terça-feira, 3 de maio de 2005

Mais 4 anos de Grego

No Site Rebote

Aconteceu ontem o que todos esperavam.

O presidente da Confederação Brasileira de Basquete, Gerasime Bosikis, se reelegeu para o terceiro mandato à frente da instituição. O apelo destemperado de Oscar Schmidt na noite de domingo, ao vivo num programa de TV, de nada adiantou. Na sede do Jockey Club, no Rio, Grego recebeu 18 votos dos presidentes de federações, contra nove de Hélio Barbosa e nenhum de José Medalha. Com isso, ficará mais quatro anos no cargo, gerando protestos de vários setores do basquete nacional.


Giancarlo Giampietro e Fábio Zambeli, colunistas
do Rebote, analisam o resultado da eleição.


Giancarlo Giampietro:

A gestão da CBB se mostra um exemplo a ser seguido, não? Todos sabem o quanto ele trabalhou duro por seus votos. O presidente tirou o traseiro da poltrona, premiou os campeões de Uberlândia (de Minas Gerais, que ficou ao seu lado), sabiamente evitou a imprensa e bancou a torcida do Flamengo e um ou outro presidente de federação neste fim de semana no Rio para dar uma lavada na oposição.

Oposição, convenhamos, que não tinha razão de ser. O Nacional feminino é deveras competitivo, falta espaço nos abarrotados ginásios do Nacional masculino e o dinheiro está sobrando tanto que - sonhar é preciso - podemos até trazer alguns astros da NBA para cá, caso eles entrem em greve este ano. Pequim-2008, lá vamos nós!

Te cuida, Yao Ming, porque vai começar o terceiro ciclo olímpico da formiguinha!

Fábio Zambeli

O resultado e as cenas de pastelão que marcaram a eleição para a presidência da CBB eram previsíveis - são remakes de um mesmo filme. O ímpeto oposicionista não resistiu ao conformismo dos dirigentes de 18 federações, devidamente agraciados com as migalhas distribuídas pelo mandatário reeleito.

O mais grave do processo eleitoral é que não foi evidenciada uma alternativa real e de sustentabilidade técnica para a gestão de Grego, o que fragilizou o propalado “apetite por mudanças”. A candidatura de Hélio Barbosa - que já teve a entidade sob seu controle, ainda que indiretamente - ganhou relevo à sombra de mal explicados acordos com credores da confederação.

O nome de José Medalha carecia de densidade política e perdeu-se na retórica. Caberá a Gerasime Bozikis, ao iniciar seu terceiro mandato, a tarefa primordial de domar a rebelião de clubes personificada na figura de Oscar Schmidt. É questão de tempo: apesar dos berros do ex-cestinha nas telinhas e nos bastidores, o próprio acenou com a possibilidade de “barganha” com a CBB para o reconhecimento da “liga independente”.

As seleções? As categorias de base? Ah, que falta fazem os holofotes.


Fonte: Rebote

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