terça-feira, 3 de maio de 2005

Como será o amanhã...?

Por Monique Vieira
Site BasketBrasil


Estamos a um ano da realização do Campeonato Mundial feminino no Brasil, mas percebe-se uma movimentação muito pequena com relação à Seleção Brasileira após a quarta colocação na Olimpíada de Atenas-2004, o técnico Antonio Carlos Barbosa está mais ocupado com o cargo político na Secretaria de Esportes de Bauru, e espero que a entrevista coletiva do presidente reeleito da CBB Gerasime Grego Bozikis nesta terça-feira possa esclarecer o que está sendo feito em termos de organização ou reformas nos ginásios que receberão o Mundial de 2006. Aliás, quais serão as sedes dos jogos? Só Rio, São Paulo e Minas, ou alguma das federações do Norte-Nordeste será premiada pelo voto em Grego? Sei que na correria tudo ficará pronto para o Mundial, mas nossa preocupação principal tem que ser com o time que defenderá a camisa amarela campeã mundial em 94, prata olímpica em 1996 e bronze em 2000.

A eterna Janeth chega nesta semana ao Houston Comets para a pré-temporada da WNBA e vai continuar sendo a cestinha da Seleção pelo menos até os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro em 2007, resta saber se a passagem da ala maranhense Iziane Marques, segunda cestinha do país nas últimas competições internacionais, pelo Ekaterimburg da Rússia e pelo campeão da liga americana Seattle Storm, vão credenciá-la a ser a sucessora de Janeth como líder do ataque do Brasil. Para o bem do nosso basquete, espero que Janeth vá sim à Olimpíada de Pequim em 2008, mas não como a principal arma ofensiva da Seleção, aos 39 anos de idade, se o time não se renovar mais nem conseguirá chegar às semifinais, pois as novas forças européias como Espanha, República Tcheca, França e Sérvia estão evoluindo, Estados Unidos, Austrália e Rússia estão um degrau à frente de todos, e China e Coréia do Sul sempre podem surpreender.

Se substituir Janeth é difícil, pelo menos no garrafão resta uma esperança, a gigante Alessandra já possui uma sucessora à altura. A revelação do Morro da Mangueira Érika de Souza, de 23 anos, está arrebentando no Campeonato Espanhol pelo finalista Barcelona, que conta também com a veterana ala-armador Helen Luz. Apesar das lesões que prejudicaram sua temporada, Érika teve médias de 20,1 pontos e 13,5 rebotes nas quatro partidas que disputou nos playoffs do Espanhol, comandando três vitórias do Barça, que adora o tempero brasileiro desde os dois anos nos quais contou com o ala-pivô Anderson Varejão e conquistou o bicampeonato espanhol e o título europeu de 2002, isso sem falar na paixão que Ronaldinho Gaúcho desperta com a camisa azulgrená no futebol.

Na fase de classificação, Érika teve uma performance de coadjuvante, com médias de 12,2 pontos e 9,8 rebotes, com o time catalão acabando na quarta posição. Mas seu crescimento foi fundamental para o Barça chegar à sua quinta final consecutiva, esperando o vencedor do duelo entre o atual campeão Ros Casares Valencia da cestinha espanhola Amaya Valdemoro e o Hondarribia Irún, da técnica brasileira Maria Helena Cardoso e da veterana estrela russa Elena Tornikidou, ex-Osasco. No primeiro jogo da série semifinal contra o líder Perfumerías Avenida Salamanca, Érika brilhou com 31 pontos, 11 rebotes e 14 finalizações convertidas em 19 tentativas em pouco mais de 34 minutos de ação, decidindo a vitória fora de casa por 81 a 77. Na partida de volta, no Palau Blau Grana, o Barça deu uma surra de 79 a 49 e Érika foi poupada, ficou só 19 minutos em quadra, mas mesmo assim anotou 10 pontos e 10 rebotes, ela é a Miss Double-Double. Neste fim de semana, a pivô torceu o tornozelo em um amistoso contra o time masculino do Barça, agora terá de fazer tratamento intensivo para não ficar fora das finais.

Campeã da WNBA como reserva de Lisa Leslie no Los Angeles Sparks, Érika interessa a diversas equipes americanas para jogar a temporada deste ano nos EUA. Tudo bem que ela jogou muito pouco pelo Sparks nos playoffs, mas o título vale muito para o currículo, assim como Leandrinho será valorizado se o Phoenix Suns sagrar-se campeão da NBA, com o brasileiro entrando poucos minutos na vaga do astro canadense Steve Nash. Na Olimpíada de Atenas, eu discordava quando o mestre Wlamir Marques pedia nas transmissões da ESPN Brasil que Érika tivesse mais tempo de jogo no lugar de Alessandra, eu a achava muito verde para isso, que corria risco de entrar numa fogueira, mas agora já deu para mudar de idéia, um bicampeão mundial merece mesmo ser ouvido.

Não dá para abrir mão da altura de 2m e a garra de Alessandra, que ganhou no braço aquele bronze para o Brasil em Sydney ao eliminar a Rússia nas quartas-de-final, mas Érika está fazendo por merecer um espaço maior na rotação. Quem sabe o técnico Barbosa pode escalar as duas pivôs juntas em alguns momentos para fortalecer a defesa, pois Érika está mostrando no Barça que também sabe arremessar de fora do garrafão como a ala-pivô Cíntia Tuiú. A Seleção não pode perder a chance de se renovar colocando as jovens para beber na fonte das mais experientes.

A recente microcirurgia no pé mostrou que a veterana Alessandra só tem mais este ciclo olímpico pela frente, provavelmente Cíntia Tuiú também, e Kelly não tem regularidade para ser titular da Seleção. Se Iziane já é titular, é hora de lançar Érika também, além de trabalhar com cuidado uma armadora para suceder Helen e Adrianinha, minha sugestão é Fabiana, do Santa Maria/São Caetano.

Que Barbosa aproveite a Copa América deste ano, que não vale em termos de classificação para o Mundial (por sermos país-sede, isso é bom ou mau?), mas é uma chance preciosa de moldar a Seleção do século 21 promovendo as garotas que foram vice-campeãs mundiais sub-23 na Croácia sob o comando do técnico Paulo Bassul, que também merecia ser promovido a técnico da Seleção principal, mas acabou demitido com o fim do Americana/Unimed e foi para a Espanha renovar seus conhecimentos.

O bicampeonato continental é o que o Brasil precisa para entrar no clima do Mundial e chamar a atenção da TV aberta, não é possível que vão deixar de transmitir ao povo essa competição tão importante em solo brasileiro. Ah, que inveja daquele Mineirinho lotado para a decisão da Superliga masculina de vôlei... Vocês lembram quando foi o último jogo oficial de basquete feminino transmitido em TV aberta? Façam o favor de refrescar minha memória, ou então não dispenso um pretendente simpático que queira pagar minha mensalidade de TV a cabo (risos). Ih, esqueci, não estão passando os jogos do Paulista nem em canal fechado. È isso aí, uma ressaca de Grego 12 anos não é brinquedo.

Bandejinha: Monique Vieira, 25 anos, é jornalista formada na Universidade Metodista de São Paulo, cobriu o Mundial de Indianápolis masculino além de diversas edições do Nacional feminino e volta ao Basketbrasil depois de um ano trabalhando numa assessoria do setor de telefonia.


Fonte: Basket Brasil

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