terça-feira, 12 de setembro de 2006

Brasil joga mal e precisa da sorte para bater a Argentina na estréia

Giancarlo Giampietro
Em São Paulo

A seleção brasileira por muito pouco não protagonizou um vexame logo em sua estréia no Mundial feminino, que começou nesta terça-feira, em São Paulo. Jogando apenas para o gasto e sofrendo muito mais do que esperava, a equipe do técnico Antônio Carlos Barbosa venceu a frágil Argentina, que veio ao Mundial como coadjuvante, por 71 a 69, graças a um lance de sorte da armadora Helen.

Com o placar empatado em 69 pontos faltando menos de dez segundos para o fim do jogo, Helen partiu para o contra-ataque e tentou um arremesso precipitado. Por sorte, ela mesma pegou o rebote e conseguiu converter a cesta da vitória, mantendo uma invencibilidade do Brasil diante das rivais sul-americanas que já dura 50 anos.

"Quando a bola veio, ouvi todo mundo gritando para chutar. Eu chutei, nem vi, nem deu tempo de olhar para o tempo", disse a jogadora. "Ainda faltava um pouco para terminar, e felizmente não entrou o contra-ataque delas."

Em um ginásio do Ibirapuera vazio - dois setores de cadeiras superiores, por exemplo, não tinham um torcedor sequer -, o Brasil fez uma partida fria e apática. Depois de vencer o primeiro período por 12 pontos, a equipe do técnico Barbosa emperrou em quadra e permitiu que as "freguesas" sul-americanas equilibrassem o jogo e fossem ameaçadoras no final.

"Tivemos um desvio de nível muito alto. Foi uma aberração. Para mim, o jogo foi um desastre. Mas vamos voltar à normalidade", afirmou o Barbosa.

No ataque, Iziane e Janeth não encontraram espaço para infiltrações. Se a primeira, destaque da nova geração, ainda conseguiu pontuar em tiros de média e longa distância, a veterana se apresentou pouco inspirada e, pior, fora de ritmo. E as pivôs não foram municiadas.

A seleção também apresentou problemas defensivos, permitindo fintas e conseqüentes infiltrações argentinas, principalmente frontais à cesta, partindo da zona de lances livres. Isso, contra um adversário pesado, sem muita mobilidade.

Nesta quarta-feira, no mesmo horário, às 15h15, o Brasil enfrenta a Coréia do Sul, que apanhou da Espanha na primeira rodada.

O jogo
O Brasil não começou sua participação no Mundial de forma empolgante. Nos primeiros três minutos de jogo, converteu apenas dois pontos contra uma seleção argentina visivelmente mais baixa e pesada.

Só a partir do estabelecimento de posição de Alessandra próxima à tabela que a seleção começou a deslanchar. A pivô carregou as argentinas em faltas - com cinco minutos jogados, já estouraram o limite de cinco infrações. No final do tempo, o Brasil havia batido 18 lances livres, com aproveitamento de 66,7% - Alessandra e Cíntia Tuiu desperdiçaram dois cada.

Além dos lances livres, o Brasil contou também com lances individuais da ala Iziane, que fez nove pontos dos 27 time no período. A Argentina marcou 15. De positivo, ficou também a participação da ala-pivô Êga, com cinco pontos, nove rebotes e muita disposição, após ser uma das últimas jogadas definidas por Barbosa.

No segundo quarto, o treinador lançou quatro reservas e deixou apenas Êga quadra nos primeiros momentos, acompanhada de Adrianinha, Karen, Micaela e Kelly. O time perdeu rendimento, fez só dois pontos na primeira metade do tempo e permitiu que as adversárias reduzissem o placar. Com três contra-ataques sem resposta, o time encostou em 33 a 27, obrigando o treinador brasileiro a pedir tempo.

Ao final do quarto, a seleção brasileira terminou com apenas 13 pontos marcados, com vantagem de 39 a 30. A equipe reserva enfrentou dificuldades contra as rivais assim como no primeiro tempo da final do Sul-Americano deste ano, em agosto. Na ocasião, perderam os primeiros 20 minutos por 37 a 35 e só no segundo tempo que tomaram controle do duelo, vencido por 91 a 62.

No segundo tempo, mesmo com a volta das titulares, a seleção não conseguiu retomar qualquer ritmo que tivesse do primeiro quarto. Com uma movimentação lenta no ataque, não limpou terreno para arremessos de três e falhou em servir as pivôs.

Paciente, explorando "buracos" na defesa brasileira, a Argentina chegou a ficar apenas seis pontos atrás, com 47 a 41. Foi neste ponto que a armadora Adrianinha fez cinco pontos seguidos, com uma infiltração suada e uma bola de três. Na seqüência, a pivô Alessandra converteu lances livres para deixar sua equipe com 54 a 44 ao final do terceiro quarto.

Para o quarto período, Barbosa colocou Adrianinha ao lado de Helen na expectativa de dar mais criatividade para a seleção. Em vão. O Brasil errou arremesso atrás de arremesso. "A bola não caía", disse Janeth. O time teve aproveitamento de 38,3% em seus chutes de dois, quase inferiores aos 37,5% dos três. "Isso é um absurdo", resumiu Barbosa.

Mais disposta, empolgada, a Argentina tornou a reagir e a buscar, com sucesso, bandejas no garrafão brasileiro. Com quatro minutos rodados, a ala Natalia Ríos empatou a partida em 54 a 54 com dois lances livres após sofrer falta em bandeja. "À medida que o tempo foi passando, nossa confiança cresceu. Éramos realistas, sabíamos que seria muito difícil, mas aqui não era um Sul-Americano. Era o Mundial, então lutamos", disse Ríos.

No lance seguinte, a mesma Pavón falhou em acertar uma bandeja livre, que colocaria seu time em vantagem pela primeira vez no jogo.

Apenas neste momento que a torcida brasileira entrou no jogo e, apesar de em pequeno número, passou a fazer barulho. Somente depois de 4min30s o Brasil finalmente conseguiu pontuar no último quarto em um rebote ofensivo de Alessandra, mantendo-se na frente. Em seguida, uma bola de três pontos de Janeth acabou por incentivar ainda mais o público.

A veterana voltou a pontuar na posse de bola seguinte para ampliar para 61 a 56. Mas quando as donas da casa pareciam ter retomado o controle da partida, as falhas de marcação permitiram a reação argentina, que acertou a pontaria nos arremessos de três pontos e conseguiu o empate em 69 pontos.

O nervosismo brasileiro ficou ainda mais evidente. A armadora Helen, uma das mais experientes do grupo, partiu em disparada para o ataque e arremessou de longa distância, incentivada erradamente pelas jogadoras do banco de reservas, que temiam o fim da partida quando ainda restava tempo no cronômetro. Para a sorte do Brasil, a própria Helen pegou o rebote e, mesmo desequilibrada, converteu a cesta decisiva.


Fonte: UOL

A má estréia brasileira

Juca Kfouri


A seleção brasileira venceu a Argentina (71 a 69), mas jogou muito mal.

Esperava-se uma vitória fácil, que não veio.

Resta saber, no andamento do Mundial, se foram as argentinas que, a exemplo de seus patrícios, progrediram, ou se foi o famoso efeito estréia que afetou o jogo brasileiro.

As brasileiras atacaram mal e defenderam ainda pior, ao permitir que as adversárias fizessem uma festa permanente no garrafão nacional.

O jogo ficou em aberto até o fim e significou não apenas uma luz amarela, mas, sim, vermelha mesmo às pretensões do quinteto brasileiro.

Basta dizer que, faltando apenas 10 segundos, o jogo estava empatado em 69 pontos e Helen salvou a pátria numa cesta espetacular, de tapinha, da marca de lance livre .

Amanhã o jogo será contra a Coréia do Sul.


