Organização! O segredo para o basquete brasileiro
Por Juarez Araújo - 15:41 - 18/11/2004
Na semana passada, enquanto assistia pela TV o Torneio Internacional de Brasília, um dirigente do Boca Juniors, equipe convidada, soltou uma frase que me chamou a atenção, embora não seja nenhuma surpresa para quem acompanha o basquete nacional. ?Só falta ao Brasil se organizar. O dia que isso acontecer, não perde nunca mais?, disse o dirigente. Veja bem amigo internauta da AOL, a frase foi de um argentino. E lá no ginásio, quase em frente ao dirigente argentino, estava boa parte da cúpula da CBB: presidente, técnico, diretor...estáticos, como agem administrando a segunda maior força esportiva do mundo, menos no Brasil, claro.
Na realidade, há anos escuto essa frase de argentinos, uruguaios, colombianos, venezuelanos, porto-riquenhos, espanhóis, italianos... E assim vai pelo mundo afora. Mas nada muda. Não foi realmente surpresa para mim saber que o basquete brasileiro é rico, mais muito rico de talentos e que todos os países citados sabem e reconhecem isso. A mistura de raças, clima tropical e a extensão continental do país fazem com que a cada momento apareça um talento para os variados tipos de esportes praticados no Brasil. Mas quem se aproveita disso é o vôlei, que é o melhor do mundo e o segundo esporte brasileiro, perdendo só para o futebol.
O basquete nacional ainda não morreu porque é um esporte que mexe realmente com a paixão do torcedor. É o esporte, talvez, até mais apaixonante que o futebol. Sem querer fazer paralelo com nenhuma modalidade.
Compare o basquete, o jogo em si, com outra modalidade e tire as próprias conclusões. Se tiver condições, faça uma visita aos canais internacionais, acompanhando jogos da Liga italiana, espanhola ou até mesmo argentina. Vai perceber o quanto isso é verdade. E vai entender um pouco porque no Brasil a modalidade vai perder espaço para outros esportes.
Há muitos anos, quando passei a acompanhar o basquete brasileiro profissionalmente, vi a diferença em organização do basquete brazuca em relação aos outros países. Passei pelo momento amador no final dos anos 70, e depois o início do profissionalismo nos anos 80. A explosão de astros no início dos anos 90 e a decadência em seguida. Tivemos no basquete brasileiro, inúmeros craques solicitados para jogar em todos os cantos do mundo, como Oscar, Marcel, Israel, Rolando, Pipoka e tantos outros. No feminino, nem se fala.Tivemos as incomparáveis Paula e Hortência.
E o que eles deixaram? Muita coisa, mas em hipótese alguma aproveitadas pelos dirigentes, os grandes aproveitadores de ocasiões. O basquete feminino morreu. Já nem mais consegue chegar ao pódio olímpico e mundial. O masculino não se classifica para Olimpíadas. Em categorias menores perdemos tudo que existe de interessante. No Sul-americano feminino só deu Argentina. A Liga Nacional que era para ser próspera e com renda garantida, virou a "Liga do Busão".
Meu Deus, onde vamos parar? O fundo do poço está perto e não se vê absolutamente nada de projetos para mudar o quadro. Ou será que o basquete brasileiro está vivendo as mil maravilhas?
Enfim amigo internauta, no Brasil, o basquete é mais forte que imaginávamos. Nada dá jeito. O negócio é continuar tendo esperança. Mas é melhor ficar rezando sentado. De pé pode dar varizes.
De Bandeja
A Confederação Brasileira de Basquete, através da política, conseguiu estender o patrocínio da Eletrobrás também para as seleções masculinas. Há um ano, o patrocínio era apenas para seleções femininas. No ano que vem, o Brasil vai tentar uma vaga no Pré-mundial da República Dominicana e uma vaga para o Mundial do Japão, que será disputado em 2006. O feminino
já tem vaga garantida como país sede do próximo mundial.
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A ala Janeth Arcain, maior estrela do basquete feminino no momento e maior cestinha da história do Nacional, acertou com a equipe de Ourinhos para o final do campeonato. Janeth assinou apenas para disputar o Campeonato Nacional, já que ainda pretende jogar por mais uma temporada na WNBA, a Liga Profissional Feminina dos EUA. Houston Comets, onde jogou
por seis temporadas e foi campeã em quatro ocasiões e Sacramento já fizeram propostas a brasileira.
Fonte: Juarez Araújo, no AOL
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