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sábado, 3 de dezembro de 2011

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Prudentina x Minercal

Peço desculpas a quem não gosta, mas pareço estar entrando numa fase “revisionista”, já que o presente do basquete feminino me decepciona e me interessa pouco. Estou focado em registrar o passado (esquecido por muitos e ignorado por outros) e em observar novos talentos que possam construir um futuro mais interessante para a modalidade. Então, paciência porque está vindo muita ‘velharia’ por aí…

Anteontem reproduzi uma reportagem de 1984 (Magic Paula na Minercal) aqui no blog e estava à procura de respostas sobre um momento do basquete que eu não vivi.

Com ajuda da Wilkipedia (confira o link aqui), descobri que aquela edição do Sul-Americano de Clubes foi vencida pela Prudentina, de Hortência.

A informação me foi confirmada pelo técnico Antônio Carlos Vendramini, técnico da equipe campeã. Diz ele:

“Em 84,  a Paula reforçou a Minercal para o Sul-Americano, sediado em Sorocaba. Vencemos com a Prudentina e de Sorocaba fomos direto (de ônibus) para Porto Alegre, onde vencemos a Copa Brasil.”

O técnico da equipe da Minercal era Waldyr Pagan e Sérgio Maroneze era seu assistente.

Novamente o Renato me surpreendeu com outro documento inusitado. Trata-se de um registro da história da Prudentina no basquete, redigido no calor do momento da saída de Hortência do time, em que os dirigentes destilam toda a sua mágoa com a cestinha:

imagemhortenciaprudentina1

Uma história de glórias

O tablóide especial resume assim a trajetória da Prudentina, nos 61 anos de fundação: "O que era apenas uma equipe de basquete masculino tornou-se o maior clube esportivo do Estado de São Paulo. A Apea nasceu em 1936, e 26 de outubro daquele ano, foi seu primeiro dia de vida. Depois disso, o clube foi crescendo e acumulando títulos conseguidos em diversas competições. Mantendo sempre uma equipe de basquete, o clube foi campeão de uma série de jogos ao longo desses 61 anos. Se fossem juntadas todas as equipes que passaram pela Apea durante esse tem po, estariam reunidas as maiores estrelas do esporte no país e até algumas internacionais.

Fizeram parte da equipe de basquete da Apea, jogadoras como Hortência, Tuty, Solange, Jussara e até a norte-americana Beverly. O clube foi o primeiro a trazer uma estrangeira para jogar no país.

Em 1985, a extinção do basquetebol

Como foi explicado, o basquete se destacava entre as modalidades esportivas da Prudentina. A escolinha que já dava os primeiros passos em 1936, ganhou ascensão, depois desapareceu, para voltar com expressiva estrutura em 1982. A equipe feminina despontava, tornou-se muito competitiva e nesse ano, consagrou-se ao vencer o campeonato paulista.

Foi campeã desse certame também em 1983. Foi ainda em 1983, que o time recebeu força total, com as contratações de Hortência e da norte-americana Beverly. O time venceu os campeonatos Sul-Americano de Basquetebol de 1983 e 1984. Em 84, conquistou mais o Troféu Imprensa. Paralelamente, ganhou os jogos regionais e abertos de 1982, 1983 e 1984.

A consagração definitiva e com reconhecimento em todo o mundo, veio em junho de 1984. A Prudentina foi vice-campeã da Copa W. Jones, realizada em Taipé, China. O primeiro lugar ficou com a Seleção Olímpica, dos Estados Unidos. O terceiro com a Seleção da Itália. O quarto lugar, com a Seleção do Canadá.

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Só a equipe da Prudentina era de um clube social. As demais vencedoras, eram seleções de seus países. Formação básica da Apea: Hortência, Beverly, Solange, Neca, Rosemary, Vanira, Cristina, Vânia, Eronides e Fátima. Técnico, Antônio Carlos Vendramini. Dirigente, Antônio de Figueiredo Feitosa. Chefe da delegação que foi a Taipé, Antônio Martinho Fernandes. Médico, Ramon Canno Garcia.

