quarta-feira, 18 de maio de 2005

Basquete em família

Igor Ramos

Ribeirão pode se orgulhar de ter em suas equipes três representantes de uma mesma família que tem o basquete como pura vocação. As irmãs Karen e Silvia e o primo Nezinho nasceram para jogar basquete e o destino os colocou na mesma cidade, apesar de não terem nascido aqui.
O araraquarense Nezinho, filho de dona Sônia, brilha e já se tornou ídolo no COC/Ribeirão. O mesmo caminho de sucesso que pretendem trilhar as irmãs Karen e Silvia, filhas de dona Maria Elisa, irmã de Sônia, nascidas em São Paulo e que jogam pelo SME/Clube Verdade.
“Viemos para cá apostando no crescimento do basquete feminino em Ribeirão e temos o prazer de jogar juntas”, diz Silvinha, a irmã mais velha que completa hoje 23 anos.
A experiência de estar em família na quadra não é inédita para as duas. Desde pequenas, o destino sempre as aproximou. “Quando éramos pequenas, desde os 12, 14 anos já estávamos jogando. Foi assim na Microcamp e recentemente por Americana. Evoluímos, chegamos ao adulto e de novo estamos juntas”, conta Karen, a irmã mais nova, com 21 anos e armadora do time de Ribeirão. Orgulho maior, só o de ter jogado em Americana ao lado da tia Roseli, campeã mundial, pan-americana e vice-campeã olímpica em Atenas. “Tivemos esta sorte”,conta Sivinha.
Dentro de quadra as duas irmãs são unidas, mas fora dela preferem não ficar tão próximas. Coisas de irmãs. “A gente se entende até o segundo mês. Depois começamos a brigar muito quando ficamos muito tempo juntas”, brinca Silvinha. “Ficamos até em quartos separados para evitar confusão”, sorri Karen.
Mas quando estão na quadra defendendo a mesma camisa, o lado familiar fala mais alto. “Não aceito que briguem com ela. Sou protetora e meio mãezona. Como tenho um pouquinho mais de idade tento ajudar quando sinto que o jogo dela não está saindo como gostaria”, revela Silvinha. “Nos falamos pelo olhar. Ás vezes também brigamos na quadra e os outros nem percebem”, divertem-se.
A união desta família que vive basquete diariamente tem espaço para tietagem. Ambas não negam que são fãs de carteirinha do primo Nezinho, com o qual ainda não tiveram a chance de jogar, nem de brincadeira. “Ele joga muito. Assisto as partidas do COC e acho o basquete dele incrível. Ele é um artista. Pena que não jogamos juntos”, resume entusiasmada a prima Karen, que coincidentemente joga na mesma função de Nezinho, a quem vive pedindo dicas. “Ligo para ele e peço conselhos. Não tento fazer igual,mas me espelho na sua categoria”,conta Karen. Orgulhoso, Nezinho se interessa e participa da vida profissional da prima.
“Acho legal saber que posso opinar. Tem hora que dou pitacos até demais, mas sempre visando o bem. Vejo as duas grandes jogadoras e com futuro vitorioso pela frente”, retribui o armador, tetra campeão pelo COC.
E com razão. Afinal Silvinha já acumula a experiência de uma Olimpíada (Atenas) e uma temporada na Europa, pelo Barreira, de Portugal. Seu último clube, antes de ser contratada por Ribeirão.
Karen optou por jogar pelo SME/Clube Verdade, na certeza de que aqui conseguirá mostrar seu talento, apesar de jove m e com apenas dois anos jogando na categoria adulto. Nezinho, que já coleciona quatro títulos paulistas, tenta o bi-campeonato brasileiro e a chance de se firmar na seleção brasileira. Se depender da genética, o futuro do trio será como uma cesta de três pontos.


Fonte: Jornal A Cidade

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