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sábado, 4 de dezembro de 2010

Para Hortência, basquete brasileiro precisa ser "reciclado"

Rhafael Padilha - Correio Braziliense

20101203200733486209o Renovar e reciclar. Essas são as principais atividades para modernizar e fortalecer ainda mais o basquete brasileiro. Esta afirmação foi feita por ninguém menos que a ex-jogadora Hortência, em entrevista coletiva nesta sexta-feira, no Club Méd, em Itaparica. Também diretora da Seleção Feminina de Basquete há um ano, Hortência falou sobre a disponibilidade de dois mil empregos para gestores esportivos e a falta de profissionais qualificados para ocupar esses cargos.

”No geral são técnicos, assistentes e dirigentes que precisam desta reciclagem. Procuro me qualificar sempre, diferente dos que insistem em se perpetuar no cargo sem ao menos buscar novos ares. Fui muito crucificada quando afirmei que isso era necessário, mas não pode ser assim. Muitos acham que já sabem de tudo”, disse a rainha do basquete brasileiro, que lembrou ainda, na sua opinião, um exemplo de competência no ramo: Ary Graça, da Confederação Brasileira de Vôlei. “O que falta no esporte brasileiro é mais credibilidade, não vai ser nada fácil essa fase daqui pra frente. Estou preocupada, não temos material humano para tal”, explicou.

Hortência também deixou claro a sua aposta em Janeth para realização de um trabalho de base para renovar o esporte. “Ela começou com a seleção sub-15, vai subir para as outras categorias e espero que esteja pronta para dirigir o time principal em 2016. Adoraria não ter que antecipar sua nomeação para a seleção adulta, mas posso ser obrigada a isso se as coisas não melhorarem”, concluiu.

Fracasso no Mundial

A ala da seleção feminina de basquete, Iziane, não mostrou tudo que sabe no último Mundial, na República Tcheca. Com um modesto nono lugar na competição, o time comandado por Carlos Colinas teve problemas com o calendário da WNBA e pouquíssimo tempo para integração do conjunto. Dessa maneira, Hortência fez questão de colocar panos quentes e aliviou a barra da ala brasileira diante do fracasso da seleção. “Iziane chegou faltando dois dias para o início da competição por causa da liga americana. Eu jogava por amor, mas hoje não é assim que funciona. O atleta profissional prioriza o dinheiro”.

Sobre a permanência do espanhol Colinas, o maior empecilho para mantê-lo no cargo, segundo Hortência, é o fato dele morar fora do Brasil. “Ele não está 100% garantido no cargo”, revelou.

Outro assunto comentado durante a coletiva foi a sua aposta na mais nova pivô Damiris, de 18 anos. “Não gosto de apostar tudo numa jogadora só, mas falta alguém que ponha a bola debaixo do braço e organize a equipe em quadra, como a Paula fazia”, encerrou Hortência.

Fonte: SuperEsportes

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A Frase

“Ficar até às 3 horas da manhã procurando musiquinha para motivar a equipe é, no mínimo, digno de um amadorismo típico das cabeças mais retrógradas e limitadas de nosso esporte.

A verdade é que dirigentes como a Hortência sofrem pela insegurança e pelo medo de se sentirem ameaçados na presença de um profissional da Psicologia.”

A declaração é do psicólogo João Ricardo Cozac, que no texto “Hortência: de rainha a sapo” rebate energicamente as declarações pouco cuidadosas da diretora do departamento feminino da CBB.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

As Palavras de uma Rainha – Fábio Sormani (iG)

Conversei nesta terça-feira cerca de 40 minutos com Hortência. Foi por telefone. Ela é forte nas palavras, na entonação da voz e na convicção. Como quando jogava.

Gostei da nossa conversa. Gostei porque senti que Hortência não está perdida no cargo; ao contrário.  Ela tem de fato um projeto. A gente pode discordar, mas ele existe.

E não é a curto prazo. Tanto que ela me revelou o seguinte: está preparando Janeth Arcain para dirigir a seleção brasileira nos Jogos Olímpicos do Rio em 2012. “Ela não teria condições de assumir agora”, disse-me ela. “A Janeth não está preparada. Ninguém que para de jogar pode se transformar em um bom treinador do dia para a noite. Os EUA cometeram esse erro”.

E lembrou de um simpósio que ela participou na República Tcheca. E disse que Geno Auriemma, técnico dos EUA, falou exatamente isso.

Gostei da ideia de termos Janeth comandando nosso selecionado. Vocês não aprovam também?

E mais: Hortência não dourou a pílula quando perguntada sobre o futuro do nosso time de saias. “Teremos problemas no Pré-Olímpico e também nas Olimpíadas”, ela disse. Ou seja: crê em nossa classificação, mas será sofrida. “Temos, além do Brasil, Canadá, Cuba e Argentina, que há dez anos vem investindo na base”.

É, pode mesmo ser difícil, pois Cuba também está investindo e o Canadá é um selecionado do nível do nosso.

Hortência não deu pinta de estar perdida ou arrependida do que fez até o momento à frente da seleção brasileira. Nem do episódio Bassul x Iziane, que ela não quis dar trela, pois “isso faz parte do passado”, e nem da escolha de Carlos Colinas para dirigir o nosso selecionado.

Hortência diz que se pauta por um projeto. Projeto este elaborado pelo presidente Carlos Nunes, por José Carlos Brunoro, diretor de marketing da CBB, por André Alves, diretor técnico da entidade, e por ela mesma.

Cutucou, merecidamente, o ex-presidente Gerasime Bozikis, o Grego. Segundo ela, tudo o que vivemos é fruto do que foi plantado na década e meia que Grego dirigiu a CBB. A realidade do nosso basquete é dura, disse-me ela.

Sobre Colinas, ela falou: “Diga-me um nome aqui no Brasil para o lugar dele?” E eu disse: Bassul. Ela não se curvou: “Este é um assunto encerrado”. Então eu contra-argumentei: por que não o Miguel Angelo da Luz? E ela retrucou: “Há quanto tempo ele não dirige um time feminino?”

E deu a questão por encerrada ao dizer: “Não temos ninguém aqui no Brasil com experiência para assumir o cargo”. E eu disse: nem o Colinas. E ela afirmou: “Tivemos ótimas informações dele, conversamos com ele e avaliamos como correta a contratação. Até o Mundial tudo correu muito bem. Não tivemos nenhum problema de relacionamento, nada. Mas no Mundial realmente ele não foi bem. Mas não foi só ele, as jogadoras também não jogaram bem”.

E por quê “Porque aquele primeiro jogo contra a Coreia matou o nosso time. A gente demorou uns cinco jogos para se recuperar. Aí já era tarde”.

E contou-me também que a Adrianinha ficou muito abalada depois daquele passe errado contra as sul-coreanas que resultou na derrota brasileira. “Ela não quer mais jogar na seleção”, afirmou Hortência. “Hoje (terça-feira) eu mandei um e-mail pra ela dizendo da importância e do valor dela e que a quero na seleção novamente”.

