atleta.

Por fim, devo registrar que a armadora Kátia Cavallaro me agrada muito quando joga bem e que é uma pena que não mantenha a regularidade.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A inércia da LBF

inercia Encerrada a fase regular da primeira edição da LBF, fica a pergunta: o que mudou em relação ao Nacional que teve doze edições com organização oficial da CBB?

Com exceção das viagens de avião e do número maior de partidas transmitidas pelo canal fechado Sportv, não consigo listar qualquer outra mudança, o que é preocupante.

Mesmo em ações baratas de marketing, a liga está devendo. Não tem um blog, uma conta no twitter… Nada de novo, criativo ou ousado. E antes de encerrada a sua (curta) temporada, já pululam ameaças de extinção de times e de retiradas de patrocínio.

Se parece já tarde para fazer algo para a atual edição, sugiro que a direção da liga concentre-se na final do torneio. Segundo o regulamento da competição, a decisão será em jogo único em quadra neutra (onde?), visando uma possível transmissão pela Tv Globo. Zelar pela organização e divulgação dessa partida e por casa cheia seria uma boa ação para não ver a temporada inaugural encerrada com cheiro e sabor de fracasso.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Alguma coisa está fora da ordem

107142991 Joinville e Mangueira conseguiram uma proeza nessa primeira LBF e deixaram os paulistas Araçatuba e São Caetano comendo poeira.

É um fato digno de comemoração principalmente por serem equipes que tem, digamos, uma ‘identidade local’ e que não são apenas um projeto-caravana, desses com os quais nos acostumamos nesses anos de Campeonato Nacional.

Faço uma menção especial ao trabalho da Mangueira, que vem deixando sua marca nos últimos anos sob o comando do bravo Guilherme Vos. É uma pena que o reconhecimento não tenha se dado na mesma proporção, nem por parte dos patrocinadores – ainda escassos no basquete carioca, nem pela CBB, que se limitou a uma convocação do técnico para os Jogos Olímpicos da Juventude. Se Hortência está mesmo à procura do “novo” e de “oxigênio”, Guilherme Vos estaria muito mais credenciado a uma chance do que seu último escolhido (Urubatan Paccini). Vá entender…

O lamento, no entanto, é aquele de sempre. Encerrada a LBF, o que fazem essas equipes que parecem estar à espera da  hora do empurrãozinho (texto do Fábio Balassiano da semana passada)?

Sobre os eliminados, deixo as minhas lamentações finais.

Em relação a São Caetano, a situação é de amargar. Se confirmada a extinção da equipe, será algo gravíssimo, já que era dos últimos tetos para atletas jovens.

Em Araçatuba, a questão também passa pelo “oxigênio”, ou pela falta dele. Com sua principal jogadora, Cléia Crepaldi, com problemas físicos e sem opções no banco, o time se complicou praticando um basquete antiquado e descompromissado taticamente, baseado em infiltrações e arremessos forçados. Por incrível que pareça, quando o clube ganhou uma boa jogadora (Renatinha) que joga da mesma maneira, até ameaçou ganhar sobrevida. Mas falhou. Um pouco mais de ousadia, ousadia e ânimo não fariam mal ao técnico Alvacyr, que foi surrado por Borracha no jogo decisivo.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Há esperança

90101572 Acabo de assistir ao jogo Americana x Ourinhos (67-62), último da fase de classificação da LBF e devo confessar que – sim – gostei!

Foi um jogo interessante, com alguns momentos muito bons. Talvez o melhor do torneio, o que dá - aos otimistas de plantão como eu - a esperança de que as finais sejam boas.

Em Americana, chamam a atenção a regularidade da Carina com c (16 pontos) e a aparente recuperação da Karina com k (7 pontos, 6 rebotes). Apesar das boas intenções, Helen (que pediu para sair nos três minutos finais) consome seus últimos suspiros físicos dentro de um conjunto que tem dificuldade de fornecer evolução à Babi e segurança para Débora. As “velhas” Karla (14 pontos e 4 assistências) e Mamá (11 pontos, 7 rebotes) ainda têm seus sopros decisivos. E Karen (8 pontos e 4 assistências) consegue às vezes nos animar. Por fim, vale o registro do despropósito da contratação da argentina Florencia.

Em Ourinhos, parabéns ao Barbosa, que tem conseguido extrair mais da jovem Djane (12 pontos, 4 rebotes). Desde que o veterano assumiu, a jogadora registra em média 13,6 ppj. Com o antigo treinador, manteve média de 6,3. Joice teve outra boa atuação (13 pontos, 4 assistências) e a pobre Plutin (13 pontos, 7 rebotes) faz mais do que seus quilos e lesões permitem nessa hora. Bethânia sofre sem uma substituta (9 pontos e 7 assistências) em quarenta minutos. Já Chuca e Fernanda Beling (2 pontos cada) clamam por ressuscitação.

Assim acabou a fase de classificação da liga.

Que venha a próxima.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A mão que balança o berço

82021055Em reportagem do iG, o secretário de Esportes de São Caetano - Sr. Mauro Chekin - fez  o seguinte comentário sobre a equipe local:

“Será que vale a pena manter o investimento na equipe de basquete para ter um desempenho pífio? Esse dinheiro pode ser aplicado em outra modalidade, que poderá ter um rendimento melhor. Vamos avaliar a situação.”

A afirmação do ilustre secretário me chamou a atenção, pelo fato de o dirigente ser também o vice-presidente da LBF.

Segundo o próprio site da liga, “a LBF nasceu com o propósito de contribuir para o renascimento do basquete feminino e devolver a modalidade ao lugar que sempre mereceu no esporte brasileiro. (…) a entidade se compromete a desenvolver e melhorar o nível do basquete feminino tanto no aspecto técnico quanto no organizacional, além de empreender esforços para o crescimento e a modernização dos associados.”

Se o vice-presidente da LBF tem esse grau de entendimento da proposta da liga, podermos ficar tranquilos, não é mesmo?

O basquete feminino vive realmente um momento de escolhas iluminadas de pessoas e caminhos.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Uma estrela chamada Carina Felippus

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Não sei se já publiquei esse post alguma vez, mas a ideia de escrevê-lo me persegue há alguns anos sempre que vejo as atuações da ala-pivô Carina Felippus, 31 anos e 1,84m.

Desde que retornou dos Estados Unidos, Carina é certamente das melhores jogadoras que atuam por aqui.

De uma oportunidade em Guarulhos, Carina logo foi fisgada para Catanduva e depois passou por Ourinhos até chegar a Americana.

Nesses três clubes que dominam o cenário nacional nos últimos anos, Carina sempre obteve espaço e destaque.

É daquele tipo de jogadora que aconteça o que acontecer, mantém-se protutiva com regularidade, o que talvez seja a causa desse seu brilho discreto.

Carina é inteligente, tem bons fundamentos, um belo arremesso na meia distância, tem visão de jogo e é disciplinada.

Defendendo o líder do campeonato ontem, Carina teve uma atuação maiúscula, com 20 pontos (9/12 nos dois pontos) e 4 rebotes.

Há oito anos entrevistei a ala Aide e quando a questionei sobre o fato de ela nunca ter recebido uma convocação para a seleção, ela me citou três fatores:

“Primeiro porque acho que meu estilo de jogo não agrada ou não se encaixa na filosofia deles; segundo porque pelo fato de por muitos anos eu ter atuado em equipes médias, isso pode ter estreitado as minhas oportunidades de conquistar um espaço na seleção; terceiro porque não entendo o critério de convocação que é utilizado por eles e aproveito a oportunidade para que se faça essa pergunta, pois acho que sanaria não só a minha duvida como a de muitas outras pessoas.”

A resposta de Aide ficou sempre marcada em minha memória e ressoa quando vejo casos como o de Carina.

Por que Carina nunca mereceu uma única convocação para a seleção?

Os argumentos mais recorrentes são os de que seja “velha” e “baixa”.

Pois enquanto a velha baixa estava por aqui, assistimos a ala Sílvia Gustavo ser improvisada na posição 4 durante a disputa do último Mundial, sendo que apenas três anos e dois centímetros separam as duas. Por alguns poucos minutos na mesma competição, assiti ainda um dos lances mais bizarros de toda a história do basquete feminino nacional, quando o espanhol Carlos Colinas -do alto de sua sabedoria- colocou Fernanda Beling para ocupar a mesma posição.