Projeção máxima da Apea e de Presidente Prudente, decorrente de um basquetebol extraordinário. O que, entretanto, não duraria muito, a partir daquela célebre ascensão do basquetebol. Transformadas em mitos, algumas atletas começaram a interessar a outras equipes e Hortência, tratada como rainha no clube e na cidade, foi a primeira a tornar-se dissidente. Passou a exigir dinheiro em excesso, diante das propostas recebidas, por exemplo, da Minercal, de Sorocaba.

Na reunião da diretoria, em março de 1985, o começo do drama. Antônio Martinho Fernandes telefonou de São paulo, para onde tinha viajado junto com Antônio Macca, informando que segundo Hortência, ela havia recebido da Minercal, proposta de assinatura de um contrato de Cr$ 100 milhões de luvas e Cr$ 10 milhões por mês. Somente por valores iguais, continuaria jogando na Prudentina.

Martinho (Nico) se mostrava aborrecido, porque Hortência se comprometera a aguardar até 10 de abril, data em que a futura diretoria da Apea seria empossada e decidiria as normas do novo contrato. Mas Hortência se antecipou aos fatos, sem levar em conta o tratamento dado a ela em Presidente Prudente, incluindo o favorecimento da compra de um automóvel a preço de custo e com o número 4 na placa, conforme exigência da atleta.

Os dois enviados da Prudentina a São Paulo, oferceram a Hortência, luvas de Cr$ 50 milhões e salário mensal de Cr$ 8,5 milhões. Ela achou pouco. A diretoria executiva liderada por Aloysio Dias Campos, considerava impossível concordar com a proposta da jogadora, que deveria ser no mínimo igual a da Minercal, da cidade de Sorocaba. Ainda porque os gastos com o último campeonato, se aproximaram dos Cr$ 70 milhões, recursos obtidos extra-clube, ou seja, com a ajuda do comércio, indústria e outros segmentos de Presidente Prudente.

Feliciano Ribeiro, que substituiria Aloysio Dias Campos na presidência da Apea, a partir de 10 de abril, opinava que somente com um grande time, o clube deveria participar de outros certames oficiais. O assunto voltou a ser tratado em nova assembléia, dia 9 de março de 1985, pelos diretores Adalberto Lopes Pereira, Antônio

de Figueiredo Feitosa, Antônio Martinho Fernandes, Antônio Plácido Pereira, Armando

Ruiz, Deodato da Silva, Faradei Bôscoli, Laert Bueno Júnior, Laudério Leonardo Botigelli, Luiz Reina, Paulo Alberto Martinez, Pedro de Almeida Nogueira, Casemiro Acilon de Alencar, Antônio Macca, Aloysio Dias Campos (que presidiu a reunião), e o futuro presidente, Feliciano Ribeiro.imagemprudentina3

Aloysio logo disse entender que não seria lícito renovar o contrato de Hortência, à sua maneira, e deixar a dívida para a diretoria seguinte. Na sequência das discussões Hortência-Minercal, ficou acertado que a atleta ganharia Cr$ 100 milhões de luvas, Cr$ 10 milhões de salários nos primeiros seis meses do contrato e após esse período, Cr$ 15 milhões por mês, não aceitando os Cr$ 50 milhões de luvas e Cr$ 8,5 milhões mensais oferecidos pela Prudentina. Deixaria a equipe que a consagrou. Jogar em Sorocaba tinha mais um sabor para Hortência. Estaria próxima do atleta Maurício, do voleibol da Pirelli, com quem pensava casar-se.

Na mesma assembléia, Antônio de Figueiredo Feitosa contou que havia feito as primeiras tentativas de entendimento com Hortência, frustrou-se e transferiu a missão para os colegas de diretoria, Antônio Martinho Fernandes e Antônio Macca.

A atleta continuou irredutível, frente ainda a propostas ouvidas das equipes do Santa Maria, de São Bernardo do Campo e da Pirelli, de São Caetano do Sul, todas elas vantajosas, mesmo não chegando ao nível da Minercal. O diretor Laudério Leonardo Botigelli chegou a sugerir pagar salário de Cr$ 20 a Cr$ 25 milhões a jogadora, através de patrocínios e compatibilidade de caixa, dispensando-se as luvas. Só que isso se consolidaria, se Hortência comparecesse à Prudentina até quarta-feira da semana seguinte, o que lhe foi comunicado por meio de carta com aviso de recebimento. Ao ser empossado na presidência da Apea, Feliciano Ribeiro encontrou o impasse sem solução, porém uma imensa vontade de resolvê-lo. E não houve saída diferente. A equipe continuou jogando basquetebol, inclusive com participação da norte-americana Beverly.

