Palavras vazias
Coluna de Marcelo Laguna no Site BasketBrasil
Gerasime Bozikis finalmente resolveu falar! E como falou. Após um irritante silêncio que já durava mais de dois meses, o recém-eleito (para seu terceiro mandato) presidente da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) decidiu convocar uma entrevista coletiva nesta última terça-feira (3/5), para esclarecer vários pontos que ficaram sem respostas durante o período eleitoral. O problema é que a verborrágica entrevista de Grego acabou servindo apenas para trazer nuvens cada vez mais acinzentadas no agitado céu do basquete brasileiro.
Talvez a questão mais significativa do discurso adotado por Grego seja a sua postura em relação à Nossa Liga de Basquete (NLB), criada pelos clubes e comandada pelo ex-cestinha Oscar Schmidt. Grego garante que não haverá um campeonato paralelo, um torneio pirata. Ou seja, ele defende que se faça uma “exaustiva discussão” em todos os segmentos interessados no basquete que se chegue a uma conclusão definitiva. O engraçado (se é que há alguma graça na atual situação da modalidade) é que foi justamente ele, Grego, quem se recusou a discutir com os fundadores da Liga todas as vezes que foi convidado. A justificativa do dirigente é que seria antiético de sua parte participar de uma reunião destas um mês antes da eleição.
Os argumentos de Grego para tentar desqualificar a liga organizada pelos clubes são questionáveis, para ficar num adjetivo mais simpático ao cartola da CBB. Ele diz, por exemplo, que a liga do Uruguai durou apenas um ano e logo em seguida os clubes voltaram a ter seus torneios organizados pela federação nacional. Em sua opinião, apenas a NBA serve de exemplo como liga que deu certo. A curta memória do presidente da CBB só não o permitiu citar dois claros exemplos de sucesso de torneios organizados por clubes que não dependem da multimilionária estrutura da NBA: as ligas da Itália e da Espanha, que contam com inúmeros atletas estrangeiros, inclusive do Brasil.
O vazio e defensivo discurso de Gerasime Bozikis, em sua primeira entrevista após a eleição na CBB, foi longo, mas não trouxe respostas para algumas perguntas deixadas no ar nesta coluna no Basketbrasil , publicada no dia 15/3. De que adianta falar que a TAM oferece 65% de desconto nas passagens aéreas para os clubes que disputam o Nacional se a verba que eles dispõe os permite apenas fazer viagens de ônibus? E o êxodo do basquete feminino, que tem todas as suas principais jogadoras (e alguns treinadores) buscando emprego fora do Brasil, pois as condições internas são patéticas? E os vexames protagonizados por nossas equipes nas categorias de base, que há um bom tempo vêm perdendo para a Argentina, antigo freguês de caderneta, nos respectivos campeonatos?
Infelizmente, é grande a sensação de que nada irá mudar. E não estou me referindo apenas à figura do homem que ocupa, pelo terceiro mandato consecutivo, o topo da cadeia de comando daquele que já foi o segundo esporte mais popular do Brasil. Otimismo, definitivamente, não é uma palavra que faz parte do meu vocabulário em relação ao basquete brasileiro.
Coluna de Marcelo Laguna no Site BasketBrasil
Gerasime Bozikis finalmente resolveu falar! E como falou. Após um irritante silêncio que já durava mais de dois meses, o recém-eleito (para seu terceiro mandato) presidente da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) decidiu convocar uma entrevista coletiva nesta última terça-feira (3/5), para esclarecer vários pontos que ficaram sem respostas durante o período eleitoral. O problema é que a verborrágica entrevista de Grego acabou servindo apenas para trazer nuvens cada vez mais acinzentadas no agitado céu do basquete brasileiro.
Talvez a questão mais significativa do discurso adotado por Grego seja a sua postura em relação à Nossa Liga de Basquete (NLB), criada pelos clubes e comandada pelo ex-cestinha Oscar Schmidt. Grego garante que não haverá um campeonato paralelo, um torneio pirata. Ou seja, ele defende que se faça uma “exaustiva discussão” em todos os segmentos interessados no basquete que se chegue a uma conclusão definitiva. O engraçado (se é que há alguma graça na atual situação da modalidade) é que foi justamente ele, Grego, quem se recusou a discutir com os fundadores da Liga todas as vezes que foi convidado. A justificativa do dirigente é que seria antiético de sua parte participar de uma reunião destas um mês antes da eleição.
Os argumentos de Grego para tentar desqualificar a liga organizada pelos clubes são questionáveis, para ficar num adjetivo mais simpático ao cartola da CBB. Ele diz, por exemplo, que a liga do Uruguai durou apenas um ano e logo em seguida os clubes voltaram a ter seus torneios organizados pela federação nacional. Em sua opinião, apenas a NBA serve de exemplo como liga que deu certo. A curta memória do presidente da CBB só não o permitiu citar dois claros exemplos de sucesso de torneios organizados por clubes que não dependem da multimilionária estrutura da NBA: as ligas da Itália e da Espanha, que contam com inúmeros atletas estrangeiros, inclusive do Brasil.
O vazio e defensivo discurso de Gerasime Bozikis, em sua primeira entrevista após a eleição na CBB, foi longo, mas não trouxe respostas para algumas perguntas deixadas no ar nesta coluna no Basketbrasil , publicada no dia 15/3. De que adianta falar que a TAM oferece 65% de desconto nas passagens aéreas para os clubes que disputam o Nacional se a verba que eles dispõe os permite apenas fazer viagens de ônibus? E o êxodo do basquete feminino, que tem todas as suas principais jogadoras (e alguns treinadores) buscando emprego fora do Brasil, pois as condições internas são patéticas? E os vexames protagonizados por nossas equipes nas categorias de base, que há um bom tempo vêm perdendo para a Argentina, antigo freguês de caderneta, nos respectivos campeonatos?
Infelizmente, é grande a sensação de que nada irá mudar. E não estou me referindo apenas à figura do homem que ocupa, pelo terceiro mandato consecutivo, o topo da cadeia de comando daquele que já foi o segundo esporte mais popular do Brasil. Otimismo, definitivamente, não é uma palavra que faz parte do meu vocabulário em relação ao basquete brasileiro.
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