Kátia vira dona de casa e conta os dias para voltar
Marcelo Viana
Afastada há cinco meses por causa de uma arritmia, a pivô de Santo André passou a cuidar da casa durante o tratamento e aposta na volta às quadras
Santo André - A pivô Kátia, revelação de Santo André no último Campeonato Nacional de basquete, conta os dias para retornar às quadras. Afastada há cinco meses do esporte por causa de arritmia cardíaca, ela deverá voltar ao basquete em um mês, caso os exames constatem a cura. Para ela, o veredicto já está dado. “Tenho certeza de que vou jogar de novo. Será como se eu estivesse entrando em quadra a primeira vez”, sonha a atleta, de 21 anos, que aproveitou a folga forçada para virar dona de casa.
Proibida de fazer qualquer atividade física durante o tratamento, Kátia foi obrigada a mudar sua rotina enquanto não pode voltar ao esporte. Em vez de fazer bandejas, dar passes, tocos e pegar rebotes, usa sua força e seus 1m92 para lavar roupa, limpar a casa e pilotar o fogão. “Não sou muito boa cozinheira e nem dona de casa, mas tenho que me virar.”
O afastamento foi um susto para Kátia, que surpreendeu até mesmo sua técnica em Santo André, Laís Elena Aranha, por sua performance no Nacional do ano passado. Além de cestinha da primeira fase com média de quase 20 pontos por partida, foi a principal reboteira e a mais eficiente em tocos.
Serginho
Nas quartas-de-finais, contra o time de Uberaba, porém, passou mal em quadra e descobriu que tinha arritmia. Acabou afastada por precaução, mesmo porque ainda estavam muito vivas na cabeça de todos as dramáticas cenas da morte do zagueiro Serginho, do São Caetano, em pleno Morumbi, dias antes. O episódio provocou um “boom” de outros casos, como o da levantadora Daniela Lins, de Osasco, e o da própria Kátia. “Eu já passava mal nos treinos. Sentia tonturas, palpitação, além de dores no peito e de cabeça”, lembra a pivô, que nasceu em Suzano e está há oito anos em Santo André.
Médicos chegaram a dar carreira por encerrada
Desde que descobriu seu problema cardíaco, Kátia passou por um batalhão de 15 médicos e chegou a ouvir de um deles que sua vida como jogadora de basquete estava acabada. Proibida de fazer qualquer atividade física, chorava muito e chegou a entrar em depressão. Em janeiro, fez microcirurgia cardíaca e, há três meses, começou a tomar remédio.
Os resultados, segundo a pivô, têm sido excelentes. “Quase não sinto mais nada. Há dois meses, os médicos me disseram que eu tinha 80% de chance de voltar a jogar basquete normalmente.” Em um mês, passará por nova bateria de exames.
Mais animada, a pivô tem ido aos jogos do seu time. Apesar da falta de atividade física, manteve o peso de 79 kg e só precisará recuperar massa muscular quando voltar. “Vou ter que me readaptar, mas depois de tudo por que passei, vou estar mais forte para superar essas dificuldades.”
Gratidão faz Leila jogar de graça em Santo André
Marcelo Viana
Jogadora aceitou pedido da técnica Laís Aranha e vai defender clube no Campeonato Paulista sem receber salário. Estréia pode ser amanhã
Santo André - Uma dívida de gratidão levou a pivô Leila de volta para Santo André, que a revelou para o basquete. Como o time está sem patrocínio e passa por difícil momento financeiro, a jogadora abdicou de suas férias e aceitou jogar de graça o Campeonato Paulista. Em agosto, volta para a Espanha, onde tem contrato por mais dois anos. “Devo tudo a Santo André”, disse a pivô, que pode até estrear amanhã, contra Guaru, em Guarulhos.
A volta ao velho lar teve direito a muita emoção e lágrimas. Leila jogou os últimos oito meses no Celta de Vigo e voltou ao Brasil há pouco mais de 20 dias. Laís Aranha, técnica do Santo André, a procurou e pediu que ela jogasse no time, penúltimo colocado no Estadual. A resposta veio sem titubear. “Ela disse para mim e para a Arilza (Coraça, técnica nas categorias de base e assistente-técnica da equipe adulta) que a gratidão dela é tão grande que jogaria até de graça. Isso nos emocionou muito. Nos abraçamos e choramos”, contou Laís.
