quarta-feira, 7 de julho de 2004

Um fenômeno de força de vontade

Leila ficou afastada do basquete por quatro anos e hoje integra o grupo que vai a Atenas. Ela se compara a Ronaldo, o fenômeno

Para quem vê esta ala de 1,89m treinando com a Seleção Brasileira que irá aos Jogos de Atenas é difícil imaginar que dois anos atrás ela pensava ter encerrado a carreira. A paulista Leila Sobral, de 29 anos, sofreu lesão no joelho que a deixou quatro anos parada, mas hoje é uma das atletas que enfrenta a seleção de Cuba nesta quarta-feira, às 20h, no Tijuca, no segundo amistoso preparatório para os Jogos.

Para a jogadora, o mais importante foi sua força de vontade.

– Vi a recuperação do Ronaldo pela televisão com todo aquele apoio e fisioterapeutas. Pensei: "fenômeno sou eu, que me recuperei só com a ajuda de Deus!".

A lesão na cartilagem do joelho direito de Leila ocorreu nas quartas-de-final dos Jogos Pan-Americanos de 1999, contra o Canadá. Campeã mundial em 1994 e medalha de prata em Atlanta-1996, a jogadora estava sem contrato com nenhum clube na época e teve de ser bancada pela Confederação Brasileira de Basquete (CBB) durante meses.

– Foi por pouco tempo que a CBB me apoiou. Movi uma ação contra o COB (Comitê Olímpico Brasileiro), mas desisti depois – conta Leila.

Aposentada, Leila resolveu ter um filho e passou a ser sustentada pelo marido João Cláudio, vendedor de carros. Por meio de um contrato com a Knorr/Campinas, time em que jogavam as irmãs Marta e Márcia, conseguiu dinheiro para operar. No início do ano passado, quando seu filho Davi tinha cinco meses, Leila decidiu voltar às quadras.

– Na época em que parei, estava decepcionada com a falta de apoio e de
times. Meu pai me pedia para voltar e eu queria que meu filho me visse jogar. Vi que tinha condição psicológica e voltei – diz Leila, livre das dores no joelho.

Aposta de Barbosa acabou dando certo

Apesar de estar longe das quadras desde 1999, Leila foi convocada pelo técnico Antônio Carlos Barbosa no ano passado após ter disputado apenas quatro jogos nas quartas-de-final do Campeonato Paulista.

Na época, Barbosa foi criticado pela decisão, mas hoje a jogadora que começou no basquete por influência da irmã Marta é peça importante para a equipe.

Com a lesão de Micaela, que foi operada na Itália e está fora da Olimpíada, Leila se tornou a reserva imediata de Janeth.

– Em Sydney, não tínhamos substituta para Janeth. Perdemos a Micaela, mas hoje temos a Leila – diz Barbosa.

Para o amistoso contra Cuba – o segundo da série de quatro –, no Tijuca, Barbosa alerta que o resultado não é importante. Ele avisa que o trabalho da Seleção ainda está no início.

– Cometemos alguns erros no primeiro amistoso (no último sábado), mas não se pode esperar quase nada em termos coletivos. Estamos treinando só há um mês – explica.


Fonte: Lance!



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