Fonte: Blog do Juca

Cíntia Tuiú segue sendo poupada

Pivô treina no time reserva e se prepara para as fases decisivas do Mundial


Marcelo Russio

Uma das quatro remanescentes do título mundial de 1994, a pivô Cíntia Tuiú, da seleção brasileira feminina de basquete que disputa, à partir desta terça-feira o Mundial do Brasil, segue sendo poupada pelo técnico Antônio Carlos Barbosa. Uma das titulares da equipe, ao lado de Helen, Janeth, Iziane e Alessandra, a jogadora tem treinado entre as reservas.

A razão é simples: Cíntia tem um histórico de cirurgias nos dois joelhos, e uma sobrecarga de treinamentos poderia ser fatal para os objetivos da comissão técnica dentro da competição. A substituta de Cíntia nos treinos e nos amistosos tem sido Êga, que foi até a última segunda-feira umas das candidatas a ser cortada da competição.

Por precaução do treinador, Cíntia deverá ser poupada durante a primeira fase do Mundial, entrando durante as partidas contra Argentina, Coréia e Espanha. Com uma boa safra de pivôs (além de Cíntia, Alessandra e Êga, Barbosa pode contar ainda com Kelly e Érika), o Brasil pode se dar ao luxo de utilizar uma de suas atletas mais experientes apenas nos momentos em que tiver necessidade de dar mais força ao jogo dentro do garrafão ou de aumentar a altura da equipe em quadra.

Karen: "Não esperava jogar o Mundial"

Ala diz que seu objetivo é conquistar seu espaço dentro da equipe


Marcelo Russio

A ala Karen, que foi surpreendentemente convocada na última segunda-feira, para o lugar de Palmira, cortada da equipe que disputa o Mundial Feminino de Basquete, por não ter se recuperado de uma inflamação no quadril, disse que mal pôde acreditar quando recebeu o telefonema com a convocação.

- Eu estava na minha cidade, treinando com a minha equipe. Estava com ritmo de treino, não havia parado desde quando fui cortada, há cerca de duas semanas. Tive apenas três dias de folga. Primeiro a assessoria de imprensa da CBB me ligou, querendo saber se eu estava bem, em boas condições físicas. Depois, o próprio Barbosa me ligou, me chamando para disputar o Mundial. Foi uma surpresa maravilhosa. Eu não esperava ter essa oportunidade.

Karen conta que, à partir da convocação, tudo foi muito rápido.

- A minha cidade fica longe de São Paulo, e na vinda para cá esqueci todo o meu material, incluindo o uniforma da seleção lá. Felizmente o marido de uma amiga minha viria para cá no feriado e trouxe tudo para mim.

A ala mostrou-se surpresa com o corte de Palmira.

- Eu não sabia que ela estava mal, muito menos que não tinha se recuperado de uma lesão. Imagino que tenha sido muito ruim para ela deixar a seleção dessa forma, mas são coisas que acontecem com um atleta.

Perguntada sobre sua disposição em brigar por um lugar entre as titulares, Karen diz que seu maior objetivo é ajudar a equipe da forma que for possível.

- Todos sabem que é difícil ser titular, mas quero dar o máximo e fazer o melhor para conquistar alguns minutos e poder mostrar o meu jogo, sempre com calma e aos poucos. Posso ser utilizada ou não, e sei disso. Mas estar aqui já é maravilhoso. O que vier daqui para frente é lucro.

Fonte: GLOBOESPORTE.COM

Brasil estréia no Mundial contra a Argentina

Equipe começa a caminhada rumo ao bi contra rivais pouco inspiradas


Marcelo Russio

A seleção brasileira feminina de basquete inicia, nesta terça-feira, dia 12 de setembro, a sua caminhada rumo ao bicampeonato mundial diante da Argentina. A partida será realizada no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, às 15h15m (de Brasília), e terá transmissão ao vivo da TV Globo e do SporTV 2 para todo o Brasil.

Dona da casa e uma das favoritas ao título, a seleção brasileira fez, nesta segunda-feira, um treino de reconhecimento do ginásio que sediará as suas partidas. O técnico Antônio Carlos Barbosa não poderá contar com a pivô Érika, que sofreu uma lesão no tornozelo esquerdo na última semana. No treino, o treinador escalou Helen, Iziane, Janeth, Êga e Alessandra como titulares, e comandou um trabalho de troca de passes e infiltrações em velocidade.

- Acho que a Argentina é um bom adversário para a nossa estréia. Será bom para quebrar a tensão da primeira partida. Mesmo sabendo que somos favoritas diante delas, existe uma rivalidade própria de qualquer disputa entre os dois países - disse a ala Janeth.

No lado argentino, o técnico Eduardo Pinto não se mostra muito confiante em uma boa campanha da sua equipe no Mundial. Para ele, existe um desnível claro entre o time feminino e o masculino de seu país.

- Não podemos querer que repitamos os bons resultados do time masculino de basquete. Somos uma equipe com algumas atletas que trabalham durante o dia e treinam à noite. Temos que tentar dar o nosso melhor, mas sem a pressão por resultados.

BRASIL X ARGENTINA
Ginásio: Ibirapuera, em São Paulo (SP)
Data: 12/09/2006
Horário: 15h15m (de Brasília)

BRASIL
4 - Adrianinha, 5 - Helen, 6 - Karen, 7 - Micaela, 8 - Iziane, 9 - Janeth, 10 - Sílvia, 11 - Êga, 12 - Érika, 13 - Alessandra, 14 - Cíntia e 15 - Kelly.
Técnico: Antônio Carlos Barbosa

ARGENTINA
4 - Nicolli, 5 - Soberon, 6 - Peters, 7 - Ríos, 8 - Pavon, 9 - Chesta, 10 - Gatti, 11 - Paoletta, 12 - Fernandez, 13 - Landra, 14 - Sanchez e 15 - Vega.
Técnico: Eduardo Pinto



Érika diz que temeu ser cortada

Pivô faz tratamento intensivo para voltar na segunda fase do Mundial


Marcelo Russio


A pivô Érika, da seleção brasileira feminina de basquete, disse nesta segunda-feira, que temeu ser cortada do time que inicia, nesta terça-feira, a disputa do Mundial Feminino, em São Paulo. Segundo Érika, que sofreu uma forte lesão no tornozelo esquerdo na última quarta-feira, os últimos dias foram muito difíceis.

- Na hora em que senti que havia me machucado, comecei a pensar em muitas coisas. Achei que o Mundial tinha acabado para mim, que seria cortada. Foi assim até fazer a ultrassonografia. Lá os médicos viram que não havia fratura, apenas uma ruptura do ligamento. Isso me tranqüilizou.

Érika, uma das maiores revelações do basquete brasileiro nos últimos anos, vem fazendo tratamento intensivo para estar pronta para ajudar o Brasil na luta pelo bicampeonato mundial.

- Tomo anti-inflamatórios e faço tratamento com gelo a cada duas horas. Não posso nem pensar em jogar contra a Argentina e contra a Coréia. Talvez eu possa enfrentar a Espanha, na quinta-feira, mas isso vai depender da comissão técnica. O mais provável é que eu esteja totalmente recuperada na segunda fase.

Mesmo recebendo tratamento constante, a jogadora sabe que terá limitações de movimentos no momento em que voltar a jogar.

- Não posso fazer a movimentação de defesa, e também estou ainda sem a confiança necessária para pisar com todo o peso do corpo sobre o pé esquerdo. Isso virá com o tempo. Os médicos previram que eu me recuperaria entre sete e dez dias. Hoje (segunda-feira) é o quinto dia. Vamos esperar e torcer para que tudo corra bem e eu possa ajudar as meninas. Minha vontade de jogar é enorme.

