segunda-feira, 9 de abril de 2012
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Vinte anos depois, o Pan
A conquista do ouro pelo basquete feminino no Pan de Havana, em 1991, continua sendo um fato extremamente marcante no esporte nacional. Vinte anos depois, a conquista das meninas sob as barbas de Fidel ainda é lembrada e comentada.
O time americano que o Brasil bateu naquela competição (87-84) contava com Jennifer Azzi, Teresa Edwards, Andrea Lloyd, Venus Lacey, Katrina McClain e Lynette Woodard, entre outras. Nenhuma delas estava estreando na seleção americana, como se tornou comum nas edições seguintes.
A seleção cubana que Paula, Hortência & Cia bateram por duas vezes em Havana (90-87 e 97 x 76) havia sido bronze no Mundial da Malásia (1990) e ficou com o quarto lugar em Barcelona (1992).
[Adriana Aparecida dos Santos (12), Ana Lúcia Mota (7), Hortência de Fátima Marcari (133), Janeth dos Santos Arcain (87), Joycenara Baptista (7), Maria Paula Gonçalves da Silva (110), Marta de Souza Sobral (92), Nádia Bento Lima (24), Roseli do Carmo Gustavo (5), Ruth Roberta de Souza (23), Simone Pontello (9) e Vânia Hernandes de Souza (9). Técnica: Maria Helena Cardoso]
E – por incrível que pareça e por mais que seja ‘exaltado’ o baixo nível técnico da competição – nunca mais o Brasil foi ouro na disputa.
Em Mar del Plata -1995, a competição foi cancelada por falta de interessados.
Nas três próximas edições, o técnico Antônio Carlos Barbosa comandou o time e acumulou fracassos.
Em Winnipeg-1999, o time esteve irregular como sempre sob o comando do treinador. Conseguiu superar Cuba na estreia (84-78), as dominicas a seguir (124-68) , o Canadá no terceiro jogo (70-59) e ainda os EUA (77-72, no site da CBB, consta derrota por 70-72), e jogou muito mal em mais uma vitória sobre as argentinas (67-65). Na semifinal, uma cesta de Tammy Sutton-Brown (então uma menina de 21 anos) definiu a vitória das canadenses. Na decisão do bronze, a seleção americana não tomou conhecimento e voou (85-59).
Naquela equipe americana, o nomes de maior destaque foram Michelle Marciniak (na época com já 25 anos) e Edwina Brown (21). As duas e suas dez companheiras naquele Pan não voltaram a disputar competições pela seleção americana. Uma das atletas, Danielle Monique McCulley teve passagem discreta por Americana em 2004.
Outro fato que marca a competição foi a contusão de Leila Sobral, que gerou um pôlemico processo judicial contra o COB e afastou a atleta da seleção por cinco anos.
[Adriana Aparecida dos Santos (99), Adriana Moisés Pinto "Adrianinha" (40), Cíntia Regina dos Santos Luz (77), Helen Cristina dos Santos Luz (115), Ilisaine Karen David "Zaine" (11), Kelly da Silva Santos (63), Leila de Souza Sobral (66), Lilian Cristina Lopes Gonçalves Lopes (22), Patrícia Mara Silva (21), Rosângela Aparecida Pereira (0) e Roseli do Carmo Gustavo (21)]
Quatro anos depois, na República Dominicana, o time se comportou de maneira semelhente.Na primeira fase, bateu Canadá (62x53), Argentina (86-43), perdeu dos EUA (77x64). Depois venceu as donas-da-casa (102-44) Cuba (79x70). Na semifinal, nova derrota para a seleção americana (75x69), num jogo com prorrogação e marcado por um lance polêmico em que a mesa anotou dois pontos a mais para as americanas.
Na decisão do bronze, o Brasil superou o Canadá (55x46) em um jogo muito ruim, no qual –se a memória não me trai – algumas bolas de três de Lilian ajudaram bastante.
