Para essas seis aí, não doeu tanto perder.
Sheryl Swoopes, Ruthie Bolton, Katrina McClain, Lisa Leslie, Teresa Edwards, e a técnica Tara VanDerveer, da seleção norte-americana campeã olímpica em 1996.
Para essas seis aí, não doeu tanto perder.
Sheryl Swoopes, Ruthie Bolton, Katrina McClain, Lisa Leslie, Teresa Edwards, e a técnica Tara VanDerveer, da seleção norte-americana campeã olímpica em 1996.
Hoje (dia 4), comemora-se quinze anos da conquista da medalha de prata nos 26° Jogos Olímpicos, realizado em Atlanta, nos Estados Unidos, entre os dias 19 de julho a 4 de agosto de 1996. Carlos Nunes, presidente da CBB, agradece a vitoriosa delegação brasileira que entrou para a história do basquete nacional.
“Nós da CBB relembramos desta data com muito carinho e enorme satisfação, pela expressiva conquista nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. A diretoria parabeniza mais uma vez as atletas e espelhados na capacidade e desempenho que desta delegação, tiramos força para buscar uma posição de destaque nas próximas olimpíadas”, disse o presidente Carlos Nunes.
Hortência Marcari, diretora de seleções femininas da CBB, e Janeth Arcain, assistente técnica da seleção adulta feminina e técnica das seleções sub-16 e sub-17 femininas, relembram os momentos marcantes da vitória.
“Foi uma importante conquista e ficará marcada para sempre na minha memória e do povo brasileiro. Para mim, marcou dois grandes momentos. A conquista da medalha e a minha despedida da seleção brasileira e do basquete. Fico muito feliz com essa lembrança, que significou tanto para todas nós”, comentou Hortência.
“Nossa! Passou muito rápido. Eu tinha 25 anos nessa olimpíada. Tiveram dois momentos que foram muito importantes para mim na época. O primeiro foi o aspecto coletivo. Tínhamos o objetivo de conseguir subir ao pódio e fazer uma final contra os Estados Unidos. O outro é que na época eu estava sem patrocínio e depois do resultado consegui patrocinador. Atlanta também abriu as portas da WNBA para mim. Tenho uma recordação muito boa desta medalha. Atlanta 96 me marcou mais até que a conquista do mundial em 1994” analisou Janeth.
Silvia Gustavo, que defende a seleção brasileira atual, destaca a importância desta data para a história do basquete brasileiro.
“É muito boa essa oportunidade de estar perto dessas duas grandes ex-jogadoras que marcaram o basquete nacional. Ontem a Hortência e a Janeth realizaram uma palestra para toda delegação sobre o sentimento de uma grande conquista defendendo a seleção brasileira. Elas se emocionam até hoje quando falam desta medalha de prata. Atlanta 96 é uma inspiração para nós, lembro de acompanhar na torcida em casa. Vamos ao pré-olímpico buscar a vaga nas olimpíadas e tentar entrar mais uma vez entrar para a história do basquete, e melhor, junto com a Hortência e a Janeth. Toda conquista do basquete, em qualquer categoria, para nós também é uma conquista pessoal”, disse Silvia.
Delegação brasileira nas Olimpíadas
. Adriana Aparecida dos Santos
. Alessandra dos Santos de Oliveira
. Cíntia Silva Santos “Tuiú”
. Cláudia Maria Pastor
. Hortência Marcari
. Leila de Souza Sobral
. Maria Angélica Gonçalves da Silva “Branca”
. Maria Paula Gonçalves da Silva
. Marta de Souza Sobral
. Roseli do Carmo Gustavo
. Silvia Andréa dos Santos Luz “Silvinha”
. Técnico: Miguel Ângelo da Luz.
Campanha brasileira
Brasil 69 x 56 Canadá
Brasil 82 x 68 Rússia
Brasil 100 x 80 Japão
Brasil 98 x 83 China
Brasil 75 x 73 Itália
Brasil 101 x 69 Cuba
Brasil 81 x 60 Ucrânia
Brasil 87 x 111 Estados Unidos
Classificação final do Basquete nas Olimpíadas de Atlanta em 1996
1º- Estados Unidos; 2º- Brasil; 3º- Austrália; 4º- Ucrânia; 5º- Rússia; 6º- Cuba; 7º- Japão; 8º- Itália; 9º- China; 10º- Coréia do Sul; 11º- Canadá; 12º- Congo.
A pivô chinesa Zheng Haixia foi também protagonista na maior conquista do basquete brasileiro – o Mundial da Austrália (1994). A gigantesca jogadora ficou com a prata na ocasião. Na minha memória ficou marcada uma entrevista de Zheng à Folha de São Paulo em 1996, ano em que ela reencontraria Paula e Hortência na disputa olímpica em Atlanta (1996). O Renato recuperou esse texto, que eu compartilho com os leitores:
Encerrar a carreira com uma medalha de ouro na Olimpíada de Atlanta-96 é o sonho de Zheng Haixia, 28, a mais alta estrela do basquete feminino chinês.
Com seus 2,04 m de altura, ela solta o sorriso maroto e ressalva: "Mas antes disso, quero vencer, em outubro, nos Jogos Asiáticos que serão realizados no Japão".
Zheng aumentou a carga de treinamento e em vez das quatro horas diárias, saltou para seis. Num dos intervalos entre os exercícios, ela recebeu a Folha.
Quando entrou na sala de visitas do centro esportivo, precisou "fazer uma ginástica" para não bater a cabeça no batente da porta.
"Nos Jogos Asiáticos, a Coréia do Sul representa nosso principal adversário", constata a jogadora.
Mas, acrescenta, que as repúblicas que formavam a União Soviética, como o Cazaquistão, também serão adversários difíceis. Têm tradição na modalidade. Nas décadas de 60 e 70, e início de 80, a hegemonia mundial nos torneios femininos era dos times soviéticos.
Zheng faz a análise com sua voz grossa, quase masculina.
Cabelos presos por uma fivela, veste uma camiseta do time profissional norte-americano de basquete do Chicago Bulls e uma bermuda xadrez.
No pulso esquerdo, o toque feminino de duas pulseiras de pano.
A lista de títulos colecionados por Zheng em sua carreira não é tão alta. Neste ano, faturou os Jogos Universitários Mundiais.
Nas três Olimpíadas que participou, o melhor resultado foi em Barcelona 92, medalha de prata, enquanto nos quatro Mundiais jogados, chegou a um vice-campeonato neste ano na Austrália, quando a China foi derrotada pelo Brasil.
Mas as memórias do Brasil não estão ligadas apenas à derrota.
A tarefa árdua de achar roupa só fica um problema menor se comparado com as dificuldades que Zheng enfrenta para entrar em um carro.
Zheng não tem namorado e diz que suas preocupações atuais excluem casamento e a idéia de ter filhos.
A carreira no basquete começou em 1979, quando Zheng tinha 12 anos e 1,74 m de altura. Em casa, a caçula sempre chamou atenção pela altura.
"Meus pais tinham um tamanho normal e entre meus quatro irmãos, o maior tem 1,80 m", conta ela, que adora jogar basquete.
Zheng Haixia gosta de música (clássica e popular chinesa) e leitura, atividades que ocupam seu tempo livre, ou melhor, os momentos que está desobrigada dos treinamentos e exercícios.
Aproveita também esses períodos para ensinar esporte, dedicando-se especialmente ao trabalho com crianças, outro prazer.
Essência de jasmin é seu perfume preferido, bem como as cores preto e vermelho.
Apesar do corpo avantajado (2,04 m de altura, aproximadamente 110 kg), suas preferências alimentares surpreendem: peixes e frutas. Mas ela detesta cozinhar.
Hoje, quando não está na seleção, Zheng joga no "Primeiro de Agosto", o time do Exército e campeão nacional.
Pensando em terminar a carreira em 96, ela desenha os planos para o futuro: "Não quero me afastar do basquete, quero contribuir para o desenvolvimento do esporte em nosso país, talvez como treinadora de crianças ou dirigente".
"Acho que nosso basquete tem um futuro brilhante pela frente", opina Zheng, com otimismo.
A pivô, estrela da seleção de seu país, afirma que o número de admiradores está crescendo.
"Por isso vamos nos desenvolver ainda mais", diz a jogadora, embebida por um otimismo chinês.
Em 1996, o basquete feminino dos Estados Unidos vivia um excelente momento de exposição, após a vitória em casa sobre o Brasil na final dos Jogos Olímpicos de Atlanta.
A conquista abria o espaço para que a NBA investisse em uma versão feminina da liga, a WNBA, que nasceria no ano seguinte.
Aproveitando essa brecha, foi criada uma liga independente, que deu início a sua temporada já em 1996: a ABL (American Basketball League).
Com oito equipes, a liga ganhou poder de fogo ao contratar a maior parte das atletas da seleção campeã olímpica.
Entre as estrelas americanas, uma brasileira garantiu espaço: a pivô Marta Sobral.
Marta foi contratada pela equipe do Philadelphia Rage, vice-campeã da primeira edição, após perder o play-off para o Columbus Quest, por 3 a 2.
No Rage, Marta jogou ao lado de nomes como Dawn Stanley, Adrienne Goodson (de fantásticas passagens no Brasil e sentada ao lado de Marta na foto), Taj McWilliams-Franklin e – o mais inusitado - Jackie Joyner-Kersee, a lenda do atletismo que havia jogado basquete no seu remoto passado universitário.
Na temporada seguinte, com a WNBA já em ação, o time de Marta se mudou para Richmond e teve menor sucesso, na estreia da técnica Anne Donnovan em uma equipe profissional.
A pivô acabou retornando ao Brasil, em excelente forma, e colaborou com a grande conquista do Fluminense, no I Campeonato Nacional.
O então Richmond Rage iniciou as disputas da terceira temporada da liga, que – falida - foi dissolvida em meio à disputa.
Essas memórias me foram ativadas pelas fotos acima, que o Renato me enviou.
Quem quiser saber mais sobre a ABL, sugiro uma visita à Wikipedia e ainda a uma série de artigos que o Pet, do Pleasant Dreams, publicou sobre o tema.
Esse contra-ataque com a participação do trio Paula-Janeth-Hortência, no jogo contra a Rússia (Atlanta 96) é dos lances mais belos que minha memória guardou. E que pude relembrar graças ao Emilio, que publicou e me enviou o registro.