Fonte: GLOBOESPORTE.COM


Brasil abre Mundial antiglobalizado

Seleções reagem ao assédio da WNBA, seguram jogadoras no país e apostam em entrosamento para triunfar no basquete

Anfitrião do torneio, time brasileiro vai na contramão e alinha no elenco que estréia hoje oito atletas que jogam no exterior


ADALBERTO LEISTER FILHO
MARIANA BASTOS
DA REPORTAGEM LOCAL

Menos internacionalizado do que há quatro anos, o Mundial feminino de basquete começa hoje, em São Paulo e Barueri, com oito partidas. O Brasil estréia contra a Argentina.
Ao contrário da última edição, na China-02, algumas das forças do planeta passaram a incentivar as selecionáveis a permanecer nas ligas locais.
Anteriormente, ter várias jogadoras na WNBA era considerado um trunfo. A liga norte-americana se firmava como a versão feminina da NBA e oferecia contratos vantajosos, atraindo estrelas do mundo.
Como ônus dessa escolha, quem se destacava no competitivo torneio costumava desfalcar seu país. Como a WNBA realiza mata-matas às vésperas do Mundial, algumas seleções não disputavam um só amistoso com seu grupo completo.
Os países decidiram, assim, dar um basta à condição de coadjuvantes. Foi o caso, por exemplo, de Espanha, Rússia, República Tcheca e Austrália.
"A federação quer que nossas jogadoras fiquem no país. Temos só duas no exterior e o melhor é que todas são importantes para seus times", diz o técnico espanhol Domingo Díaz.
A Rússia é o caso mais significativo. Em quatro anos, o país, vice-campeão mundial, estruturou liga forte, atraindo interesse até de americanas e brasileiras -Helen e Iziane atuaram por lá. Além disso, a Rússia abriga as finais Liga Mundial de clubes, torneio criado em 2003. Como resultado, todo o elenco da seleção hoje joga no país.
A República Tcheca adotou solução parecida. Apenas Zuzana Klimesova joga na França. As outras 11 estão no país.
E, para melhorar o entrosamento, seis delas defendem a mesma equipe, o Gambriunis Brno, campeão europeu, que é dirigido por Jan Bobrovsky, o mesmo treinador da seleção.
França, com nove atletas na liga local, e Lituânia, que possui 11 jogadoras em casa, seguem estratégia semelhante. Austrália, vice-campeã olímpica, e Brasil são as exceções.
A federação australiana bem que tentou: chegou a anunciar que não chamaria atletas da WNBA. Rendeu-se ao óbvio. A técnica Jan Stirling teve que convocar dez "estrangeiras".
Em conversa com Iziane, a armadora Kristi Harrower, companheira da brasileira no Seattle, queixou-se da preparação inadequada. A australiana lamentou que a equipe treinou só dois dias completa e fez um amistoso, contra os EUA, antes do desembarque no Brasil.
Mesmo a seleção nacional, com oito no exterior, vive momento de refluxo. Em 2002, eram nove atletas, sendo seis na liga norte-americana. Do grupo atual, só Iziane optou por disputar a temporada nos EUA.
Para Antonio Carlos Barbosa, técnico da seleção brasileira, a diáspora de jogadoras para o exterior afeta a preparação.
"O ideal é que todas estivessem no Brasil pelo menos 60 dias antes para fazer a preparação física", afirmou o treinador, que ressaltou o desnível de Iziane, que se apresentou após seu time ser eliminado na WNBA. "Ela chegou aqui meio perdida, precisando de ritmo."

Rival da estréia não vence país há 50 anos

DA REPORTAGEM LOCAL

Em casa e contra um adversário semi-amador, que não o derrota em torneios oficiais há 50 anos.
O Brasil não poderia escolher rival melhor para a estréia. A seleção pega a Argentina hoje, no Ibirapuera, em São Paulo.
Em competições oficiais (Mundial, Olimpíada, Pan, Sul-Americano, Copa América e Pré-Mundial) foram 39 vitórias brasileiras e duas derrotas. O último revés foi no Sul-Americano-56. "Vamos lutar, mas não temos time para superar o Brasil", admite o técnico Eduardo Pinto.
Em contraste com o masculino, campeão olímpico, ele dirige grupo quase amador. A maioria tem outras atividades. Natalia Rios, Alejandra Chesta, Carolina Sánchez e Gisela Vega, que atuam no exterior, são as exceções.
Em outra realidade, o Brasil não terá Erika, que sente lesão no tornozelo. O desfalque não preocupa. "A Argentina é um rival bom porque as conhecemos bem", diz o técnico Antonio Carlos Barbosa.
A dificuldade do Brasil deve ficar fora da quadra. O time pode perder a força da torcida, maior trunfo de jogar em casa, devido ao horário do jogo (15h15), acertado com a TV Globo.
Para diminuir os vazios na arquibancada, com capacidade para 11 mil pessoas, a Secretaria da Juventude distribuiu 2.000 ingressos a estudantes.
"Fizemos permuta com a Globo, que irá gerar os 62 jogos para o mundo inteiro. Em troca, cedemos os direitos", conta Gerasime Bozikis, o Grego, presidente da confederação.
Por causa da programação da TV aberta, o Brasil fará seus próximos dois duelos no mesmo horário.
E, caso fique em primeiro no grupo, entrará em quadra em horário esdrúxulo (9h30) no sábado e domingo. Na segunda, volta para as 15h15.

Fonte: Folha de São Paulo


segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Brasil aposta em elenco "turbinado" para a disputa do Mundial

Giancarlo Giampietro e Vicente Toledo Jr.
Em São Paulo

A seleção brasileira feminina de basquete começa, nesta terça-feira, em São Paulo, a disputa do Mundial armada para mostrar que já não depende mais de uma ou duas atletas em quadra. A aposta do técnico Antônio Carlos Barbosa para levar o Brasil ao bicampeonato é na força de um elenco que oferece mais variáveis.

"Temos três pivôs como a Érika, a Alessandra e a Kelly, que são fortes. Temos duas jogadoras quatro, entre elas a Êga, que tem um chute muito bom de três pontos. A Helen e a Adrianinha na armação, a Iziane, que é muito rápida, a Janeth. Então nós temos hoje uma diversidade de jogadoras que permite variar bastante o nosso esquema", ponderou o treinador.

Sem contar mais com estrelas do brilho de Hortência e Paula, a seleção vinha sendo "carregada" pela ala Janeth nas últimas competições internacionais. Agora, a jogadora de 37 anos poderá ser melhor aproveitada em quadra, já que o treinador tem mais opções para fazer o revezamento na posição.

"A Janeth é uma jogadora que foi extremamente sacrificada nas últimas competições porque não tinha troca para ela. Aí ela acabava tendo que jogar demais", comentou Barbosa. "Temos que saber como lidar com ela, administrar, pois não é mais uma criança. E é uma jogadora extremamente importante para equipe, por isso não pode jogar 35 minutos ou mais", completou.

Uma das formas de aliviar o peso sobre Janeth é transformar a jovem Iziane, de 24 anos, na principal referência ofensiva da equipe. "Precisamos deixá-la mais solta. No contra-ataque, ela cria desvantagens para os adversários", disse. Outra é utilizar a ala Micaela, de 27 anos, como "escudeira" da veterana.

"Com ela, temos uma opção de troca para a Janeth, sem perder muito o nível. É uma jogadora rápida, que salta muito e dá uma boa melhorada em nosso elenco", disse Barbosa. Por conta de lesões (veja o quadro), Micaela não participou do Mundial de 2002, na China, e das Olimpíadas de Atenas-2004. As outras duas alas do Brasil no Mundial são Sílvia Cristina e Karen, que também joga como armadora.


Mas apesar da preocupação da comissão técnica em evitar seu desgaste, Janeth exibe disposição de estreante. "Eu quero estar na quadra o tempo que for necessário. Se eu tiver que jogar os 40 minutos, quero jogar os 40 minutos. Se eu estiver bem, quero continuar dentro da quadra", avisou a jogadora.

Na semana passada, Janeth contraiu uma virose e desfalcou a equipe em dois amistosos contra a China. Não teve sua participação no Mundial ameaçada, mas ficou mais alguns dias longe dos treinamentos - já havia se juntado ao elenco mais tarde que a maioria das companheiras, no dia 9 de agosto. Nada que preocupe a experiente jogadora.

"Vocês sabem como eu sou. Quando eu estiver na quadra, vou querer dar o meu 101%. Mas não sou egoísta, é claro. Na hora que eu cansar, tenho certeza de que quem entrar vai entrar bem e vamos chegar todo mundo legal", comentou Janeth, que fez coro com o técnico Barbosa ao elogiar a qualidade do elenco brasileiro para esse Mundial. "O importante é não deixar o ritmo do jogo cair. Não tem mais ninguém novata, ninguém que nunca jogou um jogo internacional, campeonatos importantes", declarou.

Segundo Barbosa, é recomendável a uma equipe internacional ter "dez jogadoras para fazer trocas no mesmo nível durante um jogo". O treinador acredita que este é o caso do elenco brasileiro, tendo ele a responsabilidade de manipular essas peças. "Entre essas, é preciso que haja de cinco a oito jogadoras preparadas para atuar em momentos decisivos, prontas para acertar uma última bola", disse.

Para o garrafão, o técnico fica à espera da recuperação de Érika, que vinha se destacando na preparação brasileira, mas torceu o tornozelo esquerdo em treinamento na última quarta-feira. Sem a pivô, que é destaque no basquete espanhol, Kelly e Êga ganham relevância em seus papéis nas primeiras rodadas.

Para a armação, Barbosa conta apenas com a mesma dupla de Atenas, formada por Helen e Adrianinha. A novata Palmira seria a terceira opção, mas foi cortada pelo treinador no domingo, cedendo lugar à ala-armadora Karen. A atleta chegou a revezar com Helen no início da preparação, antes do retorno de Adrianinha às quadras - ela deu à luz a filha Aaliyah.


Fonte: UOL
Campeonato Mundial começa nesta terça-feira

São Paulo/Brasil – O 15º Campeonato Mundial Feminino de Basquete começa nesta terça-feira com a realização de oito jogos nos ginásios do Ibirapuera (São Paulo) e José Correa (Barueri). A partida de estréia do Brasil contra a Argentina será transmitida ao vivo pela TV Globo, SPORTV e ESPN Brasil. Das 14 edições anteriores do Mundial, as americanas foram campeãs sete vezes, a ex-União Soviética conquistou seis títulos e a seleção brasileira foi campeã em 1994, na Austrália.

De acordo com o regulamento do Mundial, na primeira fase as seleções jogam entre si nos seus respectivos grupos. As três primeiras de cada chave se classificam para as oitavas de final com as equipes de “A”, enfrentando as de “B” e as de “C” jogando contra as de “D”.

LITUÂNIA – Os ministérios dos Esportes e da Saúde conseguiram autorização para a delegação lituana desembarcar no Brasil, onde participará do 15º Campeonato Mundial de Basquete Feminino. A equipe está na Guiana Francesa e aguarda um vôo charter para chegar a São Paulo em tempo para a sua estréia nesta terça-feira (17h30), contra a Austrália.

CONGRESSO TÉCNICO – O diretor de esportes da Federação Internacional de Basquete (FIBA), Lubomir Kotleba, anunciou durante o Congresso Técnico do Mundial realizado nesta segunda-feira em São Paulo, que cada equipe terá dois pedidos de tempo na primeira metade das partidas e três na metade final. A novidade é que a TV terá um tempo de 60 segundos em cada quarto da partida e este acontecerá sempre aos 5 minutos de jogo. Os técnicos, mesmo assim, poderão fazer um pedido de tempo antes da TV.

Durante o encontro, que reuniu integrantes das 16 equipes participantes do Mundial, Kotleba informou ainda que os juízes foram instruídos a não permitir o atraso no reinício da partida após os pedidos de tempo pelos treinadores. Se uma equipe demorar demais para voltar à quadra, o juiz poderá concedê-la mais um tempo, mesmo que este não seja solicitado. Caso a equipe não tenha direito a mais um pedido de tempo, levará falta técnica pelo atraso.

INGRESSOS – Os ingressos para os jogos dos grupos “A” e “B” podem ser adquiridos na bilheteria do ginásio do Ibirapuera a partir de 11 horas. Já os ingressos para as partidas dos grupos “C” e “D” podem ser comprados no ginásio José Correa a partir das 9 horas.

Janeth pronta para disputar o quinto Mundial

A ala Janeth Arcain tem 20 anos de seleção brasileira. Estreou - e foi campeã - no Sul-Americano Juvenil da Colômbia, em 1986. Foi campeã pan-americana em 1991, em Havana, campeã mundial em 1994, na Austrália, medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atlanta (1996) e bronze em Sydney (2000). Disputou quatro Olimpíadas e começa amanhã a jogar o seu quinto Mundial adulto. E garante que estará emocionada, como sempre.

— O fato de estar há muito tempo no esporte não diminui a pressão que se sente na véspera de uma estréia. Eu quero sempre fazer o máximo pela seleção e também pelo basquete. Nós precisamos adquirir no Brasil o mesmo respeito que temos fora daqui. Faz 15 anos que estamos sempre lutando por medalhas e não será diferente agora, no nosso país.

Janeth faz uma análise das adversárias do Brasil na primeira fase do Mundial.

ARGENTINA – "É o nosso adversário menos difícil. Nunca falo em mais fácil. É uma equipe latina, muito aguerrida, que não se entrega nunca. Apesar disso, sempre é derrotada por nós. No Sul-Americano, nós vencemos a final com folga e nosso time ainda está mais reforçado. Mesmo assim, a Argentina está aqui. Conseguiu a vaga e merece respeito."

CORÉIA – "Muitas vezes acontece de o nosso jogo não encaixar contra as coreanas. Elas têm muita velocidade, apostam no contra-ataque e arremessam muito bem. É um time renovado, mas que mantém essas características. Nós temos de marcar forte para impedir que coloquem em prática seu estilo de jogo."

ESPANHA – "Quem pensa que a Espanha é só a Valdemoro está muito enganado. É um time muito organizado e que tem muita velocidade no ataque. Arremessam bem de três pontos, mas têm uma postura tática muito boa, cada uma sabe o que fazer. Nosso jogo no garrafão é mais forte. Nossas pivôs são melhores e isso vai nos ajudar muito."

Espanha e Coréia fazem o jogo de abertura

A derrota de 84 a 66 para o Brasil na final da 2a Copa Internacional Eletrobrás Feminina de Basquete, no último sábado, em Guarulhos (SP), fez a equipe espanhola cair na real. Terceira colocada no último Campeonato Europeu, a Espanha não é uma das principais forças do esporte e vai precisar lutar muito para conseguir bons resultados no 15o.Campeonato Mundial que começa nesta terça-feira no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.

— Estamos muito distantes das potências do basquete feminino como Brasil, Austrália, Estados Unidos e Rússia. Não temos o mesmo potencial físico dessas equipes e, por isso, vamos ter que superar as dificuldades com um bom conjunto e espírito de luta. Somos uma equipe de coração grande. Se jogarmos com vontade os 40 minutos da partida, podemos manter as ilusões no campeonato — explicou o técnico Domingo Diaz.

A Espanha está no grupo “A” do Campeonato Mundial, juntamente com Coréia, Argentina e Brasil.

Contra a Coréia, adversária da estréia na terça-feira (13h), Diaz pretende promover uma forte defesa no garrafão para impedir as infiltrações que resultam dos rápidos contra-ataques das asiáticas.

— Não vamos permitir que elas corram e façam as cestas de bandeja. Prefiro que tentem os arremessos de três pontos porque não acredito que vençam a partida apenas com os tiros de fora, é preciso ter equilíbrio nas estratégias táticas em quadra — avalia Diaz.

