O Paulo Sérgio, que acompanha o basquete europeu e frequenta as caixinhas de comentário aqui no blog, nos brinda com uma bela análise da final de hoje. Confiram.
Assim como ocorreu em 2001, França e Rússia decidiram o título do Campeonato Europeu de seleções de 2009. E, novamente, deu França.
Embora a Rússia tenha tido a terceira melhor defesa e o ataque mais bem distribuído da competição (4 jogadoras com média igual ou superior a 10 pontos por jogo), a equipe não mostrou a mesma força apresentada em competições passadas.
Alguns fatores podem ter contribuído para essa queda no nível do basquete russo: a troca de técnico, a falta de outra armadora mais experiente (lembrando que Oxana Rakmatulina, titular em 2007 e cestinha russa na vitória histórica sobre a seleção dos Estados Unidos no Campeonato Mundial de 2006, não foi convocada e Becky Hammon só chegou nas quartas de final), a contusão de uma de suas principais titulares, Tatiana Schegoleva, ou mesmo, o baixo nível técnico da competição.
Mesmo a França, campeã invicta, não mostrou muita superioridade em relação aos seus adversários. Ganhou por placar apertado 7 de seus 9 jogos.
O que levou a França ao título? Provavelmente o talento de Sandrine Gruda, uma forte defesa, e a frieza nos momentos decisivos.
A pivô Sandrine Gruda foi uma das melhores, senão a melhor jogadora da competição. Aliás, as melhores jogadoras francesas da atualidade são as que jogam no garrafão e na armação.
Edwige Lawson, armadora experiente e uma das melhores da Europa, não veio ao campeonato europeu, não se sabe se porque não foi convocada, ou se preferiu disputar a WNBA, onde joga apenas alguns minutos por partida. A armação da seleção francesa ficou nas mãos de outra excelente jogadora, Celine Dumerc.
Nas laterais, a França já não tem o talento de outrora.
Emilie Gomis, mesmo sendo reserva da seleção francesa no Mundial de 2006, foi a segunda cestinha da equipe naquela competição. Nesse europeu, ela se mostrou uma jogadora instável, capaz de marcar 11 pontos com 100% de aproveitamento contra Israel e zerar contra a Grécia. Aliás, já faz algum tempo que seu basquete mostra oscilação. Na última temporada, depois de jogar a primeira fase da Euroliga pela equipe do Fenerbace da Turquia, com bom desempenho, foi para a Itália, jogar pelo Napoli, onde alcançou a média baixíssima de 5.8 pontos por partida.
A outra ala titular, Cathy Melain, já não é mais a cestinha nem a jogadora decisiva de outros tempos. Contudo, ainda marca muito bem e dá muitas assistências. Além, é claro, de dar estabilidade emocional à equipe nos momentos decisivos.
Com a vitória da França, o Campeonato Europeu prova que nem sempre uma equipe precisa estar “recheada” de estrelas para ser campeã. O mais importante é ter uma “cara”, um estilo de jogo determinado, uma defesa forte, um ataque que aproveite os seus pontos fortes e os pontos fracos do adversário e, principalmente, equilíbrio emocional nos momentos decisivos. Coisas que faltaram à seleção brasileira nas derrotas para Coréia do Sul, Letônia e Rússia na última Olimpíada.
Paulo Sérgio





