O novo técnico da Seleção Brasileira de Basquete, o espanhol Carlos Colinas, que assinou contrato de seis meses com a Confederação Brasileira de Basquete (CBB), afirmou em entrevista não temer a pressão que enfrentará no Brasil e diz estar pronto para conduzir a equipe a um bom lugar no Mundial da República Checa, em setembro.
O espanhol também citou a situação vivida pelo seu compatriota Moncho Monsalve, ex-treinador da Seleção masculina, quando questionado como se sentia por chegar como um desconhecido ao País.
Como você se sente agora que chegou a um acordo a CBB?
Colinas - Estou muito satisfeito. É um orgulho para qualquer treinador dirigir uma seleção tão importante, como é a brasileira.
Quais os primeiros passos que você dará nesse novo trabalho?Como visualiza a preparação para o Mundial?
Colinas - Agora conversarei com os diretores da Confederação (Brasileira de Basquete) para fecharmos definitivamente este planejamento, definir datas de treinos, de períodos de concentração.
Você considera esse o maior desafio de sua carreira?
Colinas - É um desafio diferente. Todos foram importantes, mas esse tem outra característica. Estarei fora de meu país. Mas isso não é algo que me assuste. Tenho confiança no meu potencial. Sempre enfrentei todos os desafios com muita coragem.
O fato de ser desconhecido pela maioria dos brasileiros e já enfrentar críticas antes mesmo de chegar lhe incomoda? O que fazer para conquistar a torcida?
Colinas - Cada pessoa tem a sua opinião. Sempre manterei minha postura profissional e serei fiel aos meus princípios. Não tenho de convencer ninguém, conheço meu trabalho. Sei que sou desconhecido, como Moncho já foi uma vez. Mas espero que todos apoiem a Seleção.
O ex-técnico da Seleção masculina, Moncho Monsalve, nos disse que possui boa relação com você. Chegou a conversar com ele antes de acertar com a CBB?
Colinas - Falamos há cerca de dois meses, muito antes de eu receber proposta. Mas ele me falou a respeito da confederação e da seriedade do projeto do basquete brasileiro.
O que você já conhece do basquete brasileiro? Como vai fazer para analisar as atletas?
Colinas - Tenho todos os vídeos das últimas competições importantes da Seleção, que foram o Pré-Olímpico Mundial, em 2008, a Olimpíada de Pequim e a Copa América de 2009. Além disso, estou sempre acompanhando as jogadoras que atuam na Europa. Pretendo também acompanhar no ginásio as partidas do Campeonato Paulista.
Seu contrato vale apenas por seis meses. Não é pouco tempo para fazer um bom trabalho?
Colinas - Essa foi uma exigência minha para ver como será o começo de trabalho. Há uma cláusula que me dá a preferência de renovação até a Olimpíada de 2012. Não chego apenas para trabalhar com a Seleção principal, mas também para dar um passo adiante em relação às categorias de base, já mirando os Jogos do Rio, em 2016.
Quando você virá definitivamente para o Brasil?
Colinas - Meu contrato com o Celta Indepó, aqui em Vigo, termina em abril. Antes disso, vou ao Brasil para minha apresentação. Depois volto para cá e até maio ficarei observando as jogadoras que atuam por toda a Europa.
Das jogadoras que atuam na Europa, quais você aponta como fundamentais para a Seleção?
Colinas - Tem Érika, Iziane, Kelly, Adrianinha... Sempre convocaremos as melhores jogadoras e caberá a cada uma aceitar ou não a convocação.
Como você define o seu método de trabalho?
Colinas - É sempre difícil comentar suas próprias características, mas sou uma pessoa que gosta de tudo bem planejado. Gosto de dialogar e fazer com que as pessoas saibam o que penso. Dentro de quadra, exijo muito trabalho. Mas no fundo, Carlos Colinas será apenas o motorista do ônibus chamado Seleção Brasileira.
Você terá Janeth Arcain como sua assistente técnica. O que pensa a respeito disso?
Colinas - Para mim é um luxo poder contar com uma pessoa como ela ao meu lado. Janeth é um ícone do basquete brasileiro. Espero ajudá-la bastante em seu desenvolvimento e que no futuro possa fazer um bom trabalho.
Fonte: Terra