E disse alto e bom som: reformulação? Paulatinamente. “Não dá pra trocar todo mundo, até porque o nível é praticamente o mesmo de nossas jogadoras. Portanto, vamos investir em quem tem experiência”.

Em outras palavras: estará no Pré-Olímpico da Colômbia praticamente esse time que foi mal das pernas no Mundial tcheco. Segundo Hortência, não há o que fazer. É a nossa realidade.

E ela tem razão.

Fonte: Blog – Fábio Sormani (iG)

Hortência afirma que Brasil terá problemas no Pré-Olímpico e diz que prepara Janeth para Rio-16

Fábio Sormani

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Hortência chegou na manhã desta terça-feira da Europa. Gripada e cansada. Mas foi só falar de basquete para ela encontrar energia para sustentar a conversa. Nela, não dourou a pílula: “A gente vai continuar tendo problemas. Vamos ter problemas no Pré-Olímpico e nas Olimpíadas de 2012. Agora pararam a Helen e a Alessandra, depois param mais duas, enfim, a gente não tem peça de reposição. O problema do basquetebol não é simples”.

Problemas para ir a Londres? É isso mesmo, Hortência? Afinal, os EUA não vão participar do Pré-Olímpico por já terem garantido a vaga por conta do título mundial. Quem nos traria problemas?

“Nós teremos quatro seleções brigando por duas vagas: Brasil, Canadá, Cuba e Argentina; Argentina que não é boba, que está trabalhando na base e está investindo há mais de dez anos. Vamos ter problemas. E pra conseguir uma vaga a gente não pode renovar, como estão dizendo por aí. Renovação total? Nós não temos muito material humano. Tanto que tive que pedir para a Alessandra e para a Helen jogarem o Mundial. Essa é a realidade do basquete brasileiro”.

Realidade que não precisa ser uma Hortência das quadras para perceber que não é nem um pouco alvissareira.

“Bem antes de eu entrar na CBB a gente vinha reclamando por um trabalho sério, de preparação na base, descobrir novos talentos”, disse Hortência, uma das gestoras do basquete feminino brasileiro. “A gente estava vendo que a minha geração, da Paula e da Janeth parou. E a coisa vinha meio que capengando. É óbvio que (a campanha) decepcionou aquelas pessoas que veem o basquete na televisão, de imediato. Mas se você for analisar o trabalho que estamos fazendo desde o ano passado, ele está sendo bem feito, pois temos um projeto. Não vamos mudar tudo por causa de uma derrota”.

Hortência nem tinha ainda desarrumado as malas quando conversou comigo. Antes, assim que desembarcou no Brasil, trocou algumas palavras ao telefone com o presidente da CBB, Carlos Nunes, às 6h30 pra ser mais preciso. Nada de importante, segundo ela. O importante será tratado mais pra frente.

Quando?, perguntei pra ela. “Não sei”. Daqui a uma semana, um mês, até o final do ano?, insisti, claro que me referindo ao futuro do treinador Carlos Colinas. “Não sei”, voltou a responder, embora tenho dito o seguinte sobre o treinador espanhol: “Eu não vou dizer pra você que o Colinas foi bem no Mundial. Ele não foi bem. Mas eu não vou crucificar ninguém, porque a gente ganha junto e perde junto”.

Sobre o futuro de Colinas, Hortência disse que nada foi decidido ainda. “Até porque eu não decido nada sozinha”, disse ela. “Tem o presidente (Carlos Nunes), tem o (José Carlos) Brunoro (diretor de marketing da CBB), o André (Alves, diretor técnico da CBB). Mais pra frente a gente vai ver tudo isso”.

Hortência faz questão de frisar que tudo o que está sendo feito na CBB obedece um critério. Quando eu perguntei se a armadora Tássia não deveria ter participado do Mundial para ganhar experiência, como aconteceu com Raulzinho no masculino, Hortência, disse que a ala-pivô Damiris foi o Raulzinho do feminino e que a Tássia é ainda muito jovem.

E foi aí que Hortência revelou: está preparando Janeth para ser a futura treinadora da seleção brasileira. Pra quando? Jogos do Rio, 2016.

“Nunca foi preparado um técnico antes. Eu não posso chegar pra Janeth, hoje, e dizer: Janeth, não vai ser o Carlos Colinas, vai ser você. Ela não tem essa estrutura ainda”.

E por que não?

“A gente poderia queimá-la”, respondeu Hortência. “Eu estive em alguns simpósios na Fiba antes do Mundial e num deles o técnico dos EUA (Geno Auriemma) lembrou que eles pegavam ex-jogadoras para serem técnicas e não dava certo. E por que não dava? Porque eles achavam que a mesma experiência de dentro da quadra servia para fora. Não serve. Veja os casos da Ane Donovan (EUA) e da Bev Smith (Canadá) que não deram certo porque você tem que preparar a ex-jogadora para ser técnica. E é isso o que a gente está fazendo com a Janeth, que hoje é assistente do Colinas”.

Por tudo isso, Hortência pede para que não a cobrem neste momento. O trabalho é a longo prazo, pois este é o projeto traçado. Destino final: Rio, 2016. Com Janeth no comando do time brasileiro e na quadra meninas que hoje a gente nem sequer ouviu falar, capitaneadas seguramente por Tássia e Damiris, que hoje muitos nem sabem de quem se tratam.

 

"Espero estar preparada", diz Janeth sobre a possibilidade de comandar o Brasil em 2016

Bruno Pongas

A ex-jogadora Hortência Marcari, que atualmente exerce o cargo de diretora da CBB (Confederação Brasileira de Basquete), afirmou na terça-feira (dia 5) que Janeth Arcain, assistente técnica do espanhol Carlos Colinas no comando do selecionado brasileiro, está sendo preparada para assumir a equipe nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

Nesta quarta (dia 6), Janeth foi procurada pela reportagem do iG e explicou que esse projeto já vem sendo falado há algum tempo. “A gente vem comentando isso já faz tempo”, contou. “Eu vejo que há muito caminho pela frente, muito campeonato, muita coisa para acontecer. Eu espero estar preparada quando esse momento chegar”, completou.
Apesar da imensa vontade de capitanear o elenco principal, a ex-atleta sabe das dificuldades impostas ao cargo de treinador. “O panorama que você tem do jogo é outro, completamente diferente. É impossível comparar a experiência de um jogador com a experiência de um técnico”, explicou.

A respeito disso, Janeth afirma que aprendeu muito como assistente no Mundial da República Tcheca. “Da mesma maneira que o atleta vai pegando experiência dentro de quadra a gente vai se aprimorando fora dela, visualizando não só o nosso time, mas também as outras equipes”, avaliou. “Eu aprendi toda uma análise sobre o jogo, dos fundamentos individuais; vários detalhes que acrescentaram na experiência do dia-a-dia”.