Logo após o Pan, Silvinha Luz pediu afastamento da seleção. O astral era péssimo com o degaste com Barbosa, o afastamento de Laís Elena (assistente na época e que não foi a Santo Domingo alegando “medo de avião) e o grupo enfrentaria um Pré-Olímpico em um mês.
Felizmente, o retorno do assistente Paulo Bassul (ocupado durante o Pan com a seleção sub-21, que conquistava a prata no Mundial) e as incorporações de Janeth, Leila e Iziane mudaram o rumo.
O time americano daquela vez tinha como destaque Rebekkah Brunson, então em início de carreira, com 21 anos, idade média do time. Brunson e as demais onze atletas que perderam o ouro para a Cuba não voltaram à seleção americana em torneios oficiais.
[Adriana Moisés Pinto "Adrianinha" (82pts), Alessandra Santos Oliveira (80), Cíntia Silva dos Santos “Cíntia Tuiú” (67), Jacqueline Godoy (15), Jucimara Evangelista Dantas “Mamá” (9), Kelly da Silva Santos (45), Lilian Cristina Lopes Gonçalves (46), Micaela Martins Jacintho (61), Renata Santos Oliveira (9), Silvia Andrea dos Santos Luz “Silvinha” (67), Soeli Garvão Zakrzeski “Ega” (8) e Vivian Cristina Lopes (30)]
Em 2007, no Rio, havia a expectativa do ouro na despedida de Janeth. Depois de vitórias sobre Jamaica (81-69), México (88-44), Canadá (77-63) e de eliminar Cuba nas semifinais (79-60), o time caiu na decisão contra as americanas (79 a 66 – no site da CBB, registrado como 69-66).
O time americano que esteve no Brasil era muito jovem. O destaque foi Angel McCoughtry (na época, com 20 anos). Do grupo, Angel mais a pivô Jayne Appel (19) já estiveram em ação no último Mundial Adulto.
[Adriana Moisés Pinto "Adrianinha" (72pts), Graziane de Jesus Coelho (4), Ísis de Melo Nascimento (2), Janeth dos Santos Arcain (86), Jucimara Evangelista Dantas “Mamá” (14), Karen Gustavo Rocha (21), Kelly da Silva Santos (57), Micaela Martins Jacintho (87), Palmira Cristina Marçal (7), Patrícia de Oliveira Ferreira “Chuca” (0), Soeli Garvão Zakrzeski “Ega” (29) e Tatiana Castro Conceição (12)]
Daqui a duas horas, a seleção feminina começa a escrever um novo capítulo dessa história na semifinal contra Porto Rico. Dessa vez, os rivais dos últimos vinte anos (Cuba, Canadá e EUA) não estarão mais presentes.
O significado de um possível ouro aqui, bem como o real valor dessa equipe americana (que patinou escandalosamente na competição) só entenderemos em alguns anos.
Enquanto isso, que as meninas corram atrás desse ouro!
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Pan 91: o dia em que Fidel se rendeu ao basquete brasileiro (Terra)
Os Jogos Pan-Americanos de 1991, em Havana (Cuba), marcaram o início de uma trajetória cheia de conquistas e revelações no basquete feminino brasileiro. Com nomes que perduram até hoje, como Paula, Janeth e Hortência, o Brasil bateu as donas da casa na final por 97 a 76 e levou o ouro. As jogadoras, inclusive, receberam as medalhas das mãos do presidente Fidel Castro, que saiu da sua área VIP.
Durante a entrega, Fidel ainda brincou com Hortência e Paula, falando para as duas que elas tinham trapaceado e deviam estar com uma "mira-laser" na mão, pois não erravam os alvos. A cena se mantém como um dos momentos marcantes da participação brasileira em Pan-Americanos e também na carreira dessas jogadoras.