A verdade é que os critérios de convocação por aqui continuam “elitistas”, melindrosos e impenetráveis e excluem automaticamente nomes como os de Carina, que parecem nunca suficientemente bons.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O que esperar de Ênio Vecchi no comando da seleção feminina?

36b Queria ter registrado minhas impressões sobre a nomeação de Ênio Vecchi para a seleção feminina, mas a CBB me ‘quebrou as pernas’ com um anúncio inesperado em um preguiçoso domingo logo após o dia de Natal. De quem foi a brilhante ideia?

O atraso já me permitiu ler a primeira entrevista do novo técnico (ao Rodrigo, no Rebote) e três comentários bastante pertinentes: dois do Fábio, no Bala na Cesta: “Alguém entende?” e “Esqueceram dos campeões” mais o de Marcelo Laguna, em seu blog: “Incrível: CBB e Hortência fecham temporada de 2010 em grande estilo”, de forma que eu tenho pouco a acrescentar.

Na primeira entrevista, o tom de Ênio é extremamente político, sendo impossível descortinar-se o que vem por aí.

Chama a atenção a revelação de que o contato com o novo treinador foi feito por Brunoro, porque “Hortência estava viajando”. Oficialmente responsável pelo marketing da confederação, parece que Brunoro ocupa espaços cada vez maiores na estrutura da entidade. Por outro lado, o presidente Carlos Nunes segue caminho inverso, com uma crescente e pálida omissão.

Em relação propriamente a Ênio, conheço pouco seu trabalho. Minha principal referência é ruim (o décimo primeiro lugar no Mundial de 1994 com a seleção masculina). Incomoda ainda o fato de ser um técnico que nunca trabalhou com o feminino. Apesar de sempre ser lembrada a situação de Miguel Ângelo da Luz, em 1993, acho que o técnico campeão mundial deve ser visto mais como exceção do que como regra. Para piorar, Ênio está ligado a um clube até o fim da temporada do NBB, estreia na seleção em uma competição que vale a vaga olímpica e possilvemente com desfalques.

Se realmente Hortência e Brunoro acreditam nessa escolha e se houve critério técnico, poderiam ao menos cercá-lo de um assistente (fora Janeth) com tempo no femino. Não há nenhum treinador no Brasil que mereça esse chamado?

A verdade é que foi uma opção de improviso, sem brilho algum, extremamente desestimulante para os (poucos) técnicos do basquete feminino e que deixa a impressão que tudo vai continuar o mesmo, com Hortência decidindo tudo, incluindo aí o excelente preparo psicológico do time.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

E agora, Hortência? Hortência para onde?

hortenciabarueri Hortência está novamente na crista da onda. Desde que assumiu a diretoria do departamento feminino da CBB, só dá ela. É mais entrevistada que qualquer outra atleta, membro da comissão técnica ou até mesmo o presidente da entidade.

E é alvo de críticas de atletas, ex-atletas, treinadores, psicólogos, jornalistas e (muitos) blogueiros.

Hortência é uma mulher inteligente. Gerenciou sua própria carreira com firmeza incomum. No entanto, Hortência nunca foi articulada na comunicação. Desde os tempos de atleta, suas declarações nem sempre agradavam e muitas vezes criaram polêmicas. Mas naquela época dissesse o que dissesse ou como dissesse, pouco importava. A cada jogo ou campeonato, a Rainha reafirmava a majestade e suas declarações caíam na categoria da ‘excentricidade’.

Hoje é diferente. Hortência ocupa um cargo no qual se deve ter cuidado com o que é dito ou feito. E como a seleção e o basquete feminino daqui andam mal, tem se prestado muita atenção ao que ela diz. E é aí que o “bicho pega”.

Hortência parece ter um raciocínio muito rápido. E fala muito. Em poucos minutos, ela refaz seu raciocínio, desdiz o que acabou de dizer… mas algo mágico acontece e a maioria dos seus interlocutores nem chega a questioná-la.

E isso também não é de hoje. Lembro-me com clareza que Hortência era uma das defensoras ferrenhas de que o Brasil não jogasse com os Estados Unidos antes das Olimpíadas de Atlanta (96). Era uma tentativa de a seleção campeã mundial (94)  surpreender as americanas novamente no torneio. Não deu certo. As americanas entraram tinindo na decisão do ouro olímpico e não deixaram ninguém respirar. Recém-chegada com a medalha de prata, vi Hortência dizendo que deveríamos ter jogado com as americanas para dissipar a fúria de Lisa Leslie & Cia.

Depois que virou diretora, os exemplos são muitos. As declarações passearam entre manter, não manter Bassul, até espinafradas nos técnicos nacionais, anúncios de projetos que parecem eternamente apenas ‘projetados’, o retorno de Iziane, as seleções permanentes e subir ou descer ‘as’ Colinas… Uma festa!

Vítima desse seu estilo, Hortência está agora em situação delicada.

Não há muitas certezas, a ponto de ela assediar Janeth para a posição de técnica da seleção adulta.

O próximo ano é de Pré-Olímpico, já se passaram na sua gestão dois técnicos (Bassul e Colinas) e o tempo urge.

Para piorar, seu primeiro tiro falhou.

Hortência apontou para Zanon e ele recusou. Ao tornar público que lhe fora feita uma oferta de contrato de dez meses, as máscaras caem novamente. Afinal, qual é o projeto que Hortência tem? De testes de treinadores? Cadê aquele famoso ‘ a longo prazo’ que a Rainha tanto fala?

E agora? Fazer o quê?

Com a recusa de Zanon, o que fará a nossa Rainha?

Restam opções pouco confortáveis.

A primeira seria apontar para outro técnico estrangeiro. Mas a verdade é que o que a CBB está disposta a oferecer para um técnico da seleção feminina só atrairá outros técnicos “mais-ou-menos” (palavras de Hortência), como Colinas. Um nome do quilate de Tom Maher parece inatingível. Se fosse para o masculino, quem sabe?

Restaria ainda refazer laços com técnicos afastados pela própria Hortência da CBB, como Bassul ou Borracha. Desconfortável, não?

Ou, por último, restaria correr atrás de técnicos da sua geração, como Vendramini ou Maria Helena, contrariando sua aposta no “novo” e no “basquete moderno”.

Resumindo: Hortência precisará de uma jogada-de-mestre para não sair dessa decisão com a credibilidade ainda mais arranhada.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Mais uma preocupação para Hortência

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Nas últimas entrevistas, Hortência tem dito que sua maior preocupação no momento seria com a “seleção juvenil”, que passaria a ser permanente. Como em grande parte das decisões da Rainha, o processo é arrastado e misterioso.

Ontem aconteceu a decisão do Estadual Juvenil de São Paulo e o Fábio Balassiano pontuou hoje o destino incerto de uma série de atletas dos finalistas que estouraram a idade para a categoria. Várias delas são ex-integrantes da seleção juvenil.

Nos bastidores, a decisão de Hortência enfrenta uma resistência natural. Que vantagem teria um clube de formar uma atleta para que ela fosse “tomada” pela seleção o ano todo? “Não existe seleção sem os clubes.”_ cravou em seu twitter o dirigente de Americana, Ricardo Molina.

Será que justamente essa geração “estourada” não poderia ser também alvo da atenção da diretoria da CBB?

sábado, 27 de novembro de 2010

O site rosa-choque

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Por enquanto, há pouco a dizer da LBF.

Ao menos em um item, no entanto, já se pode dizer que houve evolução: no site do torneio.

O design do site da LBF é moderno e agradável, mesmo em seu rosa-choque.

A área dos times ficou interessante, embora não ache muito prática a forma de ver os elencos.

Algumas jogadoras ainda não aparecem nos quadros, como Laís Tobias (Joinville) e Leão (Mangueira).

As informações sobre as atletas foram herdadas do site da CBB e são bastante irregulares.

Há perfis bem completos, como o de Débora (Americana), alguns vazios como o de Danila (Joinville) e alguns confusos como o de Graziane, em que as informações biográficas são imprecisas, a começar pelo peso da pivô (11 kgs, segundo o site).

O serviço de estatísticas funciona bem e os releases são bons.

Ou seja: no total, bastante superior ao usual.

Ficam como sugestões que:

1) a LBF também ataque em outras redes, como blogs, twitter, facebook, etc.

2) um canal de vídeos seja inserido no site, com jogadas de destaque, entrevistas, etc.

3) a atualização do site não se resuma às vésperas das rodadas, para que haja conteúdo novo mesmo fora do sábado e da segunda.