Quem pensa que a ex-jogadora é aventureira no ramo, contudo, se engana. Ela conquistou recentemente seu primeiro troféu nas categorias de base do Brasil e espera galgar novos caminhos daqui por diante.

“No ano passado conquistei meu primeiro título (Sul-Americano sub-15) vencendo uma escola que vinha numa crescente, que é a Argentina. Acho que foi um bom começo. Temos que continuar esse trabalho e visar coisas a curto, médio e longo prazo”, avaliou.

O sonho de seguir no basquete mesmo após o término da carreira é antigo, remete ao ano de 2000. Para isso, Janeth sempre que pode realiza cursos administrativos. “Eu sempre faço todo curso que tem quanto à parte administrativa. Gosto dessas coisas, principalmente o que está envolvido com esporte”, revelou.

Como não poderia deixar de ser, a entrevista prosseguiu com a análise da Janeth assistente técnica sobre a decepcionante campanha brasileira no Mundial da República Tcheca (9º lugar).

“Achei que não foi o que a gente almejava. Dentro do que desempenhamos foi razoável, mas queríamos pelo menos manter a equipe entre as quatro melhores”, admitiu. “Mas se formos analisar, a Rússia ficou em sétimo e a Austrália acabou em quinto.

No Mundial não se pode relaxar em nenhum momento; tem que estar em 100% sempre. Eu acho que a gente não conseguiu chegar nesses 100% em todos os jogos.

Sobre Érika e Iziane, que se juntaram ao restante do elenco às vésperas do Mundial por conta da final da WNBA, a ex-atleta explicou que ambas se encaixaram muito bem no esquema de Carlos Colinas e que esse atraso não atrapalhou os planos para o campeonato.

“Isso não tem nada a ver, tanto que depois elas se encaixaram perfeitamente no esquema tático. Foi bom que elas (as jogadoras) já se conheciam. Sem dúvidas facilitou bastante”, disse.

Por fim, Janeth se arriscou a falar sobre o futuro da modalidade no país, afirmando que renovar é inevitável.

“Isso a gente sabe que aconteceria um dia ou outro. Nós temos jogadoras novas que estão surgindo. Tem também meninas de 17 a 19 anos que querem ocupar seu espaço, o que já aconteceu com a Damiris no Mundial. Temos outras atletas que devem progredir, principalmente depois do Mundial sub-19 do ano que vem. Tem a Damiris, a Nádia, a Tássia. Talvez venham outras mais novas, mas eu não gostaria de citar nomes porque é preciso vê-las em campeonatos de alto nível”, finalizou.

Fonte: iG

Seleção feminina chega ao Brasil depois do nono lugar no Mundial

Hortência admite pane no Mundial: ‘Várias vezes ligamos para psicóloga’

Dirigente, no entanto, mantém a decisão de não levar profissional da área nas viagens da seleção feminina de basquete: ‘Não acho que tem necessidade’

O nono lugar no Mundial feminino de basquete não deixou Hortência satisfeita. A ex-jogadora e atual dirigente da CBB estava na República Tcheca e admite que as jogadoras e o técnico não souberam lidar com as derrotas ao longo do campeonato. Apesar de ter acionado várias vezes a psicóloga que ficou no Brasil, a Rainha afirma que vai manter a decisão de não levar um profissional da área para as competições.

- Por várias vezes, ligamos para a psicóloga no Brasil para ver o que poderíamos fazer. Elas lidaram muito mal com a derrota, o técnico se perdeu. Quando começaram a engrenar, já era tarde. Um dia, eu fiquei às 3h da manhã procurando uma música para um vídeo motivacional que eu ia passar para as meninas. Não acho que tem necessidade de levar um profissional de psicologia e vou continuar não levando – disse Hortência, no “Arena SporTV” desta quarta-feira.

A dirigente lamentou a falta de entrosamento de Érika e Iziane com o restante do grupo no início do torneio. As duas se apresentaram em cima da hora, por causa da disputa da final da WNBA. A derrota para a Coreia do Sul na estreia, segundo Hortência, foi decisiva para o fracasso no Mundial.

- Érika e Iziane estavam completamente desentrosadas com o grupo. Perdemos um jogo no fim, que estava na nossa mão. Aí, deu um descontrole geral na equipe.

A Rainha admitiu que a seleção feminina enfrenta um problema sério de renovação.

- A Adrianinha disse que ficou muito triste pelo que aconteceu, então vamos supor que ela não venha mais, quem vai ser a armadora da seleção? Estamos com um grande problema, principalmente para o ano que vem, quando temos que jogar o Pré-Olímpico – reconheceu.´

Fonte: GloboEsporte.Com 

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Acho que eu não li isso!

Seleção culpa primeiro jogo e Iziane fala em psicológico

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Oito jogos e quatro vitórias, duas delas quando o título já não era mais possível. Este foi o saldo da Seleção Brasileira feminina de basquete no Campeonato Mundial, encerrado no último domingo na República Tcheca. Para os membros da equipe, a primeira partida, uma derrota por um ponto ante a Coreia do Sul, foi fundamental na obtenção deste resultado.

"A gente ficou carregando aquela derrota na competição inteira e a Adrianinha ficou carregando a culpa daquele passe que errou no fim do jogo", comentou a ala/armadora Iziane, que admite falhas psicológicas na equipe. "Realmente fica na cabeça, infelizmente somos seres humanos. É a nossa mente que proporciona melhores ou piores jogos, às vezes independente da técnica. E a Seleção ficou amarrada por isso", acredita.

Iziane se apresentou à Seleção Brasileira somente dois dias antes da estreia no Mundial, mas foi por um bom motivo: ao lado da compatriora Érika, ele se tornou a primeira atleta do país a disputar uma final de WNBA, a versão feminina da badalada liga norte-americana de basquete.

"Foi um sonho realizado. Eu sei o nível que é a WNBA, conheço várias jogadoras que jogaram tantos anos na liga e não conseguiram um título. Nós chegamos pelo menos a conquistar o título de uma Conferência, o foi uma grande vitória para um time de apenas três anos", comentou a jogadora do Atlanta Dream.

A derrota para o Seattle, rival do Oeste, por 3 a 0 na série decisiva não chateou a ala/armadora. "Ganhar também seria um sonho, mas estamos no caminho certo, pois esta é uma equipe muito jovem. Conheço o time há bastante tempo, então me senti em casa e o meu basquete fluiu. Foi a minha melhor temporada", avaliou.

Peça fundamental do time nacional nos últimos anos e assistente técnica de Colinas durante o Mundial, Janeth concorda. "Um dos detalhes que foram prioritários foi o primeiro jogo, né? Ele foi muito decisivo", comentou a ex-atleta.