Para Amaya Valdemoro, principal jogadora da seleção espanhola, é importante a Espanha vencer os dois primeiros jogos da primeira.fase (contra Coréia e Argentina), para enfrentar o Brasil sem pressão.
Caravana JN

No Jornal Nacional, só uma notinha mixurica, em que Fátima Bernardes anunciou a transmissão de amanhã, às 15:15.
Febre amarela pode tirar Lituânia do Mundial de Basquete

A seleção da Lituânia pode ficar de fora do Mundial feminino de basquete, que acontecerá no Brasil, por causa uma epidemia de febre amarela existente na Guiana Francesa. O torneio começa a ser disputado nesta terça (12), em São Paulo e Barueri.

Segundo o jornal lituano, o Lietuvos Rytas, a equipe européia realizou sua preparação para o torneio nas Antilhas Francesas, de onde iriam viajar para Belém, no Pará. O vôo, no entanto, foi cancelado e a delegação teve que fazer uma escala na Guiana Francesa, que está sofrendo com a doença.

Por causa das disseminação da doença, o Brasil proíbe a entrada de passageiros procedentes desta região sem uma vacina contra a febre amarela. As autoridades também exigem um período de dez dias de quarentena.

Campeã européia em 1997, a Lituânia está no Grupo B do Mundial, ao lado da Austrália, Canadá e Senegal. O primeiro confronto da equipe está programado para acontecer nesta terça-feira, contra as australianas, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.


Fonte: Agência Estado

Vai começar o Mundial do Brasillll

Estou ansioso desde que o dia começou.

Não quero pensar muito. Nem nas barbosices. Nem na contusão de Érika. Nem no Ibirapuera vazio. Nem em nada.

Só quero torcer, gritar (de alegria e não contra o Barbosa, como fiz na semana passada).

Espero do fundo do coração que o Brasil jogue bem, bonito, que aproveite a exposição na Tv, para que o basquete feminino seja repensado e uma nova geração de atletas seja formada para que o jogo não pare.

Boa sorte!

E vamos ao Ibirapuera.


Na medida do possível, vou tentar cobrir (bem) de perto esse Mundial.

Colaborações são sempre bem-vindas.


Para quem quiser entrar no clima do Mundial, tenho uma excelente sugestão. O SESC Vila Mariana está fazendo uma (delicada) exposição sobre a seleção de 1971, que ficou com o bronze no Mundial. Uma homenagem justíssima e comovente. Visitei no sábado, antes do show de Elza Soares.







Outros bons canais de cobertura do Mundial devem nos acompanhar nessa missão. A cobertura do site GloboEsporte está prometendo. Está a cargo do Rodrigo Alves, que também aboradará o evento no Rebote. Há ainda o sólido BasketBrasil. O Thiago promete espaço às meninas no seu MdB. E a Melissa estreou um blog interessantíssimo: o fiba2006brazil, mas em inglês.


Entrevista - Janeth, na Gazeta Espostiva



Por Marta Teixeira

Aos 37 anos, a ala Janeth é uma das referências na seleção brasileira feminina de basquete. Dona de duas medalhas olímpicas, uma mundial, ela é o símbolo da transição entre a geração Paula e Hortência e as novas jogadoras do Brasil.

Com quase 20 anos de seleção brasileira, Janeth já definiu seu futuro para os próximos anos e ensaia a despedida da camisa amarela para bem próximo. Nesta semana, ela estréia naquele que planeja ser seu último Campeonato Mundial, em São Paulo, mas guarda para os Jogos Pan-americanos Rio-2007 o projeto de aposentadoria. “Vai ser emocionante parar jogando lá”, reconhece a atleta.

Em entrevista à Gazeta Esportiva.Net, Janeth fala sobre seus projetos, a luta para manter seu Centro de Treinamento e deixa entrever uma pequena chance de ser seduzida pelas Olimpíadas de 2008, em Pequim.


Gazeta Esportiva.Net - Você está satisfeita com a preparação?

Janeth - É difícil você falar. O ideal você só fica sabendo depois que terminar o Campeonato. Dependendo do resultado você vai falar: pôxa, ficou faltando, poderia ter sido outro. É muito relativo.

GE.Net - Qual sua recordação do último Mundial (China-2002)?

Janeth - Aquele Mundial foi uma coisa (diz com um meio-sorriso). Perdemos na última bola. Aí fomos para as Olimpíadas e no primeiro jogo matamos a pau. Tem coisas que são muito do lado psicológico.

GE.Net - Vocês não foram bem em 2002 e em Atenas voltaram sem medalha, apesar de terem permanecido entre as quatro melhores do mundo. Este Mundial serve para mostrar que a força continua?


Janeth - Acho que foram fatos de momento, até mesmo nas Olimpíadas. Tudo depende do dia. Depois tem que considerar se você vai enfrentar Espanha, Rússia, República Tcheca ou os Estados Unidos na semifinal. Vai depender muito de como a equipe toda vai estar naquele dia, assim também como o adversário. Tem que estar todo mundo ligado na mesma sintonia.

GE.Net - Mas qual resultado seria satisfatório para o Brasil?

Janeth - Temos que subir no pódio e disputar medalha. Com as jogadoras que a seleção tem, não há outro resultado.

GE.Net - O Mundial está voltando a São Paulo depois de 23 anos (em 1983, o torneio foi realizado no Brasil com jogos em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Porto Alegre). O que significa para você esta competição aqui?

Janeth - As motivações são muitas, porque o que me motivou a jogar basquete foi ver o Mundial de 1983. Depois veio o título com Paula e Hortência (Austrália, 1994) e quero estar bem neste, me dedicando e me doando como sempre e, com certeza, vai valer a pena. São cinco mundiais e deu para a gente fazer muita coisa.

GE.Net - E você ficou satisfeita com a divulgação do Mundial para atrair o público?

Janeth - Ninguém tá sabendo e você fica assim... O que você vai fazer? Isso é responsabilidade de quem tem realmente de fazer isso.

GE.Net - Você está disputando este Mundial em casa e depois tem o Pan...

Janeth - Minha intenção é, no ano que vem no Pan-americano, encerrar minha carreira na seleção brasileira e aí só jogar em clube.

GE.Net - Então, a expectativa para o Pan é grande?

Janeth - Claro, tem toda aquela ansiedade de estar participando. Mas ainda tenho que ver, porque é na mesma época da WNBA.

GE.Net - Com a decisão de parar no Pan você dá adeus à possibilidade de lutar por uma medalha de ouro olímpica, a única que falta em sua coleção (além do título mundial, Janeth foi medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Atlanta/96 e bronze em Sydney/2000)...


Janeth - Pois é, com essa coisa de Olimpíada fico muito em dúvida e ainda quero pensar um pouco depois. Já estou há 20 anos na seleção. Vou pensar depois do Pan porque ainda pretendo jogar mais dois anos na WNBA e quero fechar minha carreira como a estrangeira que mais jogou lá. No meu coração ainda tem 45% que diz sim (a outra olimpíada), mas vou estar com 39 anos. Não quero ir apenas para participar, para que digam, olha a Janeth lá na quinta olimpíada, quero ir para competir.

GE.Net - Ou seja, depois da seleção seu projeto como clube é estar vinculada à WNBA?

Janeth - A não ser que aconteça alguma coisa. São três meses apenas de competição (na WNBA), tem que ver o que acontece.

GE.Net - Você marcou o período de transição entre a geração Paula/Hortência e uma nova época. Agora que está pensando em sair, você se preocupa com o futuro da seleção?

Janeth - A gente sempre se preocupa. O que quero quer e espero é que apareçam mais jogadoras, que o Brasil possa continuar entre as melhores seleções do mundo e conquiste resultados. De repente, vamos ter uma seleção que não terá ídolos, mas que vai ter que jogar muito mais unida, com a responsabilidade muito mais dividida. Vamos ver que trabalhos de renovação vão acontecer. Torcer para que estas jogadoras que vierem possam manter o que já foi conquistado, para não acontecer o que aconteceu com o masculino que ficou tantos anos sem participar de Olimpíadas, nem ir para o Mundial, e não conseguir ficar pelo menos entre os oito. É complicado, mas a gente espera que a nova geração consiga manter por muito tempo a posição que o Brasil ocupa hoje.