Leila considera Laís e Arilza como sua própria família. Afinal, começou a jogar basquete sob o comando delas aos cinco anos, inspirada na irmã Marta Sobral. Chegou à seleção adulta pelas mãos das duas, conquistando o título mundial (em 94, na Austrália), e o vice olímpico (em 96, Atlanta).
Retorno
Foi também graças a elas que Leila voltou ao basquete, em 2003, depois de ficar quatro anos longe das quadras por causa de cirurgia de cartilagem no joelho direito. Na época, engravidou e tinha até desistido de jogar, mas acabou ganhando uma chance em Santo André, que apostou em sua recuperação. O resultado é que ela voltou para a seleção e disputou a Olimpíada de Atenas. “Elas são como mães para mim. Devo muito a elas”, disse a ala/pivô, de 30 anos.
Leila recusou outras propostas para ficar em Santo André. Ourinhos, que vai disputar o Mundial Interclubes, e Ribeirão Preto, queriam levá-la, mas o coração e a vontade de ficar perto da família, que é toda de Santo André, falaram mais alto. Agora, a jogadora só espera a liberação de seu clube na Espanha para poder ser inscrita. Afinal, já assinou contrato de mais dois anos com o Celta, onde tem que se reapresentar no dia 1º de setembro. Até lá, estaria de férias. “Eu não queria ficar esse tempo todo parada. Por isso, resolvi jogar”, contou a jogadora.
Laís disse que está tentando conseguir um patrocinador à parte para pagar salário a Leila, que treina há uma semana com as colegas . “Não acho justo ela jogar sem ganhar. Vamos ver o que conseguimos.”
Reforços fazem equipe sonhar alto no Paulista
Santo André - A chegada de Leila foi recebida como um alento para o time de Santo André. De mero coadjuvante, a equipe acredita que pode sonhar mais alto no Paulista e até fazer frente ao Unimed/Ourinhos, líder e único invicto no torneio. “Podemos sonhar um pouco mais alto agora”, disse Laís, animada.
A chegada de Leila não foi o único motivo de comemoração para a treinadora, que perdeu a cestinha Katinha por contusão, há um mês. Depois da ala/pivô, chegaram a pivô Patrícia e armadora Mônica como reforços. Além disso, a pivô Kátia, afastada por arritmia desde o final do ano passado, deve voltar às quadras no mês que vem, ainda a tempo de disputar o Estadual.
Fonte: Diário de São Paulo
Marcelo Viana
Afastada há cinco meses por causa de uma arritmia, a pivô de Santo André passou a cuidar da casa durante o tratamento e aposta na volta às quadras Santo André - A pivô Kátia, revelação de Santo André no último Campeonato Nacional de basquete, conta os dias para retornar às quadras. Afastada há cinco meses do esporte por causa de arritmia cardíaca, ela deverá voltar ao basquete em um mês, caso os exames constatem a cura. Para ela, o veredicto já está dado. “Tenho certeza de que vou jogar de novo. Será como se eu estivesse entrando em quadra a primeira vez”, sonha a atleta, de 21 anos, que aproveitou a folga forçada para virar dona de casa.
Proibida de fazer qualquer atividade física durante o tratamento, Kátia foi obrigada a mudar sua rotina enquanto não pode voltar ao esporte. Em vez de fazer bandejas, dar passes, tocos e pegar rebotes, usa sua força e seus 1m92 para lavar roupa, limpar a casa e pilotar o fogão. “Não sou muito boa cozinheira e nem dona de casa, mas tenho que me virar.”
O afastamento foi um susto para Kátia, que surpreendeu até mesmo sua técnica em Santo André, Laís Elena Aranha, por sua performance no Nacional do ano passado. Além de cestinha da primeira fase com média de quase 20 pontos por partida, foi a principal reboteira e a mais eficiente em tocos.
Serginho
Nas quartas-de-finais, contra o time de Uberaba, porém, passou mal em quadra e descobriu que tinha arritmia. Acabou afastada por precaução, mesmo porque ainda estavam muito vivas na cabeça de todos as dramáticas cenas da morte do zagueiro Serginho, do São Caetano, em pleno Morumbi, dias antes. O episódio provocou um “boom” de outros casos, como o da levantadora Daniela Lins, de Osasco, e o da própria Kátia. “Eu já passava mal nos treinos. Sentia tonturas, palpitação, além de dores no peito e de cabeça”, lembra a pivô, que nasceu em Suzano e está há oito anos em Santo André.
