Não sei se já publiquei esse post alguma vez, mas a ideia de escrevê-lo me persegue há alguns anos sempre que vejo as atuações da ala-pivô Carina Felippus, 31 anos e 1,84m.
Desde que retornou dos Estados Unidos, Carina é certamente das melhores jogadoras que atuam por aqui.
De uma oportunidade em Guarulhos, Carina logo foi fisgada para Catanduva e depois passou por Ourinhos até chegar a Americana.
Nesses três clubes que dominam o cenário nacional nos últimos anos, Carina sempre obteve espaço e destaque.
É daquele tipo de jogadora que aconteça o que acontecer, mantém-se protutiva com regularidade, o que talvez seja a causa desse seu brilho discreto.
Carina é inteligente, tem bons fundamentos, um belo arremesso na meia distância, tem visão de jogo e é disciplinada.
Defendendo o líder do campeonato ontem, Carina teve uma atuação maiúscula, com 20 pontos (9/12 nos dois pontos) e 4 rebotes.
Há oito anos entrevistei a ala Aide e quando a questionei sobre o fato de ela nunca ter recebido uma convocação para a seleção, ela me citou três fatores:
“Primeiro porque acho que meu estilo de jogo não agrada ou não se encaixa na filosofia deles; segundo porque pelo fato de por muitos anos eu ter atuado em equipes médias, isso pode ter estreitado as minhas oportunidades de conquistar um espaço na seleção; terceiro porque não entendo o critério de convocação que é utilizado por eles e aproveito a oportunidade para que se faça essa pergunta, pois acho que sanaria não só a minha duvida como a de muitas outras pessoas.”
A resposta de Aide ficou sempre marcada em minha memória e ressoa quando vejo casos como o de Carina.
Por que Carina nunca mereceu uma única convocação para a seleção?
Os argumentos mais recorrentes são os de que seja “velha” e “baixa”.
Pois enquanto a velha baixa estava por aqui, assistimos a ala Sílvia Gustavo ser improvisada na posição 4 durante a disputa do último Mundial, sendo que apenas três anos e dois centímetros separam as duas. Por alguns poucos minutos na mesma competição, assiti ainda um dos lances mais bizarros de toda a história do basquete feminino nacional, quando o espanhol Carlos Colinas -do alto de sua sabedoria- colocou Fernanda Beling para ocupar a mesma posição.
A verdade é que os critérios de convocação por aqui continuam “elitistas”, melindrosos e impenetráveis e excluem automaticamente nomes como os de Carina, que parecem nunca suficientemente bons.