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terça-feira, 29 de junho de 2010

ENTREVISTA – Zheng Haixia (1996)

haixia A pivô chinesa Zheng Haixia foi também protagonista na maior conquista do basquete brasileiro – o Mundial da Austrália (1994). A gigantesca jogadora ficou com a prata na ocasião. Na minha memória ficou marcada uma entrevista de Zheng à Folha de São Paulo em 1996, ano em que ela reencontraria Paula e Hortência na disputa olímpica em Atlanta (1996). O Renato recuperou esse texto, que eu compartilho com os leitores:








Encerrar a carreira com uma medalha de ouro na Olimpíada de Atlanta-96 é o sonho de Zheng Haixia, 28, a mais alta estrela do basquete feminino chinês.




Com seus 2,04 m de altura, ela solta o sorriso maroto e ressalva: "Mas antes disso, quero vencer, em outubro, nos Jogos Asiáticos que serão realizados no Japão".




Zheng aumentou a carga de treinamento e em vez das quatro horas diárias, saltou para seis. Num dos intervalos entre os exercícios, ela recebeu a Folha.




Quando entrou na sala de visitas do centro esportivo, precisou "fazer uma ginástica" para não bater a cabeça no batente da porta.




"Nos Jogos Asiáticos, a Coréia do Sul representa nosso principal adversário", constata a jogadora.




Mas, acrescenta, que as repúblicas que formavam a União Soviética, como o Cazaquistão, também serão adversários difíceis. Têm tradição na modalidade. Nas décadas de 60 e 70, e início de 80, a hegemonia mundial nos torneios femininos era dos times soviéticos.




Zheng faz a análise com sua voz grossa, quase masculina.




Cabelos presos por uma fivela, veste uma camiseta do time profissional norte-americano de basquete do Chicago Bulls e uma bermuda xadrez.




No pulso esquerdo, o toque feminino de duas pulseiras de pano.




A lista de títulos colecionados por Zheng em sua carreira não é tão alta. Neste ano, faturou os Jogos Universitários Mundiais.




Nas três Olimpíadas que participou, o melhor resultado foi em Barcelona 92, medalha de prata, enquanto nos quatro Mundiais jogados, chegou a um vice-campeonato neste ano na Austrália, quando a China foi derrotada pelo Brasil.



"Admiro muito a Hortência e a Paula, em especial o espírito de luta delas", diz Zheng.







Mas as memórias do Brasil não estão ligadas apenas à derrota.



A "gigante chinesa" lembra que na última vez que esteve em São Paulo, no ano passado, conseguiu encontrar várias lojas com roupas para o seu tamanho.


 


"Isso não é muito comum", lamenta a jogadora, que é atração em todos as partes do mundo onde a seleção chinesa costuma jogar.







A tarefa árdua de achar roupa só fica um problema menor se comparado com as dificuldades que Zheng enfrenta para entrar em um carro.



"Isso é terrível", reclama. "Ninguém pensa em pessoas da minha altura quando desenha um carro."


 


Para driblar esse problema, a atleta recorre, com frequência, a uma saída chinesa. Vai de bicicleta. Viagem de avião também pode criar problemas. "Só vou de primeira classe", sentencia ela.



Zheng não tem namorado e diz que suas preocupações atuais excluem casamento e a idéia de ter filhos.



Perguntada se a altura vai dificultar a busca por um "príncipe encantado", ela solta uma gargalhada e responde em estilo de provérbio chinês: "Problemas de altura e beleza não impedem um amor verdadeiro".







A carreira no basquete começou em 1979, quando Zheng tinha 12 anos e 1,74 m de altura. Em casa, a caçula sempre chamou atenção pela altura.




"Meus pais tinham um tamanho normal e entre meus quatro irmãos, o maior tem 1,80 m", conta ela, que adora jogar basquete.




Zheng Haixia gosta de música (clássica e popular chinesa) e leitura, atividades que ocupam seu tempo livre, ou melhor, os momentos que está desobrigada dos treinamentos e exercícios.




