quinta-feira, 7 de agosto de 2003

Dia de emoções fortes e notícias, até certo ponto, bombásticas

Por João Claudio de Lima Junior
Enviado Especial ao Pan



Santo Domingo, 06 de Agosto de 2003.

Bem, senhoras e senhores que acompanham o Blog do basquete feminino, valeu a pena ter ficado das 12:00 p.m até às 12:00 a.m. no Palacio de los deportes nesta quarta feira. Não só pela medalha de ouro da seleção masculina, da qual sou obrigado a comentar o conjunto e o espírito de amizade que há entre os jogadores, mas também pelas noticias que pude colher, além das análises, mas por enquanto deixar-los-ei um pouquinho curiosos.

O Brasil venceu Cuba como já devem estar sabendo e agora as meninas enfrentarão as americanas pela medalha de prata e depois as canadenses ou cubanas pela dobradinha dourada no basquete, ou o bronze. Esperamos que ouro. Mas a verdade é que podemos esperar qualquer coisa, pois as americanas não andam de brincadeira. Depois das declarações infelizes de Alessandra com relação ao desconhecido grupo norte-americano, as brasileiras vão pegar, provavelmente, pauleira nessa semi-final.

As americanas, em duas oportunidades fizeram mais de 90 pontos, mesmo com um grupo de garotas, das quais esperamos mais inconsistência. Contra a República Dominicana não é nada demais, porém enfiaram 93 nas argentinas. Grupo que considero bom na defesa, apesar da falta de pivôs na equipe. Jogam com sua base em três jogadoras. A já comentada 4, Carey, Rebbeca, creio que possui número 12 e a 13, Smith, acho... Elas são fortes e arremessam muito bem, por isso o Brasil tem que abrir o olho, pois está cheio de boas jogadoras no banco também, como a armadora de número 10! É uma equipe que joga em baixo e no perímetro muito bem, além de ser muito criativa. Alerta ligado!!!

O jogo com as cubanas me decepcionou um pouco, pois achei que o Brasil daria tudo de si e cometeria menos erros estúpidos como os que cometeu em jogos anteriores. O relógio segue sendo o tormento dessa equipe e a saída da pressão hoje deixou Barbosa louco, além do mais o sistema defensivo não rende a metade do que poderia ou deveria.

As cubanas não foram mais do que adversarias razoáveis e conhecidas. Não tinham um elemento surpresa, ainda que Yaquelín Plutín#6 y Sorín Yulisen#8, já são estrondosas. Dentro do garrafão Yamilet Martínez estava bem defendida e quem sobrou mesmo foi Alê no jogo.

Ainda que tenha melhorado a equipe continua mantendo-se muito inexpressiva, mas até que esteve mais alegre no dia de hoje. Sinto-as mais unidas também. O Brasil precisa se agitar mais e ser um grupo mais auto-motivável.

Como eu dizia em textos anteriores, eu averiguei o motivo da ausencia de Laís Helena Aranha nos pan-americanos de Santo Domingo. Perguntei diretamente ao presidente da CBB, o senhor Grego. De muito bom humor e simpatia ele respondeu que a Laís tem um grande medo de avião e que detesta viagens, que para levá-la para tocantins para enfrentar a Rússia foi um sacrificio. Eu não engoli muito a história, né? Mas não podia ficar interrogando o homem naquele momento, por isso resolvi achar legal a idéia dele. (...)

[*- Trecho suprimido pelo menos até o final do Pan, ou eu (Bert) falar com o autor dele ou com meu advogado]

(...)

Voltando ao jogo: Hoje tivemos uma equipe mais coesa e com um ritmo um pouco mais consistente, mas vão ter de jogar melhor que isso para ganharem do Estados Unidos e brigarem pela medalha de ouro. Soa até extranho que essa equipe tenhaa um time de juvenis, né? Pois é...a vida é assim mesmo.

Comentarios individuais:

Alessandra: Qualquer elogio é pouco, muito pouco! A pivô não saiu um segundo sequer em quadra e não foi mera loucura do Barbosa, ela jogou muito. Uns diriam que é obvio, já que a jogadora fez 20 pontos e 13 rebotes o que é um número altísimo, mas não...A jogadora, por incrível que pareça não se destacou tanto ofensivamente. O destaque de Alê foi atrás na defesa, onde eu a havia criticado uma barbaridade e onde as cubanas e americanas são perigosíssimas. Ela simplesmente impediu Yamilet de desenvolver seu trabalho e lá dentro só fizeram pontos em jogadas rápidas. Claro que ela não foi perfeita! Uns errinhos de ajuda foram cometidos o que comprometeram um pouco a equipe, mas no geral ela arrebentou.
Nota:9.5

Cíntia Tuiu: Também o seu melhor dia no Pan até aquí. Não foi nem tão ofensiva, nem tão defensiva quanto Alê, mas soube jogar nos momentos certos, tirando proveito da falha defesa cubana. A agressividade no ataque melhorou, seus fundamentos são bem melhores que o da Alê, só falta um pouquinho mais de consistencia e explosão dentro de quadra para a Cíntia arrebentar de vez no pan-americano. Espero que aconteça logo, pois só faltam dois jogos. Nota:8.9


Micaela: Injustiçada pela arbitragem que a carregou em faltas, algumas inexistentes mesmo, inapitáveis. Defendeu muito bem a perigosíssima número 8, Yulisen. A única que o fez com precisão. Quando Caé esteve fora nenhuma outra foi capaz de fazer seu serviço e a produção de Cuba, centrada na já comentada jogadora e em Yaquelín Plutín cresceu muitíssimo. Sua ofensiva andou se complicando, mas foi a primeira vez que a vejo jogando na posição três, que é a que ela ocupa desde o primeiro jogo. Flutuando no garrafão, senti confiança na relação entre elas e as outras pivôs. Se Caé tivesse se mantido até o final acredito que poderíamos ter até sido primeiros do grupo. Nota:9.0

