O sonho de qualquer jovem esportista é, sem dúvida, defender a camisa da seleção de seu país. E, para algumas promessas, este sonho já começou. É o caso da ala Joice dos Santos Coelho, de 17 anos, que foi convocada pela primeira vez para treinar com a equipe nacional da categoria Sub-18 de basquete feminino. Carioca, nascida em Cachoeiras de Macacu, cidade próxima a Nova Friburgo, Joice aproveitou as chances que teimaram em aparecer em seu caminho, há três anos.
A garota, que jogava futebol, não queria saber de basquete. "Eu não gostava, mas tinha um professor de educação física que ficava me chamando para jogar. Um dia, de tanto ele falar, eu fui no treino, mas eu não gostei. No dia seguinte, fui de novo e não parei mais", conta. O primeiro contato com o basquete aconteceu aos 13 anos na Associação de Basquetebol Cachoeirense (Abasca), onde ficou por dois anos.
Neste período, Joice foi convocada para a seleção carioca sub-15, onde conquistou o terceiro lugar no Campeonato Brasileiro da categoria. "Foi lá no Rio Grande do Sul e o Alexandre Escame (técnico) me viu jogar e me chamou para ir jogar no APAB/Barretos", relata. Da região serrana do Rio de Janeiro, Joice veio para o interior paulista com 16 anos, sozinha, em busca de um sonho.
"Minha mãe apoiou minha decisão. Ela sabia que eu queria vir e pensou no meu futuro", explica. Em Barretos, a ala foi campeã no Campeonato Paulista da categoria Infanto e convocada para integrar a seleção paulista, também campeã em 2009.
Família - A jogadora perdeu o pai aos cinco anos de idade. A mãe, a irmã, de 21 anos, e o e irmão, de 15 anos, ainda vivem em Cachoeiras do Macacu, onde Joice volta apenas duas vezes por ano, durante as férias. Segundo a jogadora a saudade é grande. "Sempre falo com minha mãe por telefone. Mas isto é que eu quero: representar o Brasil", comenta.
Com todas as chances que tem aparecido, a expectativa é fazer carreira como jogadora de basquete e ajudar a família. "Minha mãe é diarista, mas ela não está trabalhando. O dinheiro que eu recebo no Barretos eu mando para ela", diz a jovem. Questionada se um dia pretende trazer a família para mais perto, ela é enfática. "Não. Vou ajudá-los, mas quero que eles fiquem lá, porque eu gosto muito da cidade."
CÍNTIA FLORES
Seleção treina para o Sul-Americano
A seleção brasileira de basquete feminino sub-18 treina há mais de uma semana em Jundiaí, se preparando para os Jogos Sul-Americanos, que serão realizados em Medelín, na Colômbia, entre os dias 20 e 24 deste mês. Segundo o técnico da equipe, Luiz Claudio Tarallo, o campeonato é difícil e o Brasil deve enfrentar seleções como o Chile, Paraguai e Argentina.
"O Sul-Americano é muito difícil, mas vamos fazer de tudo para vencer. Esse campeonato nos serve para preparar melhor o time que vai para o Pré-Mundial, que acontece em junho, nos Estados Unidos." A seleção segue o treinamento em Jundiaí até o dia 16, trabalhando de segunda a sábado.
"Faz cinco anos que eu trago a seleção para cá. Aqui temos estrutura e o apoio da Secretaria de Esportes. É importante também para promover a cidade, que tem tradição no basquete", conta.
Por enquanto, a seleção conta com 16 meninas, mas somente 12 irão para a Colômbia. "A gente traz mais meninas para conhecer o trabalho delas. Não podemos descartar lesões. Na seleção, é preciso pensar no futuro, no momento de cada uma. É difícil cortar nomes, mas temos que fazer", comenta.
Rainha Hortência volta a Jundiaí
Após confirmar a contratação do técnico espanhol Carlos Colinas, anteontem, para a seleção feminina adulta, a diretora do departamento feminino da CBB (Confederação Brasileira de Basquete), Hortência Marcari, esteve em Jundiaí. Ontem pela manhã, ela visitou a seleção brasileira feminina sub18, que está hospedada no Hotel São Carlos, na Colônia. A equipe é comanda pelo jundiaiense Luiz Cláudio Tarallo.
"Guardo boas lembranças de Jundiaí. Lembranças de rivalidade com o Colégio Divino Salvador. Jogos com ginásio lotado. Eu lembro muito bem do Bolão e como era difícil jogar aqui", disse Hortência. "Gosto de Jundiaí porque o povo daqui sempre respirou basquete e respeitou o esporte. Além disso, tem o Divino que faz um papel importantíssimo na categoria de base.
O Tarallo é daqui e a gente sabe do trabalho que ele faz." Hortência fez uma revelação que pouca gente sabe. Foi Jundiaí a primeira cidade que teve a honra de ver nascer a "rivalidade" com a armadora Paula. "Dentro de quadra, minha grande rival foi a Paula e a primeira vez que encontrei ela em um jogo foi em Jundiaí. Tínhamos 15 anos. A rivalidade nasceu aqui."
Revelar talentos - Antes de vir para Jundiaí, Hortência passou em Santa Bárbara d'Oeste para visitar a seleção sub15 comandada por Janeth, sua ex-companheira da seleção. "Quando assumi o cargo na CBB a grande meta era revelar novos talentos. Perdemos muito tempo e a gente precisa de jogadoras de talento. Nos últimos tempo, se revelou pouco.
Quando a Janeth assumiu a equipe sub15, ela viajou todo o Brasil e acompanhou vários campeonatos." Para revelar novos talentos, Hortência quer as atletas encarando adversários fortes desde cedo. "Vamos fazer vários intercâmbios. O sub16 vai para os Estados Unidos, o sub18 também. Não importa os resultados, quero as meninas jogando contra grandes forças para pegarem 'cancha'", afirmou.
Sub18 - A seleção brasileira sub18 feminina segue treinando em ritmo forte em Jundiaí para a Copa América da categoria, que será realizada em Colorado Springs, nos Estados Unidos, de 23 a 27 de junho. A competição é classificatória para o Campeonato Mundial Sub-19 de 2011.
A primeira fase de treinos aconteceu entre os dias 20 e 28 de fevereiro e, ontem, as meninas se apresentaram novamente para dar continuidade à preparação da equipe. Antes da Copa América, o time do técnico Luiz Cláudio Tarallo disputará os Jogos Sul-Americanos, que acontecem na cidade colombiana de Medellín.
"A Copa América é muito importante porque classifica para o Mundial. Por isso vamos para Medellín e também faremos seis jogos contra os Estados Unidos. Nosso trabalho é a médio, longo prazo. Elas tem toda estrutura por trás, agora é ter espírito dentro de quadra", confirmou Hortência.
FABIO MANZINI
Hortência diz que mudança era necessária
A escolha do espanhol Carlos Colinas para ser treinador da seleção brasileira feminina adulta no lugar de Paulo Bassul não agradou aos brasileiros. Hortência revelou que não liga para as polêmicas. "Ninguém agrada a todos. Tinha a necessidade de mudar. É um técnico jovem que vive na Europa e que conhece as jogadoras brasileiras. Além disso, nosso principal jogo no Mundial será contra a Espanha.
Não tenho medo de ousar, de dar a cara para bater. É preciso ter coragem para mudar e alguma coisa precisava acontecer", afirmou a rainha. Colinas vai comandar o Brasil no Campeonato Mundial deste ano, a ser disputado na República Checa a partir de setembro. "O estilo europeu é mais difícil de jogar, é um jogo mais cadenciado com uma defesa forte. É importante agregar com o estilo nosso.
Essa mudança estimula os novos técnicos porque também não há renovação de treinadores." Assim que oficializou Colinas como técnico, Hortência revelou ter enviado email para as jogadoras da seleção brasileira. "Falei da importância delas apoiarem o treinador e todas responderam positivamente. Nunca houve esta aproximação entre diretoria e jogadoras."
Fonte: Jornal de Jundiaí