Aproveita também esses períodos para ensinar esporte, dedicando-se especialmente ao trabalho com crianças, outro prazer.




Essência de jasmin é seu perfume preferido, bem como as cores preto e vermelho.




Apesar do corpo avantajado (2,04 m de altura, aproximadamente 110 kg), suas preferências alimentares surpreendem: peixes e frutas. Mas ela detesta cozinhar.




Hoje, quando não está na seleção, Zheng joga no "Primeiro de Agosto", o time do Exército e campeão nacional.




Pensando em terminar a carreira em 96, ela desenha os planos para o futuro: "Não quero me afastar do basquete, quero contribuir para o desenvolvimento do esporte em nosso país, talvez como treinadora de crianças ou dirigente".




"Acho que nosso basquete tem um futuro brilhante pela frente", opina Zheng, com otimismo.




A pivô, estrela da seleção de seu país, afirma que o número de admiradores está crescendo.




"Por isso vamos nos desenvolver ainda mais", diz a jogadora, embebida por um otimismo chinês.







domingo, 27 de setembro de 2009

CBB repete homenagem às campeãs mundiais durante Copa América

20090927_289696_2609_Homenagem_gde A delegação brasileira medalha de ouro no Campeonato Mundial Adulto Feminino da Austrália foi homenageada pela segunda vez pela CBB. O presidente da entidade, Carlos Nunes, entregou um quadro com a foto oficial da equipe em 1994. Estiveram presentes as jogadoras Adriana Santos, Alessandra, Cintia Tuiu, Dalila, Helen, Hortência, Janeth, Roseli e Ruth. A comissão técnica foi representada por Raimundo Nonato, Miguel Ângelo da Luz e Sérgio Maroneze.
 
— No dia 13 de junho, no Rio de Janeiro, fizemos uma homenagem para elas no intervalo do quinto jogo da final do NBB. Mas fizemos questão de trazê-las para Cuiabá porque aqui delas estariam torcendo pela seleção brasileira e revivendo a emoção de uma Copa América. Precisamos manter viva na lembrança as conquistas do basquete brasileiro — afirmou o presidente da CBB, Carlos Nunes.
 
— Voltei a defender a seleção brasileira depois de três anos e no mesmo dia que classificamos o Brasil para mais um Mundial recebemos essa homenagem pelos 15 anos de uma conquista inédita. Foi muito bom e emocionante rever minhas companheiras e dividir o carinho com a torcida. Eu só tenho que agradecer pela lembrança — disse a pivô Alessandra.

sábado, 26 de setembro de 2009

Adriana participa da homenagem pelo título mundial

A jogadora da VivoSabor/Unimed/Folhamatic, Adriana Santos, vai receber neste final de semana uma homenagem da CBB (Confederação Brasileira de Basketball) pelos 15 anos de conquista do Campeonato Mundial. A homenagem vai ser realizada na Copa América que acontece até o dia 27 de setembro, em Cuiabá (MT).

“Receber esta homenagem é muito gratificante. O titulo que conquistamos em 1994 significou muito para mim e para a minha carreira. Foi a minha conquista mais marcante. Foi a partir desse título que a seleção brasileira passou a ser respeitada. Depois dele, conquistei pela seleção a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atlanta (1996) e a de bronze em Sydney (2000)”, falou Adriana.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A final do Mundial 1994 no YouTube

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O bom aviso veio na caixinha de comentários: a final do Mundial de 1994 (Brasil x China) está no YouTube. Imperdível!

