Carolina Canossa - Guarulhos (SP)
O mau basquete, a queda precoce e o nono lugar do Brasil no Mundial não abalaram as convicções de Hortência. Diretora de seleções femininas da Confederação Brasileira da modalidede (CBB), a ex-jogadora garantiu que não vai mudar o trabalho que vem executando desde que assumiu o cargo, em maio de 2009.
"Não volto com um sentimento bom, mas o projeto continua porque estamos no caminho certo. Não podemos no primeiro percalço mudar para a direita, depois mudar para a esquerda com outro obstáculo. Isto é sinônimo de quem não tem o caminho definido e nós temos um caminho definido: a gente sabe muito bem onde quer chegar", garantiu a "Rainha do Basquete". "Fizemos uma excelente preparação, mas infelizmente não tivemos o resultado que poderíamos", lamentou.
Tais palavras, entretanto, não significam que a seleção brasileira adulta continuará sob o comando do espanhol Carlos Colinas - anunciado em março, o treinador tinha contrato somente até o final do Mundial e sequer desembarcou no Brasil com o restante do grupo.
"Não posso falar nada porque não conversamos sobre o assunto. Não sou eu quem decido tudo na Confederação, vamos ter uma reunião. Tenho o meu pensamento, mas vamos ver o dos outros. Depois, vocês vão saber qual o caminho a gente vai, quer dizer, o caminho a gente já sabe, mas quem vai continuar seguindo junto", explicou.
Hortência, porém, evitou estipular uma data para que esta decisão esteja tomada. "Não podemos ter pressa porque vocês (jornalistas) querem saber o que vai acontecer. É uma coisa séria que estamos fazendo: não podemos decidir logo para ficar livre logo", justificou.
Entretanto, ao ser questionada sobre sua opinião sobre o treinador, a ex-jogadora deu um sinal do que pode acontecer.
"Eu gosto muito do Colinas, acho um cara extremamente competente, um cara extremamente profissional...", comentou a ex-atleta. "Não vou dizer que ele foi bem no Mundial porque vocês assistiram o jogo, mas as jogadoras também não foram bem. Agora, temos que analisar o porquê isso aconteceu e só depois desta análise é que a gente verá o que vai fazer", repetiu.
Durante o Mundial, outro grande nome do basquete brasileiro, Magic Paula, deu algumas alfinetadas no time brasileiro. "O time do Brasil esta com a cara do treinador. Pura tensão", postou a ex-atleta em seu Twitter em 25 de setembro, durante a derrota para a Espanha. "Jogo de Mundial não pode cometer 25 erros. A Espanha não precisou fazer força para ganhar", afirmou.
"Menina doce", Iziane promete ficar na seleção até aposentadoria
Dois anos depois de brigar com o técnico Paulo Bassul e deixar a seleção brasileira feminina de basquete, Iziane Marques está de volta. Agora sem o desafeto no comando, a jogadora afirmou ter se sentido à vontade ao lado das compatriotas e prometeu continuar na equipe nacional o máximo que puder.
"Com certeza", respondeu a ala/armadora, ao ser questionada se será possível vê-la defendendo a seleção na temporada 2011, quando o Brasil terá que disputar o Pré-Olímpico das Américas, na Colômbia. "Estarei de volta agora até me aposentar", comentou, na sequência.
Assim como a pivô Érika, Iziane só pôde se apresentar ao técnico Carlos Colinas dois dias antes da estreia do Mundial. Atletas do Atlanta Dream, as duas estavam disputando a final da WNBA, a versão feminina da liga norte-americana de basquete, na qual foram derrotadas pelo Seattle Storm.
"No começo não me senti à vontade na seleção, até mesmo porque quando você chega dois antes da competição fica meio como um peixe fora d'água. Não sabia o que fazer, no primeiro jogo não sabia como jogar, era ruim, mas daí logo já entrei em contato com as meninas e foi um ambiente bem tranquilo. Já conhecia quase todas, menos a Damiris, então me senti à vontade. Depois, foi como se já estivesse com elas desde o começo", contou a atleta.
Técnico da seleção desde março, Carlos Colinas ganhou elogios da atleta. "Ele é muito bom técnico, bem tranquilo, me apoiou desde que eu cheguei e conversou bastante comigo, inclusive nos jogos. Foi um relacionamento bem tranquilo durante a competição", afirmou.
Hortência não esconde admiração
"Uma menina doce". Foi assim que a ex-jogadora Hortência definiu Iziane. Agora diretora de seleções feminina da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), ela foi a principal responsável por reconduzir de volta à equipe a atleta, que se recusou a entrar em quadra durante uma partida do Pré-Olímpico, em 2008.
"Conseguimos unir todo o grupo. A Iziane, que era uma preocupação de todo mundo, foi maravilhosa. Não a conhecia, mas ela é uma menina doce, que ajudou a gente dentro e fora das quadras também. A Iziane passou a não ser mais problema", assegurou a dirigente.
Fonte: Gazeta Esportiva