Sobreviveu até aquele ano de 1985, o da dissidência irredutível de Hortência, que a Prudentina transformou em "rainha". As atenções maiores ficaram com a parte social e o clube registrou novas fases de crescimento, continuando a projetar-se além das fronteiras do país.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Mais lembranças da Prudentina vice-campeã mundial

O técnico Antônio Carlos Vendramini, ao ver ontem o registro do vice-campeonato mundial da Prudentina em 1985, me enviou fotos daquela campanha.

Confiram:

Prudentina - China 001

Em pé: Preto (massagista), Feitosa (delegado), Nico (chefe da delegação), Dr. Ramon (médico), Vendramini (técnico) e Pedrinho ( preparador físico).
Sentadas: Eronides, Neca, Vanira, Solange, Rose, Fátima, Hortencia, Tute, Vânia e Beverly.

Prudentina-China004-1 Prudentina-China002 Prudentina-China003 Prudentina-China004

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O dia em que Hortência passou a bola por baixo das pernas de Cheryl Miller

Meu amigo Renato localizou esse texto no Blog do André César, sobre uma conquista da Prudentina em 1985, que eu desconhecia.

Reproduzo o post abaixo na íntegra:

HÁ 25 ANOS O BASQUETE DA PRUDENTINA ERA VICE-CAMPEÃO MUNDIAL

prudentina Há exatos 25 anos a equipe de basquete feminino da Prudentina colocou Presidente Prudente no mapa do esporte. A conquista do vice-campeonato mundial em Taipei, na China, consagrou o time e protagonizou o maior título já conquistado pelo basquete brasileiro.

Antonio Martinho Fernandes, que faz questão de ser chamado de Nico, era o chefe da seleção e viajou juntamente com o time. Os 25 que se passaram não apagaram de sua lembrança os momentos de alegria e conta em detalhes e com orgulho sua participação nessa importante conquista. Pelo excelente desempenho da equipe nos campeonatos que participava, o clube foi convidado pela confederação chinesa a participar dos jogos mundiais, fato único em toda a história do basquete, um clube competindo com seleções de vários países. A confederação da China se comprometeu em pagar as passagens de Los Angeles até Taipei, mas mesmo assim a Prudentina não tinha dinheiro suficiente para arcar com as despesas até os Estados Unidos, além de manter o time em uma competição internacional.

A equipe foi para São Paulo de ônibus, mas sem a confirmação do embarque para a China. “A angústia tomou conta de todos nós, o silêncio era total no saguão do aeroporto” relembra Nico. A liberação do dinheiro só foi feita a menos de três horas do horário de embarque do voo, mas na condição do nome do patrocinador da época, o Instituto Brasileiro do Café, estar estampado na camisa durante seis jogos. Havia outro acordo em negociação aqui no Brasil, as Aveias Quaker, mas não foi confirmado até o início do mundial, mesmo sem a confirmação do patrocínio eles mandaram estampar o nome da Quaker no uniforme. Essa atitude chamou a atenção da empresa na China, onde também possuía uma filial, a repercussão entre os chineses foi imediata, garantindo uma verba de alto valor e a permissão para os funcionários da multinacional assistirem aos jogos em horário de serviço, todos vestidos com a camisa da Prudentina.

A equipe brasileira, pequena e desacreditada foi ganhando espaço na competição com suas vitórias consecutivas. “Os jogos do time lotavam os ginásios, nós fomos muito bem acolhidos pelos chineses”, diz Nico. Mas toda essa admiração tinha um nome: Hortência. “Era a cabeça do time, era o diferencial, nossa magrela”, relembra aos risos. A cada partida que terminava, uma legião de fãs cercava o ônibus que conduzia o time. Gritaria e tumulto, todos queriam tocar a estrela do mundial, aquela que passou a bola, planejadamente, por baixo das pernas de Cheryl Miller, a melhor jogadora do mundo na época, da seleção americana. “No intervalo ela me falou: ‘Nico fica olhando, vou passar a bola pelas pernas da Miller’. Ela conseguiu e o estádio foi a loucura”.