terça-feira, 30 de junho de 2009

ENTREVISTA – Leila Sobral

69b Entre as passagens mais marcantes da conquista do Mundial de Basquete há quinze anos, estão as atuações de Leila Sobral. Mais conhecida até então por ser a “irmã da Marta”, a pivô saiu do banco (aos 19 anos) com uma força incomum nas partidas decisivas contra Estados Unidos (13 pontos, 8 rebotes e 4 recuperações) e China (14 pontos, 5 rebotes, 4 recuperações, 4 assistências). Sua participação avassaladora ficou eternizada nos gritos de um emocionado Luciano do Valle e na sua escolha como revelação do torneio. Essa impressionante estréia internacional é seguida por um enredo de porte semelhante: dois anos mais tarde, ganhou a prata em Atlanta (8 ppj). Em seu segundo Mundial, ficou na quarta colocação (Alemanha, 1998 – 11,8 ppj). Depois do torneio, resolveu deixar o ‘berço’, em Santo André, e se aventurou numa breve passagem na WNBA e no basquete grego. No ano seguinte, ao retornar a seleção no Pan-Americano de Winnipeg (9,4 ppj), teve uma lesão grave no joelho. A jogadora iniciou um processo contra o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), alegando falta de apoio na recuperação. Foram quatro anos de recuperação lenta, durante a qual a sensação era a de que o basquete havia perdido Leila. Mas a pivô voltou à luta em Santo André e foi novamente chamada para a seleção, da qual acabou titular em Atenas (2004 – 3,7 ppj). Na entrevista abaixo, Leila, aos 34 anos, revê sua trajetória, e mesmo dividida entre os papéis de dona-de-casa, mãe, administradora de um buffet e a gravação de um CD gospel, surpreende com um “Quem sabe eu não jogue no Campeonato Nacional?”.

1) Leila, assim como eu, muitos amantes do basquete ficaram felizes em revê-la, após uma longa ausência, na homenagem da CBB às campeãs mundiais. Por onde você tem andado e a que tem se dedicado desde o retorno da Espanha? No ano passado, chegou a ser noticiada uma negociação sua com a equipe de Florianópolis para a disputa do Campeonato Nacional, que não se concretizou. Sua carreira como jogadora de basquete está encerrada?

Realmente estou há muito tempo sem competir. Tenho investido meu tempo em muitas coisas. Fora as responsabilidades como mãe e dona de casa, tenho um buffet (o Buffet Sobral) e participo de uma ONG, junto a membros da minha igreja, que atende crianças e moradores de rua. Ainda estou dando andamento a um grande sonho, que é a gravação de um CD gospel.

Eu joguei em Santa Catarina e tanto a [técnica] Marli, como as meninas me receberam muito bem e tenho uma consideração enorme por elas. Por isso fiquei triste, já que não conseguimos chegar a um acordo financeiro para que eu disputasse o Nacional. Mas eu ainda não consegui encerrar minha carreira. Sempre que penso em parar, aparece uma proposta tentadora... Tenho alguns convites para jogar fora, mas preciso me preparar e enfatizar a parte física. E acho que só conseguiria isso com um acompanhamento dentro de uma equipe. Quem sabe eu não jogue no Campeonato Nacional?

Em relação à homenagem, foi muito emocionante rever as meninas daquela geração. Na minha cabeça por todo aquele dia ficou passando um filme dos momentos que vivemos juntas. Já no caminho para a Arena, me sentei do lado da Paula e relembramos vários fatos divertidos daquela campanha.

2) Sua participação no Mundial foi simplesmente inesquecível. Aqui do Brasil, não pudemos acompanhar os jogos da primeira fase. Mas, nos jogos finais, sua atuação foi absolutamente decisiva em fundamentos como recuperações e rebotes, em que a seleção era muito carente. Queria que você dividisse conosco as lembranças desse momento e nos contasse de onde surgiu essa força surpreendente para uma garota de 18 anos encarar lendas do esporte como a americana Katrina McClain e a chinesa Zheng Haixia.

Na verdade, eu nem sabia quem era elas [Risos]. Apenas fiz o que eu melhor sabia fazer. A recuperação de bola sempre foi uma característica do meu jogo. E naquela época, eu não tinha um arremesso muito bom. Mas isso não era problema, porque a seleção tinha jogadoras experientes que exerciam essa função.

Acabei ficando muito surpresa ao ser escolhida como destaque pela organização do Mundial. E a partir daí, passei a entender melhor que o basquete não é um esporte que se vença só com o ataque, mas também na defesa.

Ainda hoje me lembro de alguns momentos com a chinesa Haixia. Meu Deus, como era grande! Mas felizmente era lenta, e pude aproveitar esse ponto fraco dela.

comemoracao 3) A ausência de sua irmã, Marta, havia sido uma das grandes polêmicas antes do Mundial. Dois anos depois, vocês duas estiveram juntas na também bela campanha da prata em Atlanta. Me recordo de uma matéria em 1993, na Copa América, na qual vocês comentavam que até então nunca haviam dividido a quadra (quando uma entrava, a outra estava no banco). Como foi esse reencontro coroado com uma medalha olímpica?

Sempre foi um sonho meu poder atuar com as minhas irmãs. E foi muito bom estar com a Marta, em Atlanta. Ela é uma irmã protetora e isso me dava uma segurança maior.

Admiro muito a Marta. Acho que na posição dela, foi a jogadora mais técnica que já tivemos.

No pódio, tive um ataque de choro. Chorava de alegria. E ela estava lá para me abraçar. Penso que se ela estivesse no Mundial, as coisas pudessem ter sido mais fáceis.

4) Por falar em família, você faz parte de uma muito rica em grande atletas. Além de você, Marta, há ainda a Márcia e o Jéferson. Você acha que a família já nasceu com o talento para o basquete ou que foi uma habilidade desenvolvida a partir das oportunidades abertas pelo destaque que a irmã mais velha obteve?

Acredito muito em dom, em talento nato, que vem de Deus. Mas há talentos que desenvolvemos a partir de treinamentos. Acho que minha família foi privilegiada. Iniciamos cedo na modalidade e isso ajudou muito. E acima de tudo, amamos muito o que fazemos e isso ajuda a superar todas as dificuldades.

5) Logo após seu segundo Mundial (quarto lugar, Alemanha, 1998), você acabou saindo do seu país: primeiro para uma rápida passagem na WNBA, e após no basquete grego. Hoje como você enxerga essas experiências, sua maturidade na época para enfrentá-las e o impacto sobre suas condições físicas?wbasket02leilaleslie

Minha saída foi essencial naquele momento. Eu precisava crescer como atleta. Ficava muito na barra das saias da Laís e da Arilza, que são como segundas-mães para mim.

Era necessário mostrar que eu poderia me dar bem em outras equipes. Foi muito duro. Sofri bastante. Mas crescemos mais com as dificuldades do que com as conquistas.

6) No ano seguinte, ao disputar o Pan-Americano (1999), você teve uma lesão grave que a tirou das quadras e deu início ao momento mais complicado da carreira. Em função da lesão, você abriu um processo indenizatório contra o COB. Que fim teve esse processo? Você se recuperou plenamente daquela lesão ou ela acabou definitivamente mudando sua condição de jogo?

Quando falei em dom de Deus, me referia a esse episódio. Fiquei quatro anos sem poder caminhar normalmente,tive uma gestação, mas ainda assim superei essa grande frustaçâo. Só mesmo para quem acredita em milhagres. Foi o momento mais difícil da minha vida. Estava no auge da carreira, com vários planos. Não me conformava em encerrá-la daquela forma. Os médicos já tinham decretado a minha sentença e advertido que se um dia eu voltasse, nâo seria mais a mesma.

Depois de quatro anos, voltei a treinar em Santo André, com a Laís e a Arilza. No começo, senti muita dificuldade. Depois passei por outras equipes, até ir para Espanha, onde fiquei por três anos. Meu jogo mudou sim. Ganhei mais consciência e maturidade. Mas nunca vou jogar da mesma maneira que jogava quando tinha dezoito anos, apesar de não ter nem sentir absolutamente nada no joelho.

Em relação ao processo, troquei de advogado, mas ele segue na Justiça.

7) Poucos acreditavam que você pudesse se recuperar e voltar a jogar em alto nível. No entanto, você surpreendeu a todos e foi titular da campanha da seleção nas Olimpíadas de 2004 (quarto lugar, Atenas). Qual foi sua maior motivação para a recuperação e quem foram as pessoas fundamentais nesse processo? E qual foi a sensação de disputar a segunda Olimpíada, depois de tantos problemas, mesmo sem voltar a ganhar uma medalha?

48b Esse retorno foi uma responsabilidade em dobro. Parecia que estava sendo convocada pela primeira vez. Precisava mostrar que estava bem, mesmo não estando em meu peso ideal. Tinha que mostrar a todo instante que podiam confiar em mim. Sei que foi muito difícil receber o crédito da comissão técnica.

A minha situação ali era de uma novata. Até mesmo a ajuda de custo que recebi no período foi igualada ao valor recebido pelas novatas. Os títulos e a experiência haviam mesmo ficado no passado.

Eu sabia que se ficasse entre as doze, já teria sido uma grande conquista. Acabei como titular, o que me surpreendeu também, pela qualidade do grupo. Esperava entrar alguns minutos e torcer.

Realmente, a alegria só não foi maior pela falta de uma medalha. Na minha opinião, faltou um pouco mais de confiança a algumas jogadoras.

8) Apesar de ter sido titular em Atenas, você não voltou a ser chamada mais pela seleção nas competições seguintes. Você chegou a ser comunicada dos motivos dessa exclusão? Isso chegou a te magoar?

Eu também já me perguntei várias vezes qual teria sido o motivo. Era comum as pessoas me abordarem perguntando por que eu não havia aceitado mais ir para a seleção. Ficava surpresa, porque continuava pronta para ajudar a seleção.

9) Suas últimas temporadas foram no Celta, da Espanha. Gostaria de saber dessa sensação de voltar ao jogar no exterior, anos depois e como foram essas temporadas finais?

As temporadas na Espanha foram muito boas. Fiquei três anos no mesm24bo clube, em uma cidade maravilhosa. Tive facilidade de adaptação ao estilo de jogo, era a mais experiente na equipe e tinha muita responsabilidade.

Só não pude continuar lá, porque o clube não estava em dia com a documentação, o que levou a essa separação.

10) Você mora em Santo André, uma cidade que mantém um trabalho no basquete há muito tempo, no qual você se formou e que você defendeu por longo tempo na carreira. Gostaria de saber se você acompanha o basquete, se mantém contato com a técnica Laís Elena. E, por fim, quais as suas impressões e expectativas sobre a troca de comando na CBB e o início de trabalho de Hortência e Janeth nessa nova gestão?

Sou suspeita para falar de Santo André. Amo a Laís e a Arilza de paixão e sei o quanto elas sofrem para manter o basquete na cidade. Tenho acompanhado alguns jogos e torço muito por elas.

Precisamos de algo novo no basquete. Desde que comecei a jogar, o esquema é o mesmo, as pessoas são as mesmas. Será bom dar uma oportunidade para quem sabe o que passa um atleta. A Hortência e a Janeth têm tudo para fazer a diferença. Só depende delas. As dificuldades serão grandes. Mas elas nos ajudarão muito, se não se “assentarem na roda dos escarnecedores”.

11) Bate-bola para encerrar:

Uma cidade: Santo André
Uma música: I believe I can fly
Uma mania: estralar os dedos e os pulsos
Um filme: Deixados para trás
Uma comida: macarronada
A bola que eu chutei e caiu: Em um jogo na Espanha, estávamos perdendo por dois pontos. Recuperei a bola e faltavam cerca de sete segundos. Poderia ir para a bandeja, mas parei e chutei um pouco antes da linha dos três. E caiu.OgAAAHWbBFhDTH0_79hG28fJy8YA5AMmJxr720fkvaDHEyCV6YGFZf39l9FvmRynO7QMNMvIi_oq5bxyPpnVvtVSMHAAm1T1UOLAj-vcYYxt1cVn3oIszdvGbsxo
A bola que eu chutei e não caiu: Um lance-livre. Ninguém merece errar um lance-livre em um jogo decisivo.
O jogo inesquecível: a final do Mundial, em 1994.
Um arrependimento: ter agido mais pela emoção que pela razão.
Um título em clubes: o Campeonato Paulista de 1995, pela Lacta/Santo André.
Um técnico: Laís Elena
Uma marcadora implacável: Leila Sobral
A melhor jogadora que eu vi jogar: a Marta Sobral
Uma estrangeira: a grega Evanthia Maltsi
Um sonho: o surgimento de uma seleção com grandes jogadoras, como no Mundial de 1994.

domingo, 14 de junho de 2009

CBB faz homenagem às campeãs mundiais durante final do NBB

20090613_116371_Homenagem_03_gde Para comemorar os 15 anos da conquista do título inédito do Campeonato Mundial Feminino da Austrália (12 de junho de 1994), a Confederação Brasileira de Basketball (CBB) homenageou neste sábado, no intervalo do segundo jogo da final do NBB, entre Flamengo e Universo, as jogadoras e a comissão técnica da delegação brasileira. Estiveram presentes o supervisor Raimundo Nonato; o técnico Miguel Ângelo da Luz; o assistente técnico Sérgio Maroneze; o preparador físico Hermes Balbino; e as jogadoras Dalila, Helen, Hortência, Leila, Paula e Roseli.
 
— É muito bacana ser lembrada. Não é qualquer país que consegue ser campeão mundial. Só quatro conseguiram até hoje no feminino. Então, temos que comemorar sempre. Isso ninguém nunca vai tirar de nós. Foi muito gratificante ser homenageada num ginásio tão cheio de gente que gosta de basquete — Hortência, atual diretora do departamento feminino da CBB.
 
— O tempo vai passando e é bom comemorar outra vez uma conquista como a de 1994. Faz bem para a alma ser lembrada com carinho. Homenagens como esta servem ainda para promover o nosso reencontro. Colocamos o papo em dia, lembramos estórias da época. O título mundial foi uma conquista de muitas pessoas, pena que algumas não puderam estar aqui conosco, mas estão sempre em nossas lembranças — Paula, diretora do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa de São Paulo.
 
— A homenagem valoriza muito o que fizemos e mostra que o brasileiro não tem memória curta. Fico feliz por ser um exemplo para as novas gerações e orgulhosa por fazer parte de maior vitória do esporte feminino brasileiro — Leila Sobral.
 
— Foi muito emocionante. É maravilhoso receber um carinho desses em vida e ainda jogando. Nunca tinha assistido ao um jogo de basquete de um time de camisa como o Flamengo e achei demais. Um título mundial é para ser lembrado mesmo por todas as gerações — Helen Luz, que defende o Hondarríbia Irún, da Espanha e cuida com as irmãs, Cíntia e Silvia, do projeto social Cesta de 3, em Louveira (SP).
 
— É gratificante ser lembrada com carinho e alegria. Aquela conquista foi excepcional e nem parece que se passou tanto tempo. Reencontrei amigas e amigos queridos e conversamos muito. Ainda foi uma ótima oportunidade de rever uma arena tão bonita e bem feita — Roseli Gustavo, que dirige o Projeto Roseli Basquete, para meninas entre 10 e 15 anos, em Araraquara (SP).
 
— Eu tenho que agradecer ao basquete por tudo o que ele meu deu. Esse título mundial tem um significado muito especial para mim. Foi emocionante poder comemorar novamente num ginásio cheio a conquista inédita do basquete feminino do Brasil. Agradeço a CBB por essa iniciativa — Dalila.
 
O presidente da CBB, Carlos Nunes, garante que já estão programadas novas homenagens para essa geração vitoriosa.
 
— Com certeza, essa foi a primeira de várias homenagens que faremos para esse grupo e para tantos outros que colocaram o Brasil entre as principais potências mundiais. Na Copa América de Cuiabá, de 23 a 27 de setembro, vamos fazer uma grande festa para o basquete feminino das Américas e prosseguir com as homenagens para as campeãs mundiais de 1994.

sábado, 13 de junho de 2009

O acervo do Regis

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O Regis, de Maringá (PR), gentilmente me enviou as imagens acima que registram momentos da trajetória da seleção campeã mundial em 1994.

Valeu, Regis!

Memórias do Bert

Já se vão 15 anos da conquista do Mundial da Austrália.

Agora, aos 30, revisitei minhas memórias do torneio em artigo encomendado pelo Fábio Balassiano.

Confiram: Do Bert, com emoção

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Inesquecível, por Sérgio Barros

20090610_364327_1006_Mundial94_gde Quem me vê em uma quadra hoje não acredita, mas, na infância, fui um armador talentoso e cheguei a ser bicampeão brasiliense de mini-basquete pelo Motonáutica. Não me lembro exatamente quando, mas a paixão pelo esporte começou muito cedo. Meu pai, que jogou – e dizem que bem – no Mackenzie e no Fluminense, me incentivou e eu passei a acompanhar tudo o que aparecia de basquete. Tudo, em meados da década de setenta, era muito pouco mas o que a TV mostrava e o jornal contava eu queria ver. Me lembro perfeitamente do Mundial das Filipinas, dos jogos do Sírio e, especialmente, de Paula e Hortência. Acima da média desde sempre, contavam com a cooperação de jogadoras valentes e determinadas, mas que, na maioria das vezes, careciam de altura, agilidade e, às vezes, talento. Elas brilhavam, mas o Brasil não chegava a lugar nenhum.
 
Esse preâmbulo enorme é só para que entendam que sempre gostei de basquete, mas jamais, nem nos meus sonhos mais caprichados, imaginei um dia ver um título Mundial da Seleção Feminina. Participar, então... Em abril de 1994 fui avisado que seria o assessor de imprensa da CBB no Campeonato Mundial da Austrália e acompanhei a seleção desde a temporada de Jogos Desafio no Nordeste. Nesse período, conheci um pouco sobre cada um dos integrantes da delegação e percebi que o time tinha algo a mais. Paula, Hortência e Janeth eram estrelas consagradas, mas ali contavam com a escolta de jovens valentes, talentosas e, finalmente, altas e ágeis. A comissão técnica se completava. Sinceramente, não pensava em título, mas acreditava que poderíamos fazer uma graça.
 
Já na Austrália, alguns momentos ficaram muito marcados na minha memória: um amistoso contra as donas da casa em que fomos atropelados, mas ninguém se abateu (as australianas estavam em forma – em todos os sentidos – mas o fuso horário e a arbitragem colaboraram). Mestre Waldir Pagan e Zé Pedro (massagista) pintando os tênis de preto na escada do hotel porque a organização exigira que todos fossem da mesma cor. E uma reunião na véspera da estreia, em que a Paula disse uma frase que acho que foi decisiva “não quero voltar pra casa achando que podíamos ter feito mais”.
 
 
Acompanhar treinos, refeições, encontros, passeios e jogos, ao lado deles, já era um privilégio. Chegar à final e ganhar foi o maior presente que já recebi. Meu sentimento em relação a todos o que participaram daquela conquista é de absoluta gratidão. Me deram a chance de viver um momento único e inesquecível.
 
Sérgio Barros é jornalista e foi assessor de imprensa da delegação do Brasil no Mundial da Austrália.