Médicos chegaram a dar carreira por encerrada
Desde que descobriu seu problema cardíaco, Kátia passou por um batalhão de 15 médicos e chegou a ouvir de um deles que sua vida como jogadora de basquete estava acabada. Proibida de fazer qualquer atividade física, chorava muito e chegou a entrar em depressão. Em janeiro, fez microcirurgia cardíaca e, há três meses, começou a tomar remédio.
Os resultados, segundo a pivô, têm sido excelentes. “Quase não sinto mais nada. Há dois meses, os médicos me disseram que eu tinha 80% de chance de voltar a jogar basquete normalmente.” Em um mês, passará por nova bateria de exames.
Mais animada, a pivô tem ido aos jogos do seu time. Apesar da falta de atividade física, manteve o peso de 79 kg e só precisará recuperar massa muscular quando voltar. “Vou ter que me readaptar, mas depois de tudo por que passei, vou estar mais forte para superar essas dificuldades.”
Gratidão faz Leila jogar de graça em Santo André
Marcelo Viana
Jogadora aceitou pedido da técnica Laís Aranha e vai defender clube no Campeonato Paulista sem receber salário. Estréia pode ser amanhã
Santo André - Uma dívida de gratidão levou a pivô Leila de volta para Santo André, que a revelou para o basquete. Como o time está sem patrocínio e passa por difícil momento financeiro, a jogadora abdicou de suas férias e aceitou jogar de graça o Campeonato Paulista. Em agosto, volta para a Espanha, onde tem contrato por mais dois anos. “Devo tudo a Santo André”, disse a pivô, que pode até estrear amanhã, contra Guaru, em Guarulhos.
A volta ao velho lar teve direito a muita emoção e lágrimas. Leila jogou os últimos oito meses no Celta de Vigo e voltou ao Brasil há pouco mais de 20 dias. Laís Aranha, técnica do Santo André, a procurou e pediu que ela jogasse no time, penúltimo colocado no Estadual. A resposta veio sem titubear. “Ela disse para mim e para a Arilza (Coraça, técnica nas categorias de base e assistente-técnica da equipe adulta) que a gratidão dela é tão grande que jogaria até de graça. Isso nos emocionou muito. Nos abraçamos e choramos”, contou Laís.
Leila considera Laís e Arilza como sua própria família. Afinal, começou a jogar basquete sob o comando delas aos cinco anos, inspirada na irmã Marta Sobral. Chegou à seleção adulta pelas mãos das duas, conquistando o título mundial (em 94, na Austrália), e o vice olímpico (em 96, Atlanta).
Retorno
Foi também graças a elas que Leila voltou ao basquete, em 2003, depois de ficar quatro anos longe das quadras por causa de cirurgia de cartilagem no joelho direito. Na época, engravidou e tinha até desistido de jogar, mas acabou ganhando uma chance em Santo André, que apostou em sua recuperação. O resultado é que ela voltou para a seleção e disputou a Olimpíada de Atenas. “Elas são como mães para mim. Devo muito a elas”, disse a ala/pivô, de 30 anos.
Leila recusou outras propostas para ficar em Santo André. Ourinhos, que vai disputar o Mundial Interclubes, e Ribeirão Preto, queriam levá-la, mas o coração e a vontade de ficar perto da família, que é toda de Santo André, falaram mais alto. Agora, a jogadora só espera a liberação de seu clube na Espanha para poder ser inscrita. Afinal, já assinou contrato de mais dois anos com o Celta, onde tem que se reapresentar no dia 1º de setembro. Até lá, estaria de férias. “Eu não queria ficar esse tempo todo parada. Por isso, resolvi jogar”, contou a jogadora.
Laís disse que está tentando conseguir um patrocinador à parte para pagar salário a Leila, que treina há uma semana com as colegas . “Não acho justo ela jogar sem ganhar. Vamos ver o que conseguimos.”
Reforços fazem equipe sonhar alto no Paulista
Santo André - A chegada de Leila foi recebida como um alento para o time de Santo André. De mero coadjuvante, a equipe acredita que pode sonhar mais alto no Paulista e até fazer frente ao Unimed/Ourinhos, líder e único invicto no torneio. “Podemos sonhar um pouco mais alto agora”, disse Laís, animada.
A chegada de Leila não foi o único motivo de comemoração para a treinadora, que perdeu a cestinha Katinha por contusão, há um mês. Depois da ala/pivô, chegaram a pivô Patrícia e armadora Mônica como reforços. Além disso, a pivô Kátia, afastada por arritmia desde o final do ano passado, deve voltar às quadras no mês que vem, ainda a tempo de disputar o Estadual.
Fonte: Diário de São Paulo
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