Nico lembra um fato inusitado. Precisavam de fotos 3x4 para colocar no passaporte, pois fariam uma parada de três dias nos Estados Unidos, mas não tinham moedas, necessárias para a foto ser tirada e nem sabiam como consegui-las. “Estamos Ferrados!”, disse Nico, foi quando ouviram: Brasileiros! Brasileiros! Era também um brasileiro que morava na China e acabara de perder a esposa em um acidente, deixando uma filha de sete meses. O brasileiro era Roberto, ex morador do bairro da Liberdade em São Paulo, ele virou intérprete da equipe prudentina durante todo o mundial e as jogadoras foram babás de sua filinha.A Prudentina venceu todos os jogos até a semifinal, mas na final enfrentou a temida seleção dos Estados Unidos, campeã olímpica. O jogo terminou 75x57 para os EUA e a equipe brasileira ficou com o vice-campeonato. “Muita emoção, muito mais do que esperávamos; o samba tomou conta do ginásio e fomos aplaudidos de pé”, conta Nico.

Marcos Tadeu, jornalista que na época cobria a área esportiva na rádio Comercial, diz que Prudentina fez a grande imprensa tocar a cidade, especialmente veículos de comunicação da capital. Dificilmente o ginásio da Apea ficava vazio em jogos do time. “A Hortência foi o "Pelé" do basquete feminino brasileiro”, afirma o jornalista. Era mais de 50% do time. Quando estava bem, tudo ficava bem. Enquanto ela esteve no clube, a Prudentina disputou três finais ganhando duas, 1982 e 1983 e vice em 1984. “Quando as meninas chegaram da China festejamos por uma semana”, conta Tadeu. A comemoração contou com carro do corpo de bombeiros levando a equipe, o povo parava para cumprimentá-los e teve até cerimônia de entrega de faixas. “A imprensa nacional mostrando o cotidiano das atletas e, claro, principalmente a Hortência”, diz.

Adorador do esporte, Agnaldo Freitas, 72 anos, foi torcedor da Prudentina desde a criação do time. Sua primeira paixão foi o futebol do clube, mas foi o basquete que o fez chorar de emoção. Acompanhava fielmente todos os jogos e quando possível os treinos também. Sentia-se orgulhoso do carinho que toda região possuía com o time. Para ele a vibração maior do campeonato foi a vitória da semifinal. “Na final o que se via não era tristeza pela perda do título, mas um sentimento de que as expectativas foram superadas”, lembra o torcedor.

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O relato da conquista me fez lembrar de um capítulo que ficou perdido na história do basquete nacional: os torneios internacionais interclubes.

Há algum tempo, era comum a disputa de torneios como esse de 1985 por equipes brasileiras. Era tradicional a participação ainda no Crystal Palace, em Londres.

Influenciada por essas experiências, Hortência trouxe para o Brasil tais eventos, em sociedade com seu então marido José Victor Oliva.

A partir de 1991, várias equipes passaram pelo Brasil. Vindas dos mais diversos lugares disputavam os “Mundiais Interclubes”, que contavam com transmissão pela Tv e ginásios lotados.

Tais torneios tiveram uma grande importância para o basquete e os aponto como fundamentais para o bom momento que o basquete viveu na década de 90, ao possibilitar intercâmbio de qualidade e alimentar a auto-estima de nossas jogadoras, que se viam capazes de derrotar adversárias contra quais a seleção penava.

Depois que Hortência se aposentou, ela ainda geriu duas edições do toneio: uma em 1996, com o time de Paulínia e outra em 1997, com Americana.

Se não me falha a memória, a última edição foi em Londrina, com o título do BCN/Osasco, com Magic Paula e Elena Tornikidou. Estou certo?

Após isso, a FIBA (que sempre adiou a oficialização do torneio) tomou para si a organização da Liga Mundial de Clubes, que teve clubes brasileiros participando (como Americana, Guarulhos e Ourinhos), mas que encontra-se suspensa.

Acho que esse é um dos vários fatos de seu passado do qual Hortência deve orgulhar-se. Revivê-lo não seria má ideia.