GE.Net - Quando Paula e Hortência saíram, você já estava no grupo e tinha um certo peso. Vê alguém em situação parecida nesta nova geração?


Janeth - Eu não sei. É difícil falar. No meu caso aconteceu muito naturalmente porque já estava dividindo responsabilidade com Paula e Hortência. Hoje, você vê muita jogadora no mesmo nível. Não é diminuindo, desmerecendo nem nada. Mas aí fica difícil você falar quem poderia se sobressair. De repente, isso acontece depois que eu parar e é o que espero. Mas agora não saberia dizer quem pode ser.

GE.Net - Você é uma jogadora disputada no exterior, mas na última temporada simplesmente não conseguiu jogar no Brasil...

Janeth - Porque não tem clube e até mesmo apoio dos clubes. Você sabe que a questão salarial não é fundamental para mim. Não que eu não precise de dinheiro, mas o problema é falta de apoio mesmo. O investimento é precário e a opção é realmente jogar no exterior.

GE.Net - Com isso você foi para sua primeira temporada na Europa, após muito tempo com eles tentando contratá-la...

Janeth - Foi diferente. Até então eu nunca quis jogar na Europa. É um campeonato fortíssimo, muito disputado, que tem Euroliga, mas acho que as condições, o planejamento é tudo muito relacionado ao que existe aqui no Brasil. É diferente dos Estados Unidos onde tudo é muito profissional.

GE.Net - Como assim?

Janeth - Na Europa, eu viajava como daqui para Catanduva de ônibus, eu viajava o dia inteiro de ônibus. Lá (EUA) não. Viagem de três horas, você vai de avião. Era como eu já sabia. Assim, eu não ia porque eu pensava: para ir lá, fico jogando aqui, porque até então tinha clubes me chamando e eu estava na minha casa com a minha família. Como nunca coloquei o motivo financeiro em primeiro, sempre quis estar em um lugar onde me sentisse bem, pudesse desenvolver meu basquete e aprender.

GE.Net - Mas de alguma forma esta participação te surpreendeu?

Janeth - Era o que eu sabia e falavam. Não surpreendeu nem para mais, nem para menos. Só o frio que é muito frio mesmo e os ginásios são como os daqui, que não têm calefação. Nos Estados Unidos, todo ginásio é climatizado. Mas é outro mundo, com dinheiro, é claro, que você faz as coisas bem mais organizadas. São outros mundos e meu sonho sempre foi jogar a liga profissional nos Estados Unidos. Por isso, a Europa nunca me fascinou.

GE.Net - Bom, você chegou à WNBA e muito mais que apenas isso. São quatro títulos, reconhecimento do técnico, da Liga tanto que foi uma das poucas estrangeiras indicadas para a eleição das atletas mais importantes da história da competição em seu décimo aniversário...

Janeth - Foi muito legal. Fui a 12ª jogadora do mundo escolhida para jogar na Liga. Mas sei que perdi muitos votos porque fiquei um ano sem participar. Se estivesse ali, com certeza acho que teria conseguido. Mas também só teve uma estrangeira escolhida, as outras foram todas americanas e muitas fizeram muitas coisas pela WNBA. E tem outra coisa, já tinham escolhido quatro dos Comets, aí fica meio complicado (rindo). Mas como reconhecimento é excelente.

GE.Net - Maior do que o que existe no Brasil?

Janeth - De repente, não o reconhecimento, mas o respeito pelo meu trabalho acaba sendo maior.

GE.net - Aqui você luta para conseguir quem te apóie a manter seu projeto social...

Janeth - Pois é, tudo acaba sendo uma bola de neve. Mas a gente sempre acredita que apareça alguém que ajude ou que tenha uma lei de incentivo que possa cooperar para que o atleta não precise chegar e tomar esta iniciativa. Mas o atleta também tem de ser exemplo, fazendo trabalho social e dando esperanças para muitos jovens.

GE.Net - Como se não bastasse esta situação, o basquete ainda atravessou uma crise complicada na última temporada...


Janeth - A coisa ficou aguda nestes últimos meses. Mas tenho o pensamento claro que, se as pessoas deixarem um pouco a vaidade de lado, podem melhorar a situação. Se você repartir de modo igual, as coisas melhoram. Fiquei muito triste porque algumas equipes masculinas terminaram, mas no feminino não é muito diferente. Já temos poucas equipes e acho que tem espaço para todos.

GE.Net - Em sua opinião, tudo o que aconteceu teve ligação direta com a criação da Nossa Liga?


Janeth - Uma hora ou outra, ia acabar acontecendo. O que vem mostra que tem aqueles que estão juntos, lutando para o bem do basquete e aqueles que estão lutando com o basquetebol. O atleta está nos dois lados: quer lutar para e com. A crise ocorreria independente se houvesse ou não a NLB. É uma coisa que vem vindo e é triste estar acontecendo perto de competições importantíssimas.

GE.Net - Na Nossa Liga você estava envolvida com a formação de uma associação de atletas. Como está este projeto e você acha que, se já existisse, a associação poderia ter feito algo?

Janeth - Demos uma parada porque teríamos que entender muito mais como funciona isso e se os clubes não estão muito juntos para uma liga ou com a Confederação, imagine os atletas. Eles também iriam ficar divididos. Precisamos saber muito mais como funciona a lei para fazer uma coisa mais sólida que, independente, do atleta estar ou não em um clube, ele faça parte.

Fonte: Gazeta Esportiva

Em casa, brasileiras tentam reviver glória de 94

Por Marta Teixeira


Em junho de 1994, a seleção brasileira feminina de basquete se colocou definitivamente na história da modalidade mundial. Contando com duas jogadoras que mantêm seus nomes entre as melhores do mundo: Paula e Hortência, o Brasil surpreendeu a todos conquistando o título mundial em Adelaide, Austrália. Foi a primeira vez que um país fora Estados Unidos e União Soviética ficava com o ouro desde que a competição fora criada, em 1953.

Desde então, muita coisa aconteceu. Paula e Hortência se aposentaram e daquele grupo campeão restam apenas quatro remanescentes: as então reservas Alessandra, Cíntia Tuiú, Helen e a já titular Janeth. Ao lado de outras companheiras, o quarteto tenta, a partir desta terça-feira reviver o sucesso daquela campanha. Mas desta vez, com um ingrediente a mais já que o Mundial será disputado no Brasil com jogos na capital paulista e Barueri, na Grande São Paulo. O primeiro jogo é contra a Argentina, às 15h15, no ginásio do Ibirapuera, com transmissão pela Globo.

O desafio de lutar pelo ouro é encarado como responsabilidade natural pelo grupo. “Temos que disputar medalha”, reconhece a capitã Janeth símbolo da transição entre as duas gerações do basquete. Do Mundial de 94, ela traz a experiência de saber que não é apenas a qualidade técnica que garante a conquista. “Depende de a seleção estar lapidada para jogar bem. Quando as equipes são muito iguais é o detalhe que faz a diferença”, diz, repetindo o velho chavão.

Mas na prática, a lógica é exatamente esta. Fora os Estados Unidos, que apesar de alguns problemas de última hora mantêm-se um degrau acima dos demais participantes, a lista de iguais em relação ao Brasil é considerável. A vice-campeã olímpica Austrália aparece ao lado da terceira colocada em Atenas: Rússia, que venceu o Brasil na disputa por medalha na Grécia.

A lista de candidatas a um lugar no pódio não pára aí. A Espanha, mesmo com Amaya Valdemoro, sua principal jogadora, voltando de lesão, merece atenção. O mesmo acontece com a República Tcheca, que tem apresentado evolução nas últimas temporadas.