Silvinha: Foi muito regular e não forçou o jogo. Inteligente e consciente foi capaz de ajudar e muito a armadora Adrianinha na condução de bola. E mesmo sendo pouco efetiva acho que sua regularidade fez de Silvinha uma melhor opção que Víviam no jogo de hoje.Defensivamente não teve destaque, talvez por isso Víviam tenha entrado Nota:8.0

Adrianinha: A melhor jogadora deste Pan, do Brasil e entre todas as seleções. Ela arrasou no jogo de hoje. Deu passes muito bons para as pivôs, organizou o jogo todo, pontuou e pegou rebote como se tivesse 2.00m de altura. Estava tão bem que o técnico botou marcação especial para ela, ma só que diga-se de passagem não funcionou, pois a armadora "bajita" do Brasil espetacularizou o jogo de hoje. Parabéns, Adrianinha, não só pelos 21 pontos e 10 rebotes, mas por tudo aquilo que você apresentou na defesa e organização do jogo e além do mais mantendo a regularidade. Nota:100

Kelly: Única pivô utilizada por Barbosa, vindo do banco, o que acho, diga-se de passagem, um absurdo, pois pivô é uma posição muito desgastante e se faz mister a rotação constante desta figura dentro da equipe. É muito difícil vermos uma pivô atuar os 40 minutos numa wnba, nem Lisa Leslie. Tem que saber ponderar, mas voltando a Kelly. Ela entrou bem. Não foi espetacular, mas usou seu corpo. Deu bons tiros, mesmo que tenha errado alguns e foi fortísima no rebote, o que por vezes que não aconteceu. Muito ligada, Kelly cometeu pouquíssimos erros, tanto na defesa como no ataque, quando começou a cansar, Barbosa rapidamente voltou com Tuiu. Nota:8.8

Mamá: Não jogou. Deveria ter sido experimentada, pois sabemos que vamos necesita-la neste jogo contra o Estados Unidos e não poderiamos dar essa mancada de mantê-la no banco. Espero que a jogadora não tenha se frustrado.

Líliam: Pior jogadora em quadra e pior partida dela neste pan. Líliam, muito lenta na defesa foi a maior responsável pelo crescimento de Cuba. A jogadora entrou perdida na quadra. Sonolenta mesmo. Perdeu bolas, cometeu violações e defendeu tão mal como ainda não havia visto. Não demonstra jogo para estar nesta seleção e acho que Barbosa tem que estar observando isso de perto, por mais que nos jogos nos clubes e em treinamentos ela esteja rendendo, porque na seleção em jogos oficiais ela está muito, mas muito mal mesmo. Nota:3.0

Víviam: Oscilou momentos de grande maestria, com outros de mediocridade adolescente. Essa jogadora que hoje não defendeu bem como em outras partidas, errou muitas bolas e não contribuiu muito com o trabalho da armadora Adrianinha na condução de bola, no entanto Víviam amenizou um pouquinho a sua situação, porque no ataque a jogadora chamou a responsabilidade, batendo para dentro e fazendo cestas de muito efeito. Espero que ela saiba equilibra melhor o jogo da próxima vez, mas certamente está no caminho certo, pois eu, sinceramente, não gostava do jogo dela e aprendi a admirá-la grandiosamente neste pan. Se continuar assim, mesmo cometendo alguns erros torpes, merece ir ao pré-olímpico. Nota:8.0

Jacq Godoy: Entrou pouco, já no finalzinho do jogo, mas não em lugar de Adrianinha, senão agindo da forma que eu quería ver, ou seja, mandando Adriana para a posição dois, mas na verdade não funcionou muito, mesmo porque Adriana teve pouco tempo para sua ofensiva e Jacq continua errando coisas bobas, porém vem se mostrando uma grande defensora e sempre que entra se destaca neste sentido. Nota:7.8

Ega: Não jogou, mas não houve mesmo necessidade do seu jogo hoje.

Renata: Não jogou, mas deveria ter entrado quando Caé saiu com cinco faltas, pois Líliam que já havia recebido sua oportunidade jogou mal, talvez Renata podería ter jogado muito, mas muito melhor! Se liga Barbosa!

Barbosa: Muito desligado do aproveitamento de suas jogadoras em quadra. Ele põe uma menina para fazer uma função e depois muda de jogadora posteriormente, aí ele a tira porque a jogadora não realizou seu trabalho, ao invés de buscar uma outra solução ele insiste com a que havia posto antes e o que cria é um grande buraco no esquema sem possibilidades de novas soluções e acaba desanimando o grupo, porque nada pior do que um problema pendente sem poder ser resolvido e o técnico sem dar as armas necessárias, então fica mesmo difícil, além do caso Laís, que pelo visto não deve nem fazer parte da comissão, se ainda faz eu se fosse ela sairia, pois imagina que eu aceitaria uma situação dessas... Acho que Barbosa deveria ser um pouco menos orgulhoso e escutar as instruções alheias também. Nota:6.0

O Brasil, como viram ganhou de Cuba, agora não podemos nem pensar em d....., não é bom nem pronunciar o nome, né? Risos... Agora é a hora dessas meninas mostrarem a raça que elas têm e destruir adversarias...Contamos com isso. Por hoje é só.

Avante Brasil!!!

Nenhum comentário: