Grego é reeleito para mais quatro anos à frente da CBB
Bernardo Calil, da MBPress
No Rio de Janeiro

Gerasime Bosikis, o "Grego", foi reeleito nesta segunda-feira para mais quatro anos na presidência da CBB (Confederação Brasileira de Basquete). No cargo desde 1997, ele inicia assim seu terceiro mandato à frente da entidade.
Em assembléia geral no Rio de Janeiro, os presidentes de federações estaduais deram 18 votos ao atual mandatário, enquanto o candidato da oposição, Hélio Barbosa, recebeu apenas nove.
José Medalha, que havia retirado sua candidatura publicamente em gesto de apoio a Barbosa, mas ainda estava oficialmente inscrito, não recebeu nenhum voto.
"Foi a vitória do basquete brasileiro. Agradeço o voto e a lealdade dos 18 presidentes que me reelegeram confiando no trabalho que estamos realizando há oito anos", disse Bozikis em comunicado oficial.
Por solicitação de 18 representantes, a votação foi aberta. Votaram na oposição as federações de Espírito Santo, Pernambuco, Piauí, Ceará, Pará, Alagoas, Paraná, Rio de Janeiro e Distrito Federal.
"Respeito os movimentos do leão e da formiguinha, e observo a formiguinha para tirar ensinamentos disso. Não existe essa história de vingança ou retaliação", afirmou o presidente reeleito, que viu seus opositores crescerem de duas federações em 2000 para nove em 2005.
"Vivemos numa democracia e os presidentes votam em quem eles preferem. O presidente da CBB tem a obrigação de unir toda a comunidade em prol de um basquete cada vez melhor e mais forte. Estamos começando uma nova fase com muitas vitórias dentro e fora das quadras", completou.
Grego, porém, não se pronunciou sobre os problemas mais urgentes que terá de enfrentar nesse início de terceiro mandato, como a criação da Nossa Liga de Basquete, a organização do Mundial feminino em 2006 e um possível boicote de jogadores que atuam no exterior à seleção masculina. O presidente marcou uma entrevista coletiva para as 14h desta terça-feira.
Em entrevista ao UOL Esporte na última sexta, Barbosa mostrava confiança na vitória. "Tenho votos suficientes para ganhar a eleição", apostava o candidato, que contava como certo o voto do Rio Grande do Norte, mas não com o do Ceará. "Amazonas e Acre também acabaram não confirmando o apoio que haviam me prometido", lamentou Barbosa após o pleito.
"Eu tinha feito uma reunião em Brasília com esses 11 presidentes e eles estavam fechados comigo. Depois fiz uma reunião com o Chekmati (Antônio Chekmati, presidente da federação paulista), que me prometeu dar o voto de São Paulo e angariar outros cinco se esses 11 votassem em mim", contou.
"Essa reunião existiu, mas eu jamais votaria contra o Grego. Eu disse mesmo ao Hélio que, se ele tivesse os 11 votos, eu o apoiaria. Mas isso foi em tom de brincadeira, porque eu sabia que ele não teria todos os votos", rebateu Chekmati, um dos mais poderosos aliados da situação.
A maioria decidiu também por uma inversão na pauta dos trabalhos da assembléia. Com isso, o processo eletivo, que deveria acontecer somente no final da reunião, foi antecipado. A mudança causou polêmica, já que a oposição queria fazer a aprovação das contas da entidade em 2004 antes de eleger o presidente.
"Não é possível fazer essa inversão, temos que aprovar as contas antes. Isso não tem o menor fundamento. É falta de transparência e correção", bradou, inflamado, o presidente da federação paranaense, Amarildo Ramos da Rosa.
Outro que contestou a inversão de pauta foi o representante da federação de Alagoas, Juarez Marsson, que solicitou à mesa diretora permissão para questionar o presidente Grego a respeito das suspeitas de compra de votos com pagamento de passagens e hotel para os presidentes, assim como favorecimento de seus partidários na escolha dos chefes de delegação para as viagens das seleções brasileiras.
A permissão foi negada, mas o representante da federação gaúcha, Renato de Souza Cardoso, rebateu as acusações pedindo que o adversário formalizasse as denúncias para que elas pudessem ser devidamente investigadas.
O próprio Grego, porém, fez questão de apaziguar os ânimos após o fim da reunião, que terminou com as contas aprovadas pelo mesmo placar da eleição.
"Todo mundo viaja. Os mais antigos sempre viajaram, tanto os da oposição como os da situação, só que tem alguns novos que têm alguns meses de mandato e ainda não tiveram oportunidade. Ninguém é privilegiado", disse o presidente.
"Chefiar delegação é presente de grego. Não tem nada de prêmio nisso. Tem que acompanhar comissão técnica, tem uma série de compromissos e responsabilidades, não é turismo", completou.
A vitória de Grego confirma a tendência de continuismo nas entidades que comandam o esporte brasileiro. Das 27 modalidades incluídas no programa dos Jogos Olímpicos de Verão, apenas duas mudaram de comandante neste início de ciclo olímpico.
São elas o badminton, em que o presidente abriu mão da reeleição, e tênis, que tirou Nelson Nastás do cargo com um boicote dos principais jogadores, mas ainda vive uma interminável disputa jurídica pelo poder.
Bernardo Calil, da MBPress
No Rio de Janeiro

Gerasime Bosikis, o "Grego", foi reeleito nesta segunda-feira para mais quatro anos na presidência da CBB (Confederação Brasileira de Basquete). No cargo desde 1997, ele inicia assim seu terceiro mandato à frente da entidade.
Em assembléia geral no Rio de Janeiro, os presidentes de federações estaduais deram 18 votos ao atual mandatário, enquanto o candidato da oposição, Hélio Barbosa, recebeu apenas nove.
José Medalha, que havia retirado sua candidatura publicamente em gesto de apoio a Barbosa, mas ainda estava oficialmente inscrito, não recebeu nenhum voto.
"Foi a vitória do basquete brasileiro. Agradeço o voto e a lealdade dos 18 presidentes que me reelegeram confiando no trabalho que estamos realizando há oito anos", disse Bozikis em comunicado oficial.
Por solicitação de 18 representantes, a votação foi aberta. Votaram na oposição as federações de Espírito Santo, Pernambuco, Piauí, Ceará, Pará, Alagoas, Paraná, Rio de Janeiro e Distrito Federal.
"Respeito os movimentos do leão e da formiguinha, e observo a formiguinha para tirar ensinamentos disso. Não existe essa história de vingança ou retaliação", afirmou o presidente reeleito, que viu seus opositores crescerem de duas federações em 2000 para nove em 2005.
"Vivemos numa democracia e os presidentes votam em quem eles preferem. O presidente da CBB tem a obrigação de unir toda a comunidade em prol de um basquete cada vez melhor e mais forte. Estamos começando uma nova fase com muitas vitórias dentro e fora das quadras", completou.
Grego, porém, não se pronunciou sobre os problemas mais urgentes que terá de enfrentar nesse início de terceiro mandato, como a criação da Nossa Liga de Basquete, a organização do Mundial feminino em 2006 e um possível boicote de jogadores que atuam no exterior à seleção masculina. O presidente marcou uma entrevista coletiva para as 14h desta terça-feira.
Em entrevista ao UOL Esporte na última sexta, Barbosa mostrava confiança na vitória. "Tenho votos suficientes para ganhar a eleição", apostava o candidato, que contava como certo o voto do Rio Grande do Norte, mas não com o do Ceará. "Amazonas e Acre também acabaram não confirmando o apoio que haviam me prometido", lamentou Barbosa após o pleito.
"Eu tinha feito uma reunião em Brasília com esses 11 presidentes e eles estavam fechados comigo. Depois fiz uma reunião com o Chekmati (Antônio Chekmati, presidente da federação paulista), que me prometeu dar o voto de São Paulo e angariar outros cinco se esses 11 votassem em mim", contou.
"Essa reunião existiu, mas eu jamais votaria contra o Grego. Eu disse mesmo ao Hélio que, se ele tivesse os 11 votos, eu o apoiaria. Mas isso foi em tom de brincadeira, porque eu sabia que ele não teria todos os votos", rebateu Chekmati, um dos mais poderosos aliados da situação.
A maioria decidiu também por uma inversão na pauta dos trabalhos da assembléia. Com isso, o processo eletivo, que deveria acontecer somente no final da reunião, foi antecipado. A mudança causou polêmica, já que a oposição queria fazer a aprovação das contas da entidade em 2004 antes de eleger o presidente.
"Não é possível fazer essa inversão, temos que aprovar as contas antes. Isso não tem o menor fundamento. É falta de transparência e correção", bradou, inflamado, o presidente da federação paranaense, Amarildo Ramos da Rosa.
Outro que contestou a inversão de pauta foi o representante da federação de Alagoas, Juarez Marsson, que solicitou à mesa diretora permissão para questionar o presidente Grego a respeito das suspeitas de compra de votos com pagamento de passagens e hotel para os presidentes, assim como favorecimento de seus partidários na escolha dos chefes de delegação para as viagens das seleções brasileiras.
A permissão foi negada, mas o representante da federação gaúcha, Renato de Souza Cardoso, rebateu as acusações pedindo que o adversário formalizasse as denúncias para que elas pudessem ser devidamente investigadas.
O próprio Grego, porém, fez questão de apaziguar os ânimos após o fim da reunião, que terminou com as contas aprovadas pelo mesmo placar da eleição.
"Todo mundo viaja. Os mais antigos sempre viajaram, tanto os da oposição como os da situação, só que tem alguns novos que têm alguns meses de mandato e ainda não tiveram oportunidade. Ninguém é privilegiado", disse o presidente.
"Chefiar delegação é presente de grego. Não tem nada de prêmio nisso. Tem que acompanhar comissão técnica, tem uma série de compromissos e responsabilidades, não é turismo", completou.
A vitória de Grego confirma a tendência de continuismo nas entidades que comandam o esporte brasileiro. Das 27 modalidades incluídas no programa dos Jogos Olímpicos de Verão, apenas duas mudaram de comandante neste início de ciclo olímpico.
São elas o badminton, em que o presidente abriu mão da reeleição, e tênis, que tirou Nelson Nastás do cargo com um boicote dos principais jogadores, mas ainda vive uma interminável disputa jurídica pelo poder.
AS CRISES DA GESTÃO GREGO
Seleção masculina:
Fora das duas últimas Olimpíadas e com fraco desempenho nos últimos Mundiais, equipe pode ficar sem sua maior estrela na atualidade, o ala-pivô Nenê, que não quer jogar enquanto Grego estiver no poder
Nossa Liga de Basquete:
Insatisfeitos com critérios de distribuição da verba arrecadada com o Nacional, clubes se uniram para formar liga independente e confrontar a CBB; Grego ainda não se manifestou sobre o assunto
Caso Sportlink:
Quando assumiu o cargo, em 1997, Grego rompeu de forma unilateral o contrato com a agência de marketing, que já ganhou cerca de R$ 3 milhões na Justiça e ainda tem três processos em andamento
Principais críticas:
Opositores atacam o atual presidente pela falta de transparência nas contas, por centralizar as decisões e pela decadência dos campeonatos nacionais em sua gestão
Fonte: UOL
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