“O resultado tem que ser buscado jogo a jogo”, alerta o técnico Antonio Carlos Barbosa, para quem a equipe está pronta na parte de treinamento. “Mas tudo se decide mesmo no mata-mata. Temos que estar com a equipe bem física e tecnicamente”.

Em uma análise rápida da preparação, Barbosa destaca que a seleção conseguiu uma boa composição de ataque e “variação boa de jogo” graças à entrada de novos elementos que puderam ter “um bom espaço nos treinos desta temporada”.

Representante da nova geração, a pivô Érika é uma das apostas de destaque na competição, embora uma contusão ameace sua participação no Mundial. Eleita dois anos consecutivos a melhor estrangeira do Campeonato Espanhol ela está acostumada ao nível dos torneios internacionais e concorda que a expectativa deve ser controlada. “Não há mais adversário fácil. Do mesmo jeito que nós evoluímos o resto do mundo também evoluiu”, avalia, mantendo o otimismo. “O time está bem entrosado e bastante determinado. Estamos chegando para dar 110% porque apenas 100% não é suficiente. Treinamos duro e agora só depende de nós mesmas”.

Além do trabalho em quadra, a equipe ainda espera contar com a ajuda de pelo menos um fator externo: o apoio da torcida. Antes de temer a responsabilidade de agradar quem for acompanhar os jogos no ginásio, a ala Iziane assume esta presença como um fator positivo. “Jogar em casa vai ser uma vantagem porque as estrangeiras não estão acostumadas a agitação da torcida brasileira”. Com exceção das norte-americanas talvez a frase seja correta.

A veterana Alessandra não vê a hora de reencontrar a torcida verde-amarela. Jogando na Europa desde 1997, ela garante que a reestréia em território nacional será muito especial. “Vai ser uma grande emoção, principalmente porque fui lançada na seleção aqui, no Brasil, em 1993 (Copa América) jogando com Paula e Hortência. Não tem nem como expressar o que eu sinto”.

Além da ambição pelo bicampeonato e o desejo de fazer bonito frente a sua própria torcida, a seleção também tem outro estímulo para o Mundial de 2006. Sepultar de uma vez por todas o tropeço da edição da China em 2002, quando terminou em sétimo na classificação. “Nem me fale daquilo”, pede Alessandra quando o assunto é levantado. “Perder dois jogos seguidos por um ponto ainda dói”, confessa. “Chorei muito naquele dia (da derrota por 71 a 70 para a Coréia do Sul, que tirou o Brasil das semifinais)”.

A ala Micaela acompanhou a ‘tragédia’ do banco porque vivia um drama pessoal ao mesmo tempo. Na véspera da estréia brasileira, treinando já na Ásia, ela se contundiu e não pôde participar da competição. Agora é a hora da vingança. “A gente tem que tirar aquela imagem vergonhosa. Mas está todo mundo focado e tem ser positivo. A meta é ser campeão, mas não podemos esquecer que outros também querem chegar lá”.

A única coisa que não é aceita pelas meninas como ingrediente extra para buscar melhores resultados é o tropeço da seleção masculina no Mundial do Japão, mês passado. “Uma coisa não tem nada a ver com a outra”, rebate a ala/armadora Helen. “A responsabilidade ia ser igual porque a gente nunca se preocupou com isso. Gostaríamos muito que tivessem conseguido ir bem, mas a seleção feminina é outra história”.

O técnico Barbosa concorda. “É uma imbecilidade aumentar a cobrança por causa disso. Não tem nada a ver, principalmente porque ao longo dos anos a seleção feminina sempre se manteve entre as quatro melhores do mundo. É lamentável, é triste, é frustrante o que aconteceu com eles, mas não interfere”.

A seleção brasileira disputa o Mundial no grupo A, enfrentando Argentina, Coréia do Sul e Espanha na primeira fase. Se passar para as oitavas-de-final, a equipe terá pela frente as três primeiras colocadas do grupo B, composto por Austrália, Canadá, Lituânia e Senegal.

Sem Leslie, Estados Unidos mantêm favoritismo

Lisa Leslie está fora, mas nem por isso a seleção norte-americana deixou o posto de principal favorita ao ouro no Campeonato Mundial. Abalada com os problemas de saúde de um tio (decorrentes de um acidente automobilístico), a bicampeã mundial e tricampeã olímpica pediu dispensa na última quarta-feira e foi atendida pela técnica Anne Donnovan.

Mas destaques não faltam para manter a força dos Estados Unidos no torneio. As veteranas Tina Thompson e Sheryl Swoopes, companheiras de Janeth no Houston Comets, comandam o grupo que ainda conta com Sue Bird e DeLisha Milton-Jones. Todas integraram o time que foi campeão da edição 2002 do Mundial.

A equipe desembarca no Brasil trazendo na bagagem uma seqüência de 42 jogos sem derrota no circuito internacional e 100% de aproveitamento nas principais competições desde os Jogos Olímpicos de Atlanta/96 (três ouros olímpicos e dois mundiais). Competindo no grupo C, as norte-americanas estréiam nesta terça contra a China. Na mesma chave estão Nigéria e Rússia. Os três primeiros colocados vão às oitavas-de-final, enfrentando os classificados do grupo D composto por França, República Tcheca, Cuba e Taiwan.

A seleção norte-americana possui sete medalhas de ouro em mundiais, uma prata e um bronze. Sua última derrota no torneio foi sofrida para o Brasil na semifinal de 1994, quando teve de se conformar com a briga pela terceira posição.

Correndo por fora

Mas as meninas da seleção brasileira destacam que a situação privilegiada das norte-americanas deixa um grupo grande embolado logo atrás. “Tem a Rússia e a Austrália que são sempre destaque e têm uma defesa muito forte”, lembra a ala Micaela, que acrescenta à lista ainda chinesas e coreanas como equipes que investem na rapidez.

Comandadas pelo técnico australiano Tom Maher, as chinesas já venceram o Brasil nesta temporada, em jogo amistoso disputado em Barueri. Mas as brasileiras estão em vantagem, já que venceram dois confrontos contra elas.

Fonte: Gazeta Esportiva




Palpites - Jogos do dia 12/09 - Terça-Feira

Dia de Estréia costuma ser tenso. Um dia naturalmente propenso às surpresas. Mas enceremos nossa bola de cristal.

Coréia X Espanha

Palpite: Espanha. As coreanas podem até assustar nos arremessos de longa distância, mas a Espanha tem melhor qualidade técnica, apesar dos problemas físicos de sua estrela Amaya Valdemoro.

Brasil x Argentina

Palpite: Brasil-sil-sil.

Lituânia x Austrália

Palpite: Austrália. As australianas tem tudo para estrear com uma vitória, sem muitos dramas.

Senegal x Canadá

Palpite: Canadá. A partida tende ao equilíbrio. O Canadá parece ainda não ter encontrado o ponto, mas deve passar pelo Senegal, que depende muito da estrela de Astou.

Rússia x Nigéria

Palpite: Rússia, absoluta.

Estados Unidos x China

Palpite: Estados Unidos, tranqüilos.

França x República Tcheca

Palpite: República Tcheca. As francesas jogam com menos compromisso, mas não devem conseguir superar as tchecas.

Cuba x Taipei

Palpite: Cuba, favoritíssima.
Últimas do Inirapuera: Barbosa sente a pressão

A um dia da estréia do Brasil no Mundial, o técnico Antônio Carlos Barbosa literalmente sentiu a pressão. O treinador chegou atrasado ao treino do Brasil nesta segunda-feira.

Fontes fidedignas afirmam que o sexagenário apresentou um pico hipertensivo.
Últimas do Ibirapuera: Lituânia é dúvida

Problemas burócraticos e diplomáticos estão ameaçando a partipação da seleção da Lituânia no Mundial.

As lituanas ainda não conseguiram chegar ao Brasil, por problemas na fronteira e atraso na vacinação contra a febre amarela.

