terça-feira, 9 de maio de 2006

Raízes do Brazil

MELCHIADES FILHO

Se é para escrever sobre o basquete brasileiro, dar um tempo nas análises sobre a emocionante largada dos mata-matas da NBA, que seja com propósito. Não tenho vocação para o realejo, detesto martelar a mesma tecla. Mas a tarde caiu, a noite cresceu, a madrugada avançou, e não surgiu a idéia nova, o tema instigante, a sacada que merecesse os 3.500 toques e pudesse me deixar em paz por mais uma semana.
Embananei-me, obviamente, com o fato de que o país organiza dois campeonatos nacionais simultaneamente (CBB e NLB) _e de que times de um atuam no outro. "Keltek vence na estréia nos playoffs", vibra o boletim de imprensa do dia 4. "Keltek perde na estréia nos playoffs", lamenta o boletim de imprensa do dia 6. Não, os assessores de imprensa não erraram; os cartolas sim.
A bagunça desautorizou todo estudo estatístico, já que alguns times fizeram muitos jogos a mais do que outros. Quem é o legítimo cestinha do torneio da CBB? Márcio (Ulbra), com 27,8 pontos em 5 jogos, ou Shamell (Paulistano), com 24,8 pontos em 16 partidas?
As manchetes, todas déjà vu, tampouco ajudaram: "Ribeirão Preto cai no Sul-Americano"; "Ribeirão Preto sobe no Nacional"; "Uberlândia troca de técnico"; "Uberlândia perde e estuda trocar de técnico"; "Ourinhos mantém-se invicto no feminino"...
Vi, então, que não adianta forçar a barra. No fundo, campeonato brasileiro é o campeonato que o jogador mais essencial da seleção, o ala-pivô Nenê, disputa em Denver contra o joelho, o bolso e a consciência, todos em farrapos.
Ou o que nossa mais talentosa atleta, a ala Iziane, vai jogar em Seattle a partir do dia 20, a volta dela após meses de inatividade.
Ou aquele que vem descabelando o ala-pivô Anderson Varejão, mascote e melhor reboteiro do Cleveland, um dos afortunados que testemunham de perto a entronização de LeBron James.
Ou, também, o que aguarda em junho o extraordinário Tiago Splitter e os bons J.P. Batista e Marquinhos, candidatos patrícios a um contrato na NBA.
Perseguem o título do Brasil, ainda que na Espanha, nossa melhor pivô, Érika, e nossa melhor (única?) armadora, Helen _elas defendem o Barcelona na final contra o Salamanca, de Kátia.
Busca semelhante reúne o jovem armador Marcelinho Huertas (Badalona), quarto lugar na eleição de revelação de 2006, e três de nossas promessas do garrafão: Marcus Vinicius, Vítor e Rafael (este, titular do Nike Hoop Summit, evento que anualmente reúne a nata sub-20 do mundo).
O basquete brasileiro respira na Itália _a veterana Cíntia Tuiú, ala-pivô titular da seleção, tenta o bicampeonato pelo Schio.
Respira na Ucrânia _Guilherme, nosso ala mais técnico, vai às semifinais em seu debute no Kiev.
E respirou sábado em Phoenix, onde, segundo o treinador, "por dez minutos Leandro Barbosa foi o jogador mais veloz da Terra" _restabelecido da amarelada nas rodadas iniciais, o armador titular da seleção acertou 10 de 12 chutes e foi o cestinha (26 pontos) no duelo final contra os Lakers.
Ah, tanto mar, tanto mar.

Pátria minha 1

Enquanto Leandrinho batia recordes no jogo de vida ou morte, a ESPN exibia um torneio internacional de dança de salão (salsa?!).

Pátria minha 2


O Globo.com também economiza demais nas transmissões. Para piorar, o portal barrou meu laptop (o mesmo pelo qual acompanhei com sucesso os jogos da fase de classificação). E olha que assinei o pacote, embora tivesse recebido uma senha de cortesia. A resposta do serviço de atendimento ao cliente? Arranje outro laptop. Afe.

Pátria minha 3

Tem computador? Assina serviço de banda larga? O jeito é mergulhar no mundo da p2pTV e aprender a conjugar o verbo bufferizar.



E-mail melk@uol.com.br

Fonte: Folha de São Paulo

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