Ao ver a nova lista de Paulo Bassul, tive a impressão de estar escutando um CD recém-lançado. De um artista brasileiro no topo das paradas, mas que pressionado pela gravadora, assustado com a pirataria, temeroso com a reação do público, acaba engessado e coloca num mesmo álbum um funk, um samba, um pagode, um axé, flerta com o brega e a MPB e oferece uma regravação na faixa-bônus.
Igualmente múltipla foi a primeira convocação de Bassul sob o novo comando na CBB. Acho legítima a convocação de cada um daqueles vinte e quatro nomes, embore alguns não passassem na minha peneira. O que me preocupa é que há música para todos os gostos. Resgaste das campeãs mundiais? Estão lá Alessandra e Helen. As “ausentes” Érika e Iziane? Também. As “cestinhas do Brasil”? Dá-lhe Palmira e Tayara! Quem foi para Pequim? Sim! E para quem reclamava da falta das meninas do sub-21? Estão lá elas: Clarissa, Iza e Jaqueline. E por fim, para quem pedia uma novidade? Mariana e Nádia.
Ou seja, a convocação parece agradar gregos e troianos. Ontem, logo que a convocação saiu, chequei meu e-mail e me lembrei de convocações anteriores, em que muitas ausências eram sentidas. Dessas vez, acho que com mais três nomes (Zaine, Ísis e Silvinha Luz), talvez ninguém mais questionasse: “Por que ela não foi convocada?”.
A lista é ampla, boa, mas não deixa transparecer ao certo o que Bassul e sua comissão técnica planejam. Confesso que o excesso de experiência me causa inquietação, principalmente num momento de tamanha delicadeza. Mas espero sinceramente que não falte habilidade para que entre essas 24, seja feita a decisão mais justa e inteligente. Para o bem do nosso basquete.
Faixa-a-faixa:
1) Adrianinha – vem de extraordinária temporada na Itália. Incontestável.
2) Natália – da nova geração continua sendo a melhor opção de investimento, apesar da temporada irregular em Americana (mas quem não foi irregular nesse Paulista?).
3) Mariana – merece a avaliação, já que está longe dos olhos do técnico. E se Maomé não vai a montanha…
4) Helen – apresentada no release da CBB na posição 2, a armadora é um reforço bastante interessante. Será que Bassul vai repetir o que fez Barbosa no Mundial da China - 2002 (Adrianinha –1, Helen – 2)? Até Helen se machucar, deu resultado.
5) Palmira – está aí a chance dela, após dois anos de ausência. Seus acordes parecem destoar um pouco, mas vamos ouví-la primeiro.
6) Karen – teve uma boa temporada no Paulista. É a “sua vez”.
7) Karla – ainda uma grande referência no basquete interno, tem nova chance, após desafinar em Pequim.
8) Jaqueline – sub-utilizada em Catanduva, tem (merecida) chance na seleção.
9) Tayara – reprovada nas avaliações para o Pré-Olímpico (Chile) e nos amistosos com Cuba, a ala ganha nova chance. Só pergunto: o que fez de lá para cá para merecê-la?
10) Iziane – um hit, mas parece que a faixa está furada. A situação é complicada. E Hortência está levando a sério demais a missão de reintegrá-la. O fato de ainda não ter confirmado o retorno parece tranquilizar no sentido de uma decisão um pouco mais equilibrada. E não em um triunfal “a rainhazinha vai voltar, peguem o tapete vermelho e deixem ela chutar todas”. Apesar da qualidade, Iziane tem que se adequar à filosofia de basquete que o treinador ditar. Sozinha, não salvou nem o Extrugasa do rebaixamento da Liga Espanhola. Salvaria a seleção brasileira do fiasco olímpico?
E pra quem insiste na irregularidade das jogadoras que estão aqui, sugiro uma olhada nos números de Iziane na WNBA. Essa semana, no sensacional blog Pleasant Dreams, irritado com Iziane, o autor promete que encerrará com a insitência da técnica do Atlanta (Marynell Meadors) com a brasileira e ‘ameaça’: “Um dia, Iziane, acharei as fotos que você guarda, que mostram a Marynell cometendo um assassinato.” Rá-rá-rá!
11) Chuca – convocação absolutamente desnecessária, na minha opinião.
12) Micaela – com atuações fracas em Pequim, no Nacional e no Paulista, é a chance de a ala mostrar que ainda tem poder de fogo.
13) Sílvia Gustavo – reabilitada por Ferreto, ela está de volta. Merecidamente.
14) Fernanda Beling – vive situação semelhante à Karen: “ou vai ou racha”.
15) Izabela – convocação inesperada, mas que me agradou bastante. Alguém poderia cuidar do basquete dessa menina?
16) Franciele – ouse, Bassul! E dê espaço a essa garota.
17) Karina Jacob – vaga merecida.
18) Mamá – acredito que seja a hora de a pivô passar o bastão à nova geração. E se o critério é técnico: por que não Zaine?
19) Flávia – um retorno também merecido, mas a pivô está disputando as finais do Paulista machucada (mais uma vez).
20) Kelly – depois do que fez em Pequim, vou falar o quê?
21) Nádia – ótima decisão.
22) Clarissa – uma convocação absolutamente merecida, depois do que fez aqui e em Portugal.
23) Érika – se vier, será (muito) bom.
24) Alessandra – ela nunca nos deixou na mão, nos treze anos que vestiu a camisa da seleção.