O encanto da desordem
Por Fábio Zambeli
No Site Rebote
A corrida desenfreada para se safar da rabeira na tabela ateou fogo em um campeonato predestinado ao fracasso.
No Paulista Feminino de basquete, que entra no returno no dia 4, as ambições são excêntricas.
Nenhum sobressalto com a hipótese de descenso - ao contrário, até mesmo o derradeiro posto na fase classificatória rende vaga aos playoffs.
Nem as prometidas seis vagas no Nacional empolgam, já que a iminente criação da liga independente embaralhou o futuro da categoria - o torneio da CBB pode não sair do papel no segundo semestre.
A desesperada briga para escapar do oitavo lugar (entre as oito agremiações concorrentes) tem um só objetivo: evitar um cruzamento nas quartas-de-final com o até aqui imbatível Ourinhos, favorito absoluto ao título.
Santo André, São Bernardo (ambas com quatro derrotas em sete jogos), Guarulhos e Piracicaba (com cinco reveses) digladiam entre si como presas fáceis que procuram adiar a hora do abate.
Sabem que o cruzamento precoce com o poderoso esquadrão alviverde representa férias antecipadas, longo período de inatividade e até a sobrevivência em xeque.
"Este é um campeonato em que a disputa é pelo segundo lugar. Ourinhos não tem como perder", diz enfática a técnica andreense Laís Elena Aranha, reconhecendo a supremacia do oponente, que acumula 100% de aproveitamento no certame.
Para a treinadora do time do ABC, os reforços incorporados ao elenco do clube do oeste paulista deixaram a competição sem tempero.
Vendo dissipadas as chamas dos tira-teimas com Americana, o experiente Antonio Carlos Vendramini, virtual campeão estadual, concorda com a colega. "Mantivemos a base do Nacional e precisamos tirar proveito disso", sentencia o treinador do clube fundado em 95, que começou a colecionar glórias três anos depois.
Os números atestam a disparidade ao fim do primeiro turno. Foram, até agora, sete jogos, sete triunfos, com 530 pontos convertidos (75,7 em média) e 378 sofridos (54 em média) - uma confortável margem de 21 pontos por confronto.
Para o início do torneio, a equipe ourinhense, que já arrebatara o título brasileiro, trouxera Lílian e Palmira - para suprir a ausência de Janeth. Agora, anuncia mais duas aquisições: a pivô Êga, que retorna da Espanha, e a armadora Vanessa Gattei. Ambas se integrarão o plantel rumo ao novo troféu.
Depois de estrear com exibição ao vivo na TV paga, o Paulista sumiu das telinhas. A grade de programação não prevê nenhum duelo para as próximas semanas.
O desinteresse não se limita à mídia especializada. Afinal, a fórmula de disputa do evento é, no mínimo, esquisita.
A primeira fase, em curso, prevê confronto em ida e volta entre todas as oito agremiações inscritas. É uma mera briga por emparelhamentos. O líder pega o oitavo colocado nos mata-matas, o segundo enfrenta o sétimo e assim sucessivamente.
A partir da segunda etapa, com os duelos que garantirão passaporte às semifinais, nascerá a verdadeira contenda pelo segundo degrau no pódio.
Mas nem tudo é letárgico no Estadual.
Na incômoda briga para ficar fora do rebolo desponta uma antiga guerreira desta vez em nova função:
A ex-armadora da seleção Maria Angélica Gonçalves da Silva, a Branca.
Com jogadoras - muitas juvenis - contempladas com bolsas de estudo na universidade que co-patrocina o time piracicabano, a técnica reaparece com estilo explosivo na esperança de dar sobrevida ao time recém-promovido de volta à elite paulista.
No rastilho da pólvora das incandescentes Branca e Laís Elena, a emoção ressurge de onde parecia não brotar mais: 75 a 74 para Santo André na última terça-feira. Placar insuficiente para desestimular as meninas de Piracicaba, que dividem a lanterna com Guarulhos.
Com espetáculos de ginástica artística nos intervalos e algodão doce de graça para o fãs no ginásio Waldemar Blatskauskas, a cidade quer devolver ao bola-ao-cesto local (pentacampeão do país nas décadas de 80-90) o glamour de outrora.
Para tanto, conta ainda com a voluntária mão do preparador físico Hermes Balbino, que tem em seu currículo, além da conquista do Mundial de 94, os títulos de mestre e doutor pela Unicamp.
E parece haver luz no fim do túnel.
Depois do insucesso dramático na Grande São Paulo, as piracicabanas regozijaram-se com uma vitória doméstica no sábado contra Marília - 73 a 69, com 20 pontos anotados pela voluntariosa lateral Ângela.
Quem diria. Sem as estrelas que gravitam em órbitas distantes e alheia à paralisia dos dirigentes, a festa caipira subverte a ordem do bola-ao-cesto e reinventa o charme de um certame idealizado com a lógica às avessas.
:::::::
Zona Morta
:::::::
))) A versão feminina da Nossa Liga, equivalente ao futuro Nacional, só deve começar em 2006. E a associação das atletas tem em Janeth, Hortência e Paula suas "capitãs". A última, aliás, faltou à reunião de sexta-feira com o ministro Agnelo Queiroz.
Por Fábio Zambeli
No Site Rebote
A corrida desenfreada para se safar da rabeira na tabela ateou fogo em um campeonato predestinado ao fracasso. No Paulista Feminino de basquete, que entra no returno no dia 4, as ambições são excêntricas.
Nenhum sobressalto com a hipótese de descenso - ao contrário, até mesmo o derradeiro posto na fase classificatória rende vaga aos playoffs.
Nem as prometidas seis vagas no Nacional empolgam, já que a iminente criação da liga independente embaralhou o futuro da categoria - o torneio da CBB pode não sair do papel no segundo semestre.
A desesperada briga para escapar do oitavo lugar (entre as oito agremiações concorrentes) tem um só objetivo: evitar um cruzamento nas quartas-de-final com o até aqui imbatível Ourinhos, favorito absoluto ao título.
Santo André, São Bernardo (ambas com quatro derrotas em sete jogos), Guarulhos e Piracicaba (com cinco reveses) digladiam entre si como presas fáceis que procuram adiar a hora do abate.
Sabem que o cruzamento precoce com o poderoso esquadrão alviverde representa férias antecipadas, longo período de inatividade e até a sobrevivência em xeque.
"Este é um campeonato em que a disputa é pelo segundo lugar. Ourinhos não tem como perder", diz enfática a técnica andreense Laís Elena Aranha, reconhecendo a supremacia do oponente, que acumula 100% de aproveitamento no certame.
Para a treinadora do time do ABC, os reforços incorporados ao elenco do clube do oeste paulista deixaram a competição sem tempero.
Vendo dissipadas as chamas dos tira-teimas com Americana, o experiente Antonio Carlos Vendramini, virtual campeão estadual, concorda com a colega. "Mantivemos a base do Nacional e precisamos tirar proveito disso", sentencia o treinador do clube fundado em 95, que começou a colecionar glórias três anos depois.
Os números atestam a disparidade ao fim do primeiro turno. Foram, até agora, sete jogos, sete triunfos, com 530 pontos convertidos (75,7 em média) e 378 sofridos (54 em média) - uma confortável margem de 21 pontos por confronto.
Para o início do torneio, a equipe ourinhense, que já arrebatara o título brasileiro, trouxera Lílian e Palmira - para suprir a ausência de Janeth. Agora, anuncia mais duas aquisições: a pivô Êga, que retorna da Espanha, e a armadora Vanessa Gattei. Ambas se integrarão o plantel rumo ao novo troféu.
Depois de estrear com exibição ao vivo na TV paga, o Paulista sumiu das telinhas. A grade de programação não prevê nenhum duelo para as próximas semanas.
O desinteresse não se limita à mídia especializada. Afinal, a fórmula de disputa do evento é, no mínimo, esquisita.
A primeira fase, em curso, prevê confronto em ida e volta entre todas as oito agremiações inscritas. É uma mera briga por emparelhamentos. O líder pega o oitavo colocado nos mata-matas, o segundo enfrenta o sétimo e assim sucessivamente.
A partir da segunda etapa, com os duelos que garantirão passaporte às semifinais, nascerá a verdadeira contenda pelo segundo degrau no pódio.
Mas nem tudo é letárgico no Estadual.
Na incômoda briga para ficar fora do rebolo desponta uma antiga guerreira desta vez em nova função:
A ex-armadora da seleção Maria Angélica Gonçalves da Silva, a Branca.
Com jogadoras - muitas juvenis - contempladas com bolsas de estudo na universidade que co-patrocina o time piracicabano, a técnica reaparece com estilo explosivo na esperança de dar sobrevida ao time recém-promovido de volta à elite paulista.
No rastilho da pólvora das incandescentes Branca e Laís Elena, a emoção ressurge de onde parecia não brotar mais: 75 a 74 para Santo André na última terça-feira. Placar insuficiente para desestimular as meninas de Piracicaba, que dividem a lanterna com Guarulhos.
Com espetáculos de ginástica artística nos intervalos e algodão doce de graça para o fãs no ginásio Waldemar Blatskauskas, a cidade quer devolver ao bola-ao-cesto local (pentacampeão do país nas décadas de 80-90) o glamour de outrora.
Para tanto, conta ainda com a voluntária mão do preparador físico Hermes Balbino, que tem em seu currículo, além da conquista do Mundial de 94, os títulos de mestre e doutor pela Unicamp.
E parece haver luz no fim do túnel.
Depois do insucesso dramático na Grande São Paulo, as piracicabanas regozijaram-se com uma vitória doméstica no sábado contra Marília - 73 a 69, com 20 pontos anotados pela voluntariosa lateral Ângela.
Quem diria. Sem as estrelas que gravitam em órbitas distantes e alheia à paralisia dos dirigentes, a festa caipira subverte a ordem do bola-ao-cesto e reinventa o charme de um certame idealizado com a lógica às avessas.
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Zona Morta
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))) A versão feminina da Nossa Liga, equivalente ao futuro Nacional, só deve começar em 2006. E a associação das atletas tem em Janeth, Hortência e Paula suas "capitãs". A última, aliás, faltou à reunião de sexta-feira com o ministro Agnelo Queiroz.
Fonte: Rebote
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