Até o momento, tudo são incertezas para a seleção que estrearia amanhã, contra a Austrália.
"Nunca me senti ofuscada por Paula e Hortência"

Janeth sonha com o bi Mundial


Em 2006, Janeth completa 20 anos na seleção brasileira feminina de basquete. Às vésperas de iniciar mais um Mundial, competição que disputou pela primeira vez em 1990, a jogadora conversou com o repórter Marcelo Russio e fez um balanço de sua carreira. Aos 37 anos, a estrela da seleção sonha com o bicampeonato, que teria um sabor bem especial por ser no Brasil.


GLOBOESPORTE.COM : Em 2006 você faz 20 anos de seleção brasileira. Como foi a sua primeira convocação?

Janeth: Foi em 1986 e eu era uma menina, tinha apenas 16 anos. A seleção estava com o grupo fechado para o Mundial da União Soviética, e desde o início a Maria Helena Cardoso, que era a técnica, me avisou que eu não faria parte da lista final, e que estaria lá apenas para treinar. Mesmo assim aceitei na hora, pois eu não tinha nada a perder, só a ganhar.

GLOBOESPORTE.COM : Como foi a sensação de chegar tão nova à seleção brasileira?

Janeth: Foi uma sensação muito gostosa, bem diferente da que sinto hoje quando sai a convocação. O grupo que peguei na minha primeira convocação era muito fechado, experiente, e para mim era tudo novidade. Eu cansei de levar bolada na cara por ficar olhando para as jogadoras mais experientes e não prestar atenção nas jogadas. Foi bom para quebrar o gelo da seleção.

GLOBOESPORTE.COM : A equipe de 1986 tinha atletas já experientes como Paula, Hortência, Norminha, Suzete e outras. Como era o clima no grupo?

Janeth: O clima era um pouco tenso, pois, mesmo sem se conquistar títulos importantes, havia muita vaidade entre as jogadoras. Lembro de ter percebido que a Paula e a Hortência já despertavam uma certa ciumeira em algumas jogadoras, especialmente as mais experientes. Havia claramente um grupo da Paula e da Hortência e outro de jogadoras que não viam as duas com muito bons olhos. Procurava ficar no meu canto, quieta, pois estava começando e não queria me envolver em confusões. Esse clima foi muito bom para eu pegar, mesmo na marra, malandragem de seleção. Aprendi muito nessa época.

GLOBOESPORTE.COM : Um ano depois da sua primeira convocação, você foi chamada para disputar o Pan de Indianápolis, em 1987. O time ficou com a prata, perdendo para os EUA, enquanto o masculino foi campeão naquela partida memorável, que teve o Oscar como protagonista. Você estava no ginásio naquele dia?

Janeth: Estava e vibrei como uma louca. Muitas jogadoras estavam e nós não acreditávamos no que estava acontecendo. Os meninos jogaram demais naquele dia e nós torcíamos cercadas por dezenas de americanos. Alguns até olhavam meio feio para nós, mas a gente não se importava. Quando o Brasil venceu, sentimos como se a vitória fosse nossa, vingando a derrota para os EUA no feminino.

GLOBOESPORTE.COM : Por falar em Jogos Pan-Americanos, os de Havana, em 1991, marcaram o início de uma época gloriosa do basquete feminino no país. O Brasil foi campeão e você começou a se firmar como um dos destaques da equipe. Como foi?

Janeth: Em 1991, o time começava a se firmar como uma seleção de nível mundial. Nós fizemos um bom Pan-Americano e havia uma sintonia muito grande, tanto que vencemos os EUA na semifinal. Mas a final contra Cuba foi tensa, não só pela rivalidade entre nós e as cubanas quanto pela presença do Fidel Castro no estádio, que inflamou a equipe delas. Cuba não queria ser derrotada diante dele, em casa. Quando vi que o Fidel veio nos entregar a medalha, fiquei emocionada, pois ele é uma figura emblemática e muito carismática. Foi um grande momento.

GLOBOESPORTE.COM : Nas Olimpíadas de Barcelona o Brasil não foi bem, terminando em sétimo lugar. Como a equipe chegou ao Mundial de 1994? Confiante no título ou conformada em ter um desempenho intermediário?

Janeth: Nem uma coisa nem outra. Não esperávamos o título, de forma alguma. Mas também sabíamos que poderíamos ir bem, talvez chegando à semifinal. Havia grandes equipes na competição, como os EUA, a Austrália, que era a dona da casa, a Rússia e a China, com a Zheng Haixia, que era uma gigante de 2,11m que dificultava muito o jogo no garrafão. Mas é preciso que se valorize o trabalho do Miguel Ângelo da Luz, que trabalhou muito o nosso jogo com as pivôs, que na época eram a Alessandra, a Cíntia e a Ruth. A chegada destas jogadoras mudou o panorama do nosso basquete. Antes nós perdíamos praticamente todos os rebotes e não tínhamos força no ataque. Com elas, passamos a nos impôr nessa posição. Lembro que a Hortência, no Mundial de 1994, pedia que as pivôs apenas se concentrassem em pegar os rebotes. Na época em que ela começou nós éramos muito carentes de boas pivôs, e isso começou a mudar com a Marta e a Zezé, e depois com as meninas de 1994.

GLOBOESPORTE.COM : A campanha brasileira, mesmo com as derrotas para a Eslováquia e a China nas primeiras fases, foi muito boa. Qual o destaque, além, claro, da final?


Janeth: A virada sobre os EUA, na semifinal. Aquele momento era importante, já que tínhamos atingido o que achávamos que podíamos e enfrentávamos a equipe favorita ao título, com grandes jogadoras. Jogamos muito bem, acreditamos que tínhamos condições de vencer e viramos a partida, para a surpresa de quase todos, que achavam que a final seria entre EUA e Austrália.

GLOBOESPORTE.COM : E a volta ao Brasil com o título conquistado? Você esperava uma festa tão grande?

Janeth: Nunca! Assim que chegamos havia uma grande festa no aeroporto, com muita gente nos aguardando. Mesmo cansadas pela viagem, que levou mais de 24 horas, a alegria e o carinho das pessoas nos empolgou. Andamos de carro de bombeiros pelas ruas, como os jogadores de futebol quando vencem a Copa do Mundo. Foi muito emocionante, um momento que jamais esquecerei.

GLOBOESPORTE.COM : Após o Mundial da Austrália, o Brasil foi como um dos favoritos ao ouro para ao Olimpíadas de Atlanta, em 1996. Muitas jogadoras dizem que foi o torneio mais importante desta era do basquete feminino. Você concorda?

Janeth: Atlanta foi muito marcante. Tínhamos ido mal em Barcelona, e em 1996 eu estava no auge da minha carreira, sendo observada pelos americanos para ir para a WNBA. Ao mesmo tempo, estava sem patrocínio, e uma boa campanha seria muito importante para que voltasse a haver investimento no meu time na época, o Santo André. A medalha de prata acabou viabilizando um patrocínio, e acho que por isso eu chorava tanto no pódio. Muitas pessoas me perguntam até hoje se eu sou aquela chorona que elas viram na televisão. Acho que, por tudo isso, houve uma mistura de alegria e tristeza, já que poderíamos ter sido campeãs olímpicas e atuamos muito mal naquela final.

GLOBOESPORTE.COM : E você, finalmente, chegou à WNBA. Como foi esse processo?

Janeth: Era um verdadeiro sonho. Eu já havia sido convidada para disputar campeonatos universitários, mas não tinha me interessado. Quando surgiu a oportunidade de atuar em uma liga com organização e prestígio similares aos da NBA, aceitei correndo. Fui a 12ª estrangeira a ser selecionada pela WNBA, e acho que fiz o certo em me transferir para lá.

GLOBOESPORTE.COM : Você conquistou quatro títulos da WNBA, e ganhou alguns prêmios individuais, além de reconhecimento em um país que respira basquete. No que a WNBