quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Érika quer ajudar seleção a ganhar medalha em 2016

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Ela é do tipo que chama a atenção. Do alto de seu 1,97m, com postura forte, olhar determinado e uma coleção de tatuagens a adornar a musculatura, a pivô Érika está de volta ao Brasil para jogar a Liga Brasileira Feminina (LBF) pelo Sport Recife. É o clube pelo qual foi campeã ano passado e quer lutar pelo bi este ano. A atleta retornou depois que seu time, o Atlanta Dream, perdeu a final da liga americana WNBA para o Minnesota Lynx. Por causa desse playoff decisivo, ela não pôde disputar a Copa América, no México, onde o Brasil conquistou vaga para o Mundial-2014, na Turquia.

Assumidamente vaidosa, a carioca de 31 anos, que há uma década concilia o basquete dos EUA e da Europa com a seleção brasileira, aumentou a coleção de tatuagens pelo corpo. Chegou a 22, o que lhe valeu o apelido de Dennis Rodman Brasileira, referência ao ex-jogador do Chicago Bulls.

— Esta é a mais recente. Chamo de Caçadora de Sonhos, porque sempre tive o ideal de jogar Olimpíadas, Mundiais. O próximo sonho é a medalha em 2016 — afirma ela, apontando a tatuagem feita este ano nos EUA. — Sou muito vaidosa. O basquete já é considerado agressivo, masculino, pelas roupas, a bermuda largona, o tênis bruto... Eu preferiria jogar com o macaquinho. A atleta tem de mostrar corpo, as unhas, rímel, lápis nos olhos. Eu gosto, ainda mais com a TV mostrando. Estou sempre com as unhas feitas, cores fortes...

Érika começou na Mangueira, aos 15 anos. Ainda bem jovem, foi campeã brasileira pelo Vasco, em 2001, com Janeth, Elena, Claudinha, Kátia, Kelly, Micaela, Astou, todas treinadas por Maria Helena.

— Lá, aprendi a não desistir facilmente. Eu saía de Santa Cruz para treinar, de ônibus, de trem. Eram quase duas horas. Era difícil — diz.

— Não me acho referência. Mas as jovens me veem assim. É sempre bom ser reconhecida pelo trabalho. Tento passar o que aprendi com Alessandra e Cíntia Tuiú.

WNBA em maio

Nas finais da WNBA, seu time, o Atlanta Dream, foi superado pelo Minnesota Lynx. Ela só voltará à WNBA em maio, talvez noutra equipe. Ficou ausente da seleção na Copa América, que classificou Cuba, Canadá e Brasil para o Mundial.

— Foi triste e sofrido acompanhar à distância. Ficava falando com as pivôs Damiris e Nádia, com quem tenho mais afinidade, e com a Adrianinha — conta. 

— Ano que vem, vou ao Mundial de qualquer jeito, até porque a WNBA deve terminar antes disso. As americanas vão tentar o título. É difícil medalha, mas daremos o máximo.

Sobre a seleção, que vem sendo renovada pelo técnico Luiz Augusto Zanon, Érika aposta no trabalho para o Mundial-2014 e as Olimpíadas Rio-2016.

— Considero muito bom o potencial de renovação. Não vejo a hora de trabalhar com o Zanon. Já penso em 2016, e quero estar aqui com a família e os amigos. Espero que seja uma festa muito bonita. Temos muito potencial porque as meninas que hoje são novas já vão estar mais amadurecidas, a ponto de lutar pelo pódio — prevê a Caçadora de Sonhos.


Matéria publicada no Jornal O Globo do dia 23 de outubro de 2013, assinada pelo repórter Claudio Nogueira.

3 comentários:

Ricardo disse...

Seria muito importante que a Erika treinasse desde o início com a seleção no ano que vem. No Mundial de 2010 ela e Iziane se apresentaram 48 horas antes da estreia do Mundial e foi terrível. Elas começaram no banco, perdemos da Coreia e não nos encontramos mais naquele competição. Se realmente não for possível a Erika pedir para se apresentar apenas na segunda metade da WNBA, que o Zanon e o Vanderlei aproveitem o período que ela estará no Brasil para reunir a seleção, mesmo que seja por um período mais curto, para que a nossa melhor atleta entenda a filosofia do novo treinador e se entrose com as novas meninas do grupo.

Anônimo disse...

Gostaria muito de ver a Erika ao lado de outras atletas cariocas para espantar de vez a ideia de que só em São Paulo forma talentos. Temos um grande número de atletas cariocas muito talentosas.

Armadoras: Ivana, Gigi e Camila Lacerda

Alas: Micaela, Joseane, Joice Coelho, Isabela Ramona, Raphaella e Thayná.

Pivôs: Erika, Clarissa, Karina Jacob, Andressa e Isabela Costa.

Temos atletas do Rio de Janeiro para formar uma equipe e ser campeã da LBF.

Anônimo disse...

A Erika disse que tem mais afinidade com as pivôs Nádia e Damiris. Quer dizer que com a também pivô Clarissa, que nasceu na mesma cidade que ela e foi formada nas mesmas escolinhas de base ela tem menos afinidade? Que estranho. Poque será?