quarta-feira, 4 de maio de 2005

Apocalypse Now

Por Giancarlo Giampietro
Coluna do Site Rebote


“Meus pêsames”, disse o presidente da Nossa Liga de basquete, Oscar Schmidt. Pêsames após a mais nova reeleição do presidente Grego, na CBB.
O óbvio angustiante foi selado e, ao que tudo indica, teremos mais um nostálgico ciclo olímpico pela frente. Os sobreviventes do basquete podem lamentar. Mas, da Nossa Liga, que promete algo revolucionário, espera-se mais do que a lamúria, precedida na véspera do pleito por esta declaração de Oscar: “Estou de saco cheio da CBB. Se esta administração for mantida, serão mais quatro anos de fracassos. Não agüento mais”.

A Máquina assina os papéis, recebe dinheiro público, roda o caixa, monta - em situações, todas elas, pontuais - grupos de 12 jogadores de todas as idades e assina mais papéis. Para este grupo aqui, não sobra muito que dizer, não? Bem-vindo seja o sarcasmo, pois seguem dois pensamentos gentilmente compartilhados pelo presidente na segunda-feira:

1) “Foi a vitória do basquete brasileiro. Agradeço o voto e a lealdade dos 18 presidentes que me reelegeram confiando no trabalho que estamos realizando há oito anos. O presidente da CBB tem a obrigação de unir toda a comunidade do basquete em prol de um basquete cada vez melhor e mais forte. Estamos começando uma nova fase com muitas vitórias dentro e fora das quadras”.

2) “Respeito os movimentos do leão e da formiguinha e observo a formiguinha para tirar ensinamentos disso. Não existe essa história de vingança ou retaliação”.

Ora, ora, por onde começar? Primeiro, comemoremos a “vitória”: pelo menos uma! Da “lealdade” nós já sabíamos. Quanto a “nova fase”... Estamos recomeçando, então? Por quê? Os últimos oito anos não estavam bons? Não entendi. A formiguinha explica? Bobagens de lado, fica evidente um tom conciliador, desde que o processo role sobre sua (?) tutela: “Liga pode existir, mas precisa da aceitação da CBB. Não passa na minha cabeça a criação sem nosso aval. Enquanto for presidente, não vou permitir isso”, disse o presidente, na terça-feira.

"Pessoal, vamos conversar”. Mas nos meus termos.

À liga de clubes ainda cabe o benefício da dúvida. Incentivar um sindicato de jogadores é interessante, realizar assembléias, simpático e ir à mídia, político. É apenas o começo. Mas, dentre seus próximos passos, consta um inevitável: sentar, ou não, à mesa da CBB? “Não pretendo mais tentar um acordo. Eles já bateram a porta na minha cara duas vezes e não vou me submeter a isso”, afirmou Oscar.

Caso não seja mais algum arroubo do “Mão Santa” (onde é que foi parar o tal do “podemos barganhar”?), temos um racha aqui, ou, no mínimo, uma negociação pra lá de difícil. De um lado, dissidentes, de certo modo enfraquecidos pela saída de Ribeirão Preto e Ourinhos e pelo do recuo de presidentes de federações que supostamente estavam “controladas”. Do outro, tudo o que há de chapa branca, que ou têm completa aversão ao outro candidato, ou endossam as ações da confederação desde 1997. Talvez eles trabalhem como agentes infiltrados dos argentinos, nunca se sabe.

No calor e desespero da derrota eleitoral, o candidato Hélio Barbosa talvez tenha saído com a frase mais emblemática para o momento: “Deus queira que ainda tenhamos basquete daqui a quatro anos”. Não que o chapa lá de cima tenha algo a ver com isso.

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