Para ela, as brasileiras não jogaram tão mal assim. "É claro que tiveram horas em que tivemos muitas bolas perdidas, mas vimos o scout de todas as seleções que estavam lá e o mínimo de bola perdida que todos tiveram foram 15, então estávamos dentro de nível de todos os que participaram do Mundial", afirmou Janeth.

De fato, a primeira brasileira que aparece nas estatísticas de turnover é Iziane, 20ª colocada, com uma média de 2,6 bolas perdidas por partida. Ela, porém, sabe que o resultado obtido não foi satisfatório e diversas falhas em outros fundamentos puderam ser vistas. "Tivemos muitos altos e baixos e em uma competição como esta você não pode ter. Reconhecemos que não conseguimos jogar o osso melhor basquete", destacou.

Fonte: Terra

Após fracassos, ídolos do basquete apostam em "renovação"

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DIEGO GARCIA
 
A Seleção Brasileira de basquete encerrou sua participação nos Mundiais da modalidade com decepcionantes campanhas, que culminaram com dois nonos lugares - tanto no masculino quanto no feminino. Em conversa exclusiva com o Terra, os dois maiores ídolos do País no esporte deram suas opiniões e apostaram no investimento nas categorias de base como principal arma para o Brasil reencontrar o caminho das vitórias.

"Precisamos, de forma urgente, fortalecer o campeonato interno e focar nas categorias de base, mantendo o que já estamos fazendo para colher os frutos no futuro. Aí, falamos em renovação", afirmou a ex-jogadora Hortência. "Acredito que investir em escolinhas e focar no trabalho da base possa trazer reflexos positivos para o basquete brasileiro", acrescentou o ex-atleta Oscar Schmidt.

Três vezes campeão do mundo - duas vezes entre os homens, em 1959 e 1963, e uma entre as mulheres, em 1994 -, o Brasil penou por más administrações anteriores e viu o basquete "naufragar" no País.

Os bons resultados sumiram e os jogadores migraram à NBA e às grandes ligas europeias. Contudo, as coisas devem começar a mudar em breve, de acordo com os dois ídolos. Confira abaixo suas opiniões sobre diferentes assuntos que envolvem o esporte no País:

Motivos que culminaram com os fracassos nos Mundiais:

A expectativa era de que o Brasil acabasse entre os oito melhores nas duas competições, mas sucumbiram e ficaram com a nona colocação. No feminino, foram duas vitórias e quatro derrotas, contra três triunfos e dois reveses no masculino.

Oscar - "O grande motivo é a administração anterior da CBB, que conseguiu aos poucos que nossas Seleções perdessem a confiança e também perdessem a sua forma de jogar, perdessem as características do basquete brasileiro".

Hortência - "A causa foi que eles jogaram mal, não foram bem. O feminino eu digo, pois o masculino jogou bem, mas foi uma infelicidade de não ter o Varejão contra os Estados Unidos. O masculino foi muito melhor, o feminino é aquilo né... é a realidade, muitos anos que o basquete aqui vem caindo, caindo, os campeonatos perdendo qualidade, não se vê na mídia, não tem divulgação. Não deu certo agora, não jogaram bem, o momento não foi legal delas lá e basquete é momento, não adianta querer buscar nada. Temos que continuar tentando".

Comprometimento dos atletas que atuam fora do Brasil:

Assim como no futebol, diversos atletas da Seleção atuam no exterior. Por vezes, esses jogadores eram acusados de não terem tanto comprometimento com a equipe brasileira quanto deveriam, mas Oscar e Hortência isentaram os mesmos de culpa. Entre os homens, oito dos 13 que viajaram à Turquia jogam fora do Brasil; entre as mulheres, o número é bem menos significativo, com apenas cinco de 18 atletas convocadas.

Oscar - "Dessa vez, todos eles se apresentaram com vontade de jogar e isso foi o ponto mais positivo, foi a melhor coisa do Brasil no Mundial".

Hortência - "O que eu acho é que o basquete globalizou e fez com que esses meninos saiam para jogar fora. Temos problemas com as meninas também, que estão levando a profissão para uma coisa profissional mesmo. É que nem no futebol. O comprometimento é o mesmo, a vida do atleta é curta, tem que pensar em ir para fora mesmo e aproveitar, ganhar dinheiro enquanto eles podem. O mundo inteiro faz isso, não é só no Brasil, temos que entender que faz parte, para então ver como se faz para resolver isso".

Os técnicos estrangeiros:

Buscando experiência e novidades para o basquete brasileiro, o País contratou dois técnicos estrangeiros para suas Seleções. No masculino chegou Rubén Magnano, vice-mundial com a Argentina (2002) e medalha de ouro olímpica (2004). No feminino veio Carlos Colinas, treinador das seleções espanholas de base. Mesmo assim, o Brasil fracassou nos Mundiais.

Oscar - "A presença desses técnicos acrescentou muito, mas como não deu certo, foi uma ocasião para dar uma chacoalhada. Agora é hora de pegar os nossos próprios treinadores, temos alguns muitos bons, como o Cláudio Mortari. Temos outros muitos novos também, mas penso no Cláudio porque é um grande nome para colocar disciplina, metodologia e vontade de jogar".

Hortência - "O Colinas fez um grande trabalho, excelente, só não foi bem no Mundial. Mas vamos sentar e verificar isso, sei muito bem o trabalho que foi feito, com todo respeito à categoria de base e à Seleção adulta. Tivemos problemas no final que também não foram só culpa dele. Complicamos com os times asiáticos e até perdemos (derrota para a Coreia do Sul e vitória na prorrogação contra o Japão), mas não adianta ficar falando, temos que mostrar resultado e vamos mostrar à longo prazo. E vamos ter problema ano que vem de novo porque não temos material humano para jogar".

Formas de "resgatar" o basquete no País:

Para reviver os bons momentos, os ex-jogadores apostam nos investimentos nas categorias de base e no novo campeonato nacional, a Novo Basquete Brasil (NBB). Fundada em agosto de 2008, o torneio tem sido organizado pela Liga Nacional de Basquete e pelos próprios clubes, com o aval da Confederação Brasileira de Basquete.

Oscar - "A criação da Liga, a presidência nova, um pouco de tudo. Uma reeleição só na presidência também é importante, assim como várias outras coisas que temos para fazer que vão ajudar a colher frutos. O primeiro objetivo é irmos para a Olimpíada (de Londres, em 2012) e nós com certeza vamos. Isso tudo que aconteceu é reflexo do comando anterior na CBB. Acredito que fazendo mais escolinhas de basquete pelo País possamos trazer reflexos positivos no futuro".

Hortência - "Precisamos, de forma urgente, fortalecer o campeonato interno e fazer o que já estamos fazendo nas categorias de base. Para isso, tem que ter trabalho de base, temos que fortalecer as escolinhas, fortalecer a competição interna, fazer de tudo para que patrocinadores invistam. O trabalho é lá para frente, aí falamos em renovação. Vai jogar um Pré-Olímpico e classificar, aí jogar a Olimpíada. Temos que fazer nosso melhor trabalho. O trabalho sendo feito, aí começamos a colher os frutos em breve".