Tanto Paula, quanto Janeth e Hortência concordam que o título em 1991 não foi o mais importante daquela Seleção, mas representou o início de uma década vitoriosa do basquete feminino brasileiro. A partir desse título, a equipe conquistou o Mundial em 1994, foi medalha de prata em Atlanta 1996 e bronze em Sidney 2000. Veja entrevista com três ícones da modalidade:
Terra - Como foi o percurso até chegar ao Pan de 1991?
Hortência - A nossa conquista em 1991, na verdade foi o resultado de uma trajetória do basquete feminino que começou em 1979, no Pan de San Juan, quando a equipe brasileira conquistou o quarto lugar. Em Caracas, 1983, conquistamos o bronze e em Indianápolis, 1987, a prata.
Paula - Em alguns momentos queríamos desistir, mas seguimos em frente e acreditávamos que chegaríamos lá. O entrosamento da equipe foi muito importante nessa conquista. Eu olhava para a Hortência em quadra e já sabia o que ela queria (as duas jogaram juntas pela Seleção por 22 anos).
Terra - O que o Pan de 1991 representou para vocês?
Hortência - Ali foi a grande ascensão do basquete feminino, onde demos a grande alavancada. Foi o grande momento nosso, em que adquirimos bastante experiência e confiança e quebramos a hegemonia dos EUA.
Paula - A partir desse título, a Seleção feminina conquistou o Mundial em 1994, medalha de prata em Atlanta 1996 e bronze em Sidney 2000.
Terra - Como foi ter recebido a medalha das mãos de Fidel?
Paula - Foi bacana ter visto Fidel, que foi jogador de basquete, torcendo por Cuba, mas entregando a medalha de campeã para gente.
Janeth - O fato de ter recebido a medalha de um ícone da política mundial foi muito marcante e bom, porque ficamos lembrando o momento em que aconteceu. Não imaginava que ele ia descer da arquibancada da área VIP, e quando isso aconteceu me senti privilegiada.
Terra - Que dica a geração de vocês têm a dar para a equipe que começa agora nas quadras?
Janeth - É importante dedicação, atenção nos detalhes e acreditar nos sonhos. É o que eu sempre digo.
Fonte: Terra
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Conquista do Pan completa vinte anos
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Hortência e Paula lembram dia em que Fidel se "rendeu" à dupla
Carol Almeida
Nos Jogos Pan-Americanos de 1991, em Havana, a SeleçãoBrasileira feminina de basquete tinha feito uma campanha espetacular na competição quando chegou à final contra as donas da casa. Depois de bater rivais históricos como Argentina, Canadá, Cuba e Estados Unidos, a equipe brasileira voltava a enfrentar as cubanas na decisão. A torcida contava até com o presidente Fidel Castro.
O primeiro tempo da partida terminou empatado, mas a Seleção Brasileira foi superior e conquistou o título com o placar 97 a 76. No meio da euforia brasileira durante o recebimento das medalhas, Fidel Castro saiu da sua área VIP, foi até as jogadoras brasileiras, entregou a elas as medalhas e ainda comentou com Hortência e Paula, que as jogadoras tinham trapaceado e deviam estar com uma "mira-laser" na mão, por não errar os alvos.
Esse é um dos momentos marcantes da participação brasileira nos Jogos Pan-Americanos. As jogadoras destaques daquela Seleção, Paula, Hortência e Janeth, mantém a cena na lembrança, que para todas elas representou o início de uma década vitoriosa do basquete feminino brasileiro.
"Foi bacana ter visto Fidel, que foi jogador de basquete, torcendo por Cuba, mas entregando a medalha de campeã para gente", disse Paula. Janeth falou que se sentiu privilegiada de receber as medalhas da mão do presidente. "Não imaginava que ele ia descer da arquibancada da área VIP para entregar as medalhas para nós". Hortência contou que quando ele foi falar com a jogadora, a única resposta foi um "obrigada". "Estávamos muito emocionadas e querendo comemorar".
Para Hortência, a conquista foi muito significativa ainda mais porque representou o resultado de uma trajetória do basquete feminino que começou em 79, no Pan de San Juan, quando a equipe brasileira conquistou o quarto lugar. Nas competições seguintes, o Brasil foi subindo os degraus do pódio: em Caracas (1983) conquistou o bronze e em Indianápolis (1987) foi prata. A partir desse título, a Seleção feminina conquistou o Mundial em 1994, a medalha de prata em Atlanta 1996 e obronze em Sidney 2000.
"Ali foi a grande ascensão do basquete feminino, onde demos a grande alavancada. Foi o grande momento nosso em que adquirimos bastante experiência e confiança e quebramos a hegemonia dos EUA", ressaltou Hortência.
A jogadora Paula, que mais tarde ficaria conhecida por "Magic" Paula, falou que o percurso até a conquista dos títulos foi longa, mas valeu a pena. "Em alguns momentos queríamos desistir, mas seguimos em frente e acreditávamos que chegaríamos lá", contou.
Ela ressaltou que o entrosamento dentro da equipe foi essencial para o amadurecimento da Seleção. "Olhava para a Hortência em quadra e já sabia o que ela queria". As duas jogaram juntas pela Seleção por 22 anos.
Para Janeth, esse foi um dos títulos mais importantes, logo no começo da carreira. Como dica para as jogadoras que começam agora no basquete, a jogadora procura passar a mensagem de dedicação, atenção nos detalhes e acreditar nos sonhos. "É o que eu sempre digo para elas", comentou a atleta, hoje treinadora da Seleção Sub-16 e confiante que a nova geração vai colher muitos resultados.
Fonte: Jornal do Brasil
terça-feira, 19 de abril de 2011
sábado, 6 de fevereiro de 2010
As boas recordações de Magic Paula em Lima e Havana
A fantástica Magic Paula voltou essa semana à rotina de trabalho no Centro Olímpico, em São Paulo.
Paula passou a última semana em Cuba, para onde viajou a convite da empresa farmacêutica Roche, que lhe contratou para uma palestra na sua convenção anual.
Depois da palestra, Paula passou alguns dias em Havana, cidade de excelentes recordações para a armadora, já que marca o início da melhor fase do basquete feminino nacional, com a conquista do Pan-Americano (1991).
As boas recordações, no entanto, já haviam iniciado antes de chegar a Havana.
O vôo de Magic parou em Lima, no Peru, onde a menina Paula, aos 15 anos, fez sua estreia na seleção brasileira adulta.
Lá, em 1977, foi disputado o 16º Campeonato Sul-Americano Feminino.
Paula era a jogadora mais jovem da competição, que foi disputada em uma arena de touros.
Naquela competição, Paula já conquistou uma vaga de titular na seleção, que treinada por Antônio Carlos Barbosa, tinha ainda a também estreante Hortência, mais Vânia Teixeira, Cristina Punko, Giselda Durigan, Márcia Perecin, Maria Teresa Boscariol, Maria Tereza de Jesus Camilo, Marina Elisabeth Jurado, Sandra Pizzocaro, Suzete Pereira da Silva e Thelma de Nazareth de Pina Guimarães.
O Brasil perdeu apenas um jogo na competição, justamente para as donas-da-casa (86-81) e ficou com a prata.
E por falar em Magic Paula, há uma boa novidade para os que, como eu, ficaram órfãos quando ela abandonou seu ótimo blog no bloglog.com. A eterna armadora ensaia suas primeiras ‘tuitadas’ no @MagicPaula.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Conquista do Pan completa maioridade
Nem parece que faz tanto tempo assim.
Mas em 11 de agosto de 1991, um domingo de Dia dos Pais, o Brasil bateu Cuba dentro de casa por 97 a 76 e ficou com a medalha de ouro dos Jogos Pan-Americanos de Havana.
Aos doze anos, essa foi a primeira partida de basquete que vi na vida e deixou marcas que mesmo esses dezoito anos não conseguiram apagar.
O vídeo acima da Globo.com resgata alguns desses belos momentos que não fogem da minha memória.