Sempre que se mencionam os problemas do basquete feminino e a queda de produção da seleção nos últimos anos, fala-se em “aumentar o número de jogadoras convocáveis para a seleção”.
Sim. Certamente é uma grande e urgente necessidade. É até um paradoxo que um país tenha obtido resultados internacionais tão expressivos com um número tão reduzido de praticantes da modalidade.
Para alcançar esse objetivo, o caminho é longo: precisamos atrair mais crianças para o basquete, aumentar os núcleos de formação, investir na preparação de técnicos etc e tal. Assim, quem sabe começássemos bem optando por ao menos cuidar bem das atletas já formadas?
No ínicio da temporada, Fabianna Manfredi (26 anos) e Ana Flávia Sackis, a Passarinho, 25 anos, as melhores armadoras de sua geração (e vice-campeãs mundiais sub-21 em 2003), abandonaram precocemente as quadras.
Se olharmos para as mais jovens, o quadro é igualmente trágico.
Da última seleção sub-21, encontram-se fora do basquete de alto nível: a armadora Ivana e a pivô Tatiane Balbino.
A maioria pulula de time em time em busca de uma oportunidade de confirmar o talento que gerou tal convocação. Assim tem sido a rotina de Izabela (que encara uma afirmação difícil em Catanduva, após passagem em Ourinhos), Jaqueline ( que já passou por Jundiaí, Sport e Catanduva), Joice (atualmente em Guarulhos e que já esteve até na Polônia), Roberta e Priscila (ambas em Guarulhos, após estourar o limite de idade em São Caetano) e Djane e Júlia (atualmente em São Caetano, verdadeiras andarilhas do esporte).
Já confirmada na adulta, Franciele busca a afirmação em solo espanhol. Mas e Clarissa? Depois de uma excelente temporada em Portugal, haverá mercado para a pivô no Brasil?
O fenômeno já chegou até a última seleção juvenil, cuja armadora titular (Ariani) e a pivô reserva Danila seguem inativas, após deixarem Catanduva e Ourinhos, respectivamente.
Para não falar nas meninas de Jundiaí, campeãs paulistas, que viram frustrado o plano de o time disputar o Paulista Adulto. O que será que andam fazendo as jogadoras?
É complicado esperar que meninas na casa dos 20 anos consigam fazer uma transição adequada para o adulto intercalando períodos de inatividade, com mudanças de times, técnicos e cidades a cada semestre.
Nesse momento de muitos planos, reuniões, encontros e metas, acho fundamental repensar o tratamento dessas meninas.
Vamos continuar a apostar nas veteranas que decepcionaram em Pequim?
Ou vamos riscar do mapa essa geração e pensar na próxima?
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