Fonte: Terra

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Hortência diz que "projeto continua", mas não garante Colinas

Carolina Canossa - Guarulhos (SP)

O mau basquete, a queda precoce e o nono lugar do Brasil no Mundial não abalaram as convicções de Hortência. Diretora de seleções femininas da Confederação Brasileira da modalidede (CBB), a ex-jogadora garantiu que não vai mudar o trabalho que vem executando desde que assumiu o cargo, em maio de 2009.

"Não volto com um sentimento bom, mas o projeto continua porque estamos no caminho certo. Não podemos no primeiro percalço mudar para a direita, depois mudar para a esquerda com outro obstáculo. Isto é sinônimo de quem não tem o caminho definido e nós temos um caminho definido: a gente sabe muito bem onde quer chegar", garantiu a "Rainha do Basquete". "Fizemos uma excelente preparação, mas infelizmente não tivemos o resultado que poderíamos", lamentou.

Tais palavras, entretanto, não significam que a seleção brasileira adulta continuará sob o comando do espanhol Carlos Colinas - anunciado em março, o treinador tinha contrato somente até o final do Mundial e sequer desembarcou no Brasil com o restante do grupo.

"Não posso falar nada porque não conversamos sobre o assunto. Não sou eu quem decido tudo na Confederação, vamos ter uma reunião. Tenho o meu pensamento, mas vamos ver o dos outros. Depois, vocês vão saber qual o caminho a gente vai, quer dizer, o caminho a gente já sabe, mas quem vai continuar seguindo junto", explicou.

Hortência, porém, evitou estipular uma data para que esta decisão esteja tomada. "Não podemos ter pressa porque vocês (jornalistas) querem saber o que vai acontecer. É uma coisa séria que estamos fazendo: não podemos decidir logo para ficar livre logo", justificou.

Entretanto, ao ser questionada sobre sua opinião sobre o treinador, a ex-jogadora deu um sinal do que pode acontecer.
"Eu gosto muito do Colinas, acho um cara extremamente competente, um cara extremamente profissional...", comentou a ex-atleta. "Não vou dizer que ele foi bem no Mundial porque vocês assistiram o jogo, mas as jogadoras também não foram bem. Agora, temos que analisar o porquê isso aconteceu e só depois desta análise é que a gente verá o que vai fazer", repetiu.
Durante o Mundial, outro grande nome do basquete brasileiro, Magic Paula, deu algumas alfinetadas no time brasileiro. "O time do Brasil esta com a cara do treinador. Pura tensão", postou a ex-atleta em seu Twitter em 25 de setembro, durante a derrota para a Espanha. "Jogo de Mundial não pode cometer 25 erros. A Espanha não precisou fazer força para ganhar", afirmou.

"Menina doce", Iziane promete ficar na seleção até aposentadoria

Dois anos depois de brigar com o técnico Paulo Bassul e deixar a seleção brasileira feminina de basquete, Iziane Marques está de volta. Agora sem o desafeto no comando, a jogadora afirmou ter se sentido à vontade ao lado das compatriotas e prometeu continuar na equipe nacional o máximo que puder.

"Com certeza", respondeu a ala/armadora, ao ser questionada se será possível vê-la defendendo a seleção na temporada 2011, quando o Brasil terá que disputar o Pré-Olímpico das Américas, na Colômbia. "Estarei de volta agora até me aposentar", comentou, na sequência.

Assim como a pivô Érika, Iziane só pôde se apresentar ao técnico Carlos Colinas dois dias antes da estreia do Mundial. Atletas do Atlanta Dream, as duas estavam disputando a final da WNBA, a versão feminina da liga norte-americana de basquete, na qual foram derrotadas pelo Seattle Storm.

"No começo não me senti à vontade na seleção, até mesmo porque quando você chega dois antes da competição fica meio como um peixe fora d'água. Não sabia o que fazer, no primeiro jogo não sabia como jogar, era ruim, mas daí logo já entrei em contato com as meninas e foi um ambiente bem tranquilo. Já conhecia quase todas, menos a Damiris, então me senti à vontade. Depois, foi como se já estivesse com elas desde o começo", contou a atleta.

Técnico da seleção desde março, Carlos Colinas ganhou elogios da atleta. "Ele é muito bom técnico, bem tranquilo, me apoiou desde que eu cheguei e conversou bastante comigo, inclusive nos jogos. Foi um relacionamento bem tranquilo durante a competição", afirmou.

Hortência não esconde admiração

"Uma menina doce". Foi assim que a ex-jogadora Hortência definiu Iziane. Agora diretora de seleções feminina da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), ela foi a principal responsável por reconduzir de volta à equipe a atleta, que se recusou a entrar em quadra durante uma partida do Pré-Olímpico, em 2008.

"Conseguimos unir todo o grupo. A Iziane, que era uma preocupação de todo mundo, foi maravilhosa. Não a conhecia, mas ela é uma menina doce, que ajudou a gente dentro e fora das quadras também. A Iziane passou a não ser mais problema", assegurou a dirigente.

Fonte: Gazeta Esportiva

Declarações mágicas

“O basquete está pagando por muitos anos de má gestão. E os técnicos brasileiros também pagam por não terem sido preparados nos últimos anos.”

“Para ficar em nono, talvez fosse melhor ter apostado na renovação.”

“Vendo Helen e Alessandra jogar agora, me lembrei do meu último Mundial, em 1998 na Alemanha, quando eu já havia decidido não jogar mais pela seleção. Se arrependimento matasse… Acho que elas pensaram a mesma coisa.”

“Iziane não é nenhuma Hortência, que decida jogo ou faça quarenta, cinquenta pontos. Iziane é uma jogadora mediana.”

Magic Paula, em entrevista da ESPN Brasil

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Mundial 2010: O nono lugar, as despedidas, o falso discurso e a fonte seca

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O Mundial Feminino chegou ao fim ontem com mais um título das americanas, que o comemoraram como se tivessem ganho um jogo da pré-temporada da WNBA.

A boa novidade foi a República Tcheca, que a exemplo da Turquia no masculino, superou sua desvantagem técnica com o apoio da torcida e do apito amigo. Foi realmente emocionante o comportamento de jogadoras, torcida e comissão técnica na conquista da prata.

O bronze ficou merecidamente com a Espanha, coroando uma seleção que evolui a passos largos desde 1992. A medalha delas é ainda um claro exemplo de o que um bom técnico pode fazer por um time mediano. E uma boa naturalização também…

Essa nova ordem mundial retirou Rússia, Austrália e Brasil da briga. Não me atreverei a discutir a eliminação das duas primeiras. Mas não posso ficar calado em relação ao desempenho do Brasil.

O nono lugar da seleção foi espinafrado por todos: narradores, comentaristas, jornalistas, jogadoras, ex-jogadoras, técnicos e blogueiros. Não houve quem não se revoltasse com a campanha das meninas. Por quê? Por que tanta revolta, por que tantas “besteiras”, como definiu Érika?

Um dos principais motivos é que o Brasil manteve 2/3 do time do último Mundial. Estavam lá oito: Helen, Alessandra, Sílvia, Karen, Adrianinha, Érika, Iziane e Kelly. Aliás, Colinas teria até a oportunidade de repetir o time, se assim desejasse, mas cortou uma delas (Micaela), não convocou outras duas (Cíntia Tuiú e Êga) e não convenceu sua assistente (Janeth) a voltar a jogar.

Nesse cenário de “replay”, tornou-se irritante acompanhar a decadência da nossa equipe. Contra adversários que também pouco mudaram nesses quatro anos, nós mostramos que involuímos muito.

Para citar apenas os dados extremamente objetivos, vamos tratar de números. Em 2006, o Brasil venceu a Coreia por vinte pontos. Agora perdeu por um. Perdemos das espanholas nas duas ocasiões: um ponto, em 2006 e por doze agora. A vitória sobre as tchecas por vinte quatro pontos, em nossa casa, virou derrota por catorze lá. E contra o Canadá, a margem da vitória caiu de  quarenta e um para seis.

O aproveitamento de três pontos diminuiu em 20% e as assistências em 23% e o número de lances-livres cobrados caiu 33%entre os dois Mundiais. Nos outros parâmetros, há poucas diferenças. As duas seleções erravam muito: 16,3 por jogo, em 2006 e 16,7, em 2010.

O pior rendimento mostrado agora deve ser uma chata regra nas próximas competições, com a qual teremos que nos acostumar. A fonte secou. Menos talentos hoje são produzidos. Basta ver como vem minguando o número de atletas brasileiras em ligas de prestígio e aumentando nos campeonatos de qualidade duvidosa. Sem falar no sucateamento do nosso torneio nacional. Adicionalmente, nos últimos dez anos os talentos surgidos foram extremamente mal cuidados. O índice de aposentadoria nas seleções de base é espantoso.

Ou seja, temos uma insuficiência técnica.

Essa foi agravada por uma insuficiência do técnico. O espanhol Carlos Colinas se mostrou despreparado para a missão que lhe foi confiada. É muito provável que qualquer técnico brasileiro fizesse melhor, pois sua atuação foi simplesmente medonha.

Somado a esses dois fatores, há um colossal despreparo emocional de nossas atletas. Parece não existir liderança, concentração, nem confiança no time. O banco se comportava como se estivesse fazendo unha no salão durante os jogos. Faltava apenas bocejar ou abrir a Revista Caras. Onde estão a vontade, o orgulho de defender a seleção, de disputar um Mundial?

Esse aspecto – ignorado desde sempre em nossas equipes – certamente voltou a pesar bastante agora. A queda entre os amistosos e o torneio foi evidente. E mesmo que digam os adversários de treino foram a Rússia C, a Eslováquia e etc, acredito que nesse Mundial as dificuldades seriam as mesmas se esses times lá estivessem.

A minha hipótese é que a seleção não estava mentalmente preparada para disputar esse torneio. E que encerrada a disputa do Sul-Americano, a ansiedade com a aproximação do Mundial agravou a pobreza técnica e vimos o que vimos partir dos amistosos de Barueri.

Devemos nos acostumar com oitava, nona, décima posição? Sim. Deve ser esse o nosso lugar até que aconteçam fenômenos como os que nos tiraram dessa zona em que nos encontrávamos há 20 anos.

Se isso incomodar à CBB, a sua diretora Hortência e à comunidade do basquete feminino, mudanças radicais são necessárias.

Infelizmente não fomos mal porque “mesclamos juventude e experiência” como escandalosamente insinua a comissão técnica. Fomos mal porque esgotou nossa reserva técnica, explorada repetidamente até a exaustão de agora.

O basquete feminino precisa retomar seu compromisso com a formação, e apresentar uma política de gestão dos seus novos talentos. Já estou cansado de falar isso. Mas sem essas mudanças, o futuro será esse mesmo: de vergonha.

Tento voltar ainda durante essa semana com uma análise individual das atletas no Mundial.

Paulo Bassul fala ao iG sobre campanha brasileira no Mundial

Ex-comandade da equipe avaliou o campeonato, o desempenho do Brasil e projetou o futuro da modalidade no país

Bruno Pongas, iG São Paulo

Paulo Bassul foi contratado pela CBB em 2007 para comandar o selecionado feminino. Ele assumiu o cargo rodeado por expectativas, mas teve seu trabalho limitado pelos problemas físicos das principais jogadoras e pela fatídica briga com a ala-armadora Iziane, que se recusou a entrar em quadra durante uma partida do Pré-Olímpico Mundial, disputado em 2008.
Do lado de fora, Bassul falou com exclusividade ao iG sobre o Mundial da República Tcheca, a campanha brasileira e o futuro do país na modalidade.
Segundo ele, algumas surpresas deram as caras em solo europeu, a começar pelas donas da casa, que chegaram à final após uma grande vitória sobre a Austrália nas quartas.

“A República Tcheca foi a grande surpresa; ninguém esperava que fizesse a final”, analisou. “A expectativa geral era de uma disputa entre EUA e Austrália, muito pelo plantel que ambos tinham. A Espanha eu não acho uma surpresa enorme, porque elas já vinham se aproximando do grupo dos quatro melhores. A vinda da Sancho Lyttle (norte-americana que se naturalizou espanhola) foi o degrauzinho que faltava”, completou.
Quanto ao Brasil, Bassul acredita que a equipe tinha tudo para fazer uma excelente campanha, principalmente por ter caído numa chave tranquila e por estar completa depois de muitos anos.
“O Brasil tinha uma expectativa maior por estar completo, algo que não acontecia há muito tempo. O elenco também caiu num grupo bom, porque a Fiba nos colocou como cabeça de chave”, explicou.
“Esperava-se que o Brasil fosse mais longe (ficou apenas com o nono lugar), mas o time teve uma sequência de resultados negativos, principalmente contra a Coreia do Sul (adversário da estreia). Foi uma campanha decepcionante nesse sentido: o grupo estava completo depois de muitos anos e numa chave boa”, concluiu.

Sobre Iziane, o técnico preferiu se calar, destacando que ela pode ser útil no futuro. “Todo mundo sabe o que aconteceu; qualquer análise individual é delicada nesse sentido. A Iziane tem os méritos dela, tem qualidades. Independente de tudo, essas qualidades podem ser vistas e aproveitadas”.
Bassul também falou sobre o futuro e projetou a jovem armadora Tássia Carcavalli como titular das Olimpíadas de 2016, sem, no entanto, descartar a veterana Adrianinha nesse meio tempo.
“Eu vejo um grande futuro na Tássia, que é inteligente, tem visão de jogo e principalmente altura (1m76). Ela tem potencial; acho que chega em 2016 pronta”, opinou.
“A Adrianinha ainda tem muita lenha pra queimar. No Mundial a MVP (melhor jogadora) foi a (Hana) Horakova (31 anos), que atuou como uma maestra e armou muito bem a República Tcheca. O posto de armador é crucial, porque o atleta tem que jogar e fazer o time funcionar. É difícil encontrar alguém assim”, pontuou.
Por fim, o treinador analisou a nova safra que vem aí, ressaltando o potencial de quatro jovens. “Franciele, Nádia, Tássia e Damiris. Acho que todas vieram pra ficar e dificilmente saem”, disse. “Ela (Damiris) fez um bom Mundial e atuou bem na maior parte dos jogos. Com certeza é um nome que deve permanecer nos próximos anos. Vai depender dela”, finalizou.

Fonte: iG

domingo, 3 de outubro de 2010

Rainha da sucata (Diário de São Paulo)

Soberana de uma modalidade em crise, a ex-jogadora Hortência prevê dias difíceis e uma batalha árdua na busca da classificação brasileira para os Jogos Olímpicos de Londres-2012. Mas ela não entrega os pontos

MARTA TEIXEIRA

Perder para a República Tcheca, nesta quarta no Campeonato Mundial, pode ter sido apenas a ponta de um verdadeiro iceberg de problemas que a seleção brasileira feminina de basquete ainda precisará enfrentar.
Primeira chance de classificação para os Jogos Olímpicos de Londres-2012, o torneio deixou claro que a luta pela vaga será um imenso desafio.
A próxima oportunidade virá no Pré-Olímpico das Américas, em julho do ano que vem, ainda sem local definido. Depois disso, a última cartada acontecerá no Pré-Olímpico Mundial, uma repescagem incluindo candidatas de todos os continentes, em junho de 2012.
"A gente sabia que não seria fácil, e sabemos que vamos continuar a ter problemas", admite a ex-jogadora Hortência, diretora do departamento feminino da Confederação Brasileira de Basquete (CBB).
Campeã mundial em 1994, vice-campeã olímpica dois anos depois, integrante do Hall da Fama do basquete e chamada de rainha nas quadras, Hortência assumiu uma modalidade em frangalhos tentando repetir a trajetória da personagem representada pela atriz Regina Duarte no folhetim novelesco de 1990 que se transformou na Rainha da Sucata.
Com um projeto estabelecido até as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, o basquete feminino vive o impasse de se renovar e busca inspiração no vitorioso vôlei para ressurgir das cinzas. "O que é forte é a marca vôlei porque geração após geração os resultados estão lá. Se tivessem feito um projeto sério de renovação lá atrás, quando fomos campeãs mundiais e todo mundo queria jogar basquete, não estaríamos assim", afirma a dirigente.
Apesar do fracasso no Mundial, Hortência avisa que não haverá mudanças radicais no projeto original para a modalidade. "Nosso trabalho é de médio a longo prazo. Só muda tudo quem não sabe para onde está indo. Analisamos todos os riscos e sabemos para onde queremos ir", diz a ex-jogadora. Ela reconhece que, com apenas duas vitórias, a seleção deixou a desejar. "Mas o  time está unido e consciente disso", completa.
Entrevista
DIÁRIO - Como avalia o resultado da seleção?
HORTÊNCIA -
Não foi o almejado. O time não rendeu o que poderia, mas a gente sabia que não seria fácil. Não se enganem, outros Mundiais foram conquistados em cima de duas ou três jogadoras apenas, e hoje não é mais assim.
DIÁRIO - Qual foi o problema?
HORTÊNCIA -
Aquele primeiro jogo (derrota por um ponto para a Coreia do Sul) mexeu muito com elas, e quando o time reagiu já era tarde. As pessoas estão criticando e têm razão. Se eu tivesse visto pela televisão, faria o mesmo. Elas não jogaram bem, mas não foi por causa desse momento. 
DIÁRIO - O que precisa ser feito?
HORTÊNCIA -
Um trabalho de base. Não temos quantidade para tirar qualidade, esta é a verdade. Temos jogadoras de 37 e 38 anos no time porque estávamos carentes, e mais na frente isso vai ser um problema. Precisamos fortalecer nosso campeonato interno, que já foi o melhor do mundo
DIÁRIO- O Brasil corre o risco de não se classificar para Londres?
Estamos trabalhando para que isso não aconteça, mas 2011 é um problema sério. Não sabemos se vamos poder contar com a Érika porque tem a WNBA. É fácil falar de técnico e jogadoras, mas não é fácil estar no lugar deles.
DIÁRIO - Qual a situação do Carlos Colinas, ele continua na seleção?
HORTÊNCIA -
Não vou falar a respeito disso, ainda, porque estamos no meio da competição e o Colinas ainda é o meu técnico. Ele é uma pessoa muito digna, realizou um trabalho correto e estou do lado dele até o fim.
DIÁRIO - É a favor de atletas estrangeiras no Nacional?
HORTÊNCIA -
Claro.

Fonte: Diário de São Paulo

EUA repetem feito do masculino, batem anfitriãs, e levam título Mundial de basquete

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A República Tcheca lutou muito, contou com apoio incondicional da torcida local, mas não conseguiu superar os Estados Unidos na decisão do Mundial de basquete feminino. As norte-americanas se aproveitaram de um “apagão” das anfitriãs no terceiro período para abrir a vantagem que se manteve até o fim do jogo, encerrado com o placar de 89 a 69. Com o resultado, o time dos EUA retoma o título mundial de forma invicta, seu oitavo campeonato mundial da história.

Campeãs em 2002, na China, e em 1998, na Alemanha, os Estados Unidos chegaram à República Tcheca com um objetivo claro, retomar a hegemonia no basquete feminino, que foi perdida com o título da Austrália, em 2006, quando a competição foi realizada no Brasil.

Na República Tcheca, a seleção feminina repetiu o feito da equipe masculina dos EUA, ao vencer, na decisão do Mundial, a equipe anfitriã da competição. Assim como ocorreu em setembro, na Turquia, uma torcida barulhenta empurrou as donas da casa durante toda a competição, mas acabou frustrada por um adversário superior técnica e fisicamente.

As tchecas chegaram na final na condição de zebra, após eliminar a última campeã Austrália nas quartas de final. Na decisão deste domingo, a equi pe ainda sofreu um desfalque logo nos primeiros lances, quando Jana Veselá levou uma pancada na cabeça em uma trombada. A jogadora, terceira cestinha e maior reboteira do time, saiu de quadra e não voltou mais ao jogo.

Os torcedores que lotaram o ginásio de Karlovy Vary, entretanto, viram sua seleção jogar de igual para igual durante todo o primeiro tempo. Apesar da dificuldade em superar a forte defesa norte-americana, a tchecas conseguiram se manter no jogo, apoiadas em boas atuações da ala Hana Horakova, 12 pontos, e da pivô Petra Kulichová, 14 pontos.

Depois de ir para os vestiários ovacionadas pela torcida e perdendo por apenas cinco pontos, as tchecas caíram vertiginosamente de produção no terceiro quarto. A forte defesa norte-americana forçou as anfitriãs a uma série de erros, permitindo contra-ataques e cestas fáceis. No total, foram 20 equívocos das tchecas na partida.

O placar final do terceiro período deixou claro como o “branco” das anfitriãs prejudicou a atuação da equipe na decisão: 34 a 17. A República Tcheca ainda venceu o último período por dois pontos, mas não foi o suficiente para buscar o placar e virar o jogo. Durante o último minuto de jogo, toda a torcida presente no ginásio aplaudia de pé a atuação das jogadoras.

Quatro jogadoras norte-americanas anotaram dez pontos ou mais na partida. Angel McCoughtry liderou a equipe com 18 pontos, enquanto Tina Charles se destacou com um duplo-duplo: 13 pontos e 10 rebotes.

HANA HORAKOVA É ELEITA MVP

A ala Hana Horakova foi eleita MVP da competição e integrou quinteto ideal do torneio. Completaram o time sua companheira Eva Viteckova, Diana Taurasi (EUA), Sancho Lyttle (Espanha) e Yelena Leuchanka (Belarus).

Fonte: UOL

Definições de Terceiro a Oitavo Lugares

Bronze: Espanha 77 x 68 Bielorrússia

Quinto lugar: Austrália 74-62 França

Sétimo Lugar: Rússia 87 x 76 Coreia

sábado, 2 de outubro de 2010

Brasil bate Japão e termina o Mundial na nona posição

20101002_272118_Alessandra_gde O Brasil encerrou sua participação no Campeonato Mundial da República Tcheca com uma vitória sobre o Japão por 84 a 79 (42 a 45 no primeiro tempo), na KV Arena, em Karlovy Vary. As cestinhas foram a brasileira Alessandra Oliveira e a japonesa Yoko Oga, ambas com 21 pontos. Outro destaque verde-amarelo na partida foi a pivô Érika de Souza com um duplo-duplo: 15 pontos e 13 rebotes. Com o resultado, a seleção brasileira terminou em nono lugar.
 
— Foi um jogo difícil pelo horário, que era muito cedo, e por ser nossa última partida na competição. Já tínhamos enfrentado o Japão duas vezes nos últimos 15 dias, uma no torneio na França e outra na segunda fase do Mundial. Começamos atrás no primeiro quarto, mas aos poucos a equipe foi reagindo. Acho que a competição ficou marcada pela derrota contra a Coréia, pela forma como perdemos. Com isso, custamos a ganhar de Mali e a Espanha fez um excelente jogo contra nós. O Mundial está cada vez mais difícil. Hoje vemos a Austrália e Rússia, campeã e vice de 2006, fora das semifinais — analisou o técnico Carlos Colinas.
 
— Foi difícil jogar pelo nono lugar na competição, mas o time entrou concentrado e conseguimos mais essa vitória sobre o Japão. Sempre tivemos dificuldade para jogar contra as equipes asiáticas. Ser a cestinha da partida não é muito importante para mim. Fico feliz por ter ajudado a equipe. O jogo de hoje encerrou um ciclo da minha carreira. Estou um pouco triste porque gostaria de ter ido mais longe no Mundial, mas não tem problema. Vamos seguir em frente — disse a pivô Alessandra.
 
JAPÃO (31 + 14 + 11 + 23 = 79)
Asami Yoshida (3pts), Yoko Nagi (10), Yoshie Sakurada (11), Yoko Oga (21) e Hiromi Suwa (12). Depois: Sachiko Ishikawa (4), Ai Mitani (7), Maki Takada (1) e Ayumi Suzuki (10). Técnico: Fumikazu Nakagawa.
 
BRASIL (25 + 17 + 20 + 22 = 84)
Adrianinha (11pts e 5 assistências), Karen (8), Iziane (2), Damiris (6) e Érika (15 e 13 rebotes). Depois: Franciele (6), Palmira (3), Alessandra (21 e 10 rebotes), Helen (9) e Sílvia (3 e 5 rebotes). Técnico: Carlos Colinas.
 
FASE FINAL DO CAMPEONATO MUNDIAL
— Sábado (dia 2)
Disputa de 9º e 10º
Japão 79 x 84 Brasil.
 
Disputa de 11º e 12º
Grécia 71 x 55 Canadá
 
Disputa de 5º a 8º
Austrália 78 x 73 Rússia  e Coréia 46 x 61 França
 
Semifinal
República Tcheca 81 x 77  Bielorrússia
Estados Unidos106  x 70 Espanha

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Mais uma vez, Valdemoro

Small_teamspain_27C6154 Achei uma pena a derrota da França para a Espanha na prorrogação (74-71).

Não só porque tenho uma simpatia gratuita pelo basquete francês, como porque essa seleção desfalcada da dupla Gomis-Gruda vinha me agradando muitíssimo.

Do outro lado, nutro uma já antiga antipatia pelas espanholas.

Mas enfim: uma grande atuação de Valdemoro (seis bolas de três e ainda a cesta que empatou o jogo no tempo normal) e duas cestas da até então apagadíssima Alba Torrens no tempo-extra deram às espanholas sua primeira aparição nas semifinais e imperdiram que as francesas mantivessem sua progressão nos Mundiais, constituída até então por um nono lugar (em 1994) e depois um oitavo (2002) e um quinto lugar (2006).

Segunda Zebra do Dia: República Tcheca 79 x 68 Austrália

Small_TEAMCZECH_27C52493 Conquista fantástica das tchecas, com atuações de destaque de Eva Viteckova (27 pontos) e Hana Horakova (21).

Mesmo na derrota, dá medo pensar o que vai virar Liz Cambage – se aos 19 anos, ela chegou hoje aos 22 pontos e 10 rebotes.

Lauren marcou 13.

E Penny Taylor esteve mal, como ontem, com 2/15 nos arremessos.

O número da placa?

106-44 foi o placar do atropelamento das americanas sobre as coreanas.

E a Rússia deu adeus à disputa de medalhas no Mundial…

Small_11belarus_X8E3967 Um começo arrasador da Bielorrússia (23-11 no primeiro quarto) foi fundamental para uma surpreendente vitória sobre a Rússia.

O dia foi péssimo para as pivôs russas, que não conseguiram jogar, e ótimo para Yelena Leuchanka (17 pontos, 9 rebotes).

Para a Rússia, talvez seja o primeiro sinal de desgaste de uma geração extremamente talentosa e vitoriosa.