Há 15 anos…

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quinta-feira, 11 de junho de 2009

15 anos do Mundial da Austrália – Dawn Staley: “Elas quebraram a nossa defesa”

20090611_905037_1106_TriodeOurogde O povo brasileiro, que ainda lamentava a perda do grande ídolo do esporte nacional, o piloto Ayrton Senna, teve motivos para sorrir novamente. No ano Internacional do Esporte e do Espírito Olímpico, o basquete feminino brasileiro alcançou uma de suas maiores conquistas. Comandadas pelo técnico Miguel Angelo da Luz, o Brasil chegou ao lugar mais alto do pódio no Campeonato Mundial da Austrália, em 1994. A grande potência mundial da modalidade, os Estados Unidos, caíram diante do talento verde-amarelo na semifinal. Na disputa do título, nem os 2,04m da chinesa Haixia foram suficientes para parar Hortência, Paula, Janeth e companhia.
 
Dia 12 de junho de 1994. Fim de jogo no State Sport Centre, em Sydney. A seleção brasileira vence a China por 96 a 87 e o Brasil inteiro já podia comemorar a conquista inédita do basquete feminino. Na quadra, comemorando muito, um emocionado Miguel Angelo da Luz comenta a vitória.
 
— Estou muito contente. Esse é o fruto que muitos técnicos e muitas jogadoras plantaram no passado e estamos colhendo agora. Trabalho sério que começamos no dia 4 de abril. Nós falamos que poderíamos ter chance. Pouca gente acreditou. Mas os dias foram passando e falamos que elas teriam chance de disputar esse Mundial de igual para igual com outros países e que íamos merecer esse título, essa medalha, esse pódio.
 
Sem poder conter as lágrimas, a rainha Hortência tem dificuldades em expressar o que sente no momento.
 
— Nossa, eu ainda não acredito que tenha acontecido isso. Tudo graças a minha superação, da Paula e de toda equipe. A gente merecia essa medalha. Vamos ficar na história da seleção brasileira com a medalha de ouro.
 
Muito emocionada e ainda sem acreditar que era campeã mundial, a armadora Magic Paula explica como foi chegar ao título.
 
— O Brasil todo sempre teve muito carinho com o basquete feminino. Isso é um trabalho de muitos anos. Acho que é uma vitória para todo o Brasil. Uma vitória dessa geração, que buscou tanto essa medalha de ouro. E para todos aqueles que acompanharam, confiaram e acreditaram no trabalho brilhante que essa equipe fez. Um trabalho consciente e tranqüilo. O título é a retribuição de tudo isso e de todo sacrifício.
 
Chorando muito, Janeth mal consegue achar palavras para descrever a emoção de ganhar o Mundial.
 
— Agora a gente sabe qual é a emoção de ser campeão do mundo. Nós somos as melhores. Tantos anos buscando isso e agora nós conseguimos. Não dá nem para falar direito, que a emoção é muito grande.
 
Medalha de bronze no Mundial da Austrália, a ex-jogadora Dawn Staley foi a quinta cestinha da equipe americana com 81 pontos em sete jogos. Staley, que é dona de três medalhas olímpicas de ouro (1996, 2000 e 2004) e de dois títulos mundiais (1998 e 2002), conheceu o talento das atletas brasileiras e mesmo após 15 anos, se lembra perfeitamente do que Paula e Hortência eram capazes.
 
— Achei a equipe brasileira muito, mas muito experiente. Elas sabiam como jogar com eficácia contra nós. Souberam tirar vantagem dos nossos pontos fracos e quebraram a nossa defesa. Foi ótimo jogar contra uma seleção com suas melhores atletas e era isso que Hortência e Magic Paula representavam para o Brasil. Eu era fanática por basquete há muitos anos e acreditava que os Estados Unidos era o país que produzia os melhores talentos. Mas quando joguei contra as duas, eu soube que o basquete estava sendo jogado em alto nível em todo o mundo. Para mim, elas significam que quando eu estava jogando internacionalmente, eu jogava contra as melhores atletas do mundo — comentou com exclusividade Staley, que atualmente é assistente técnica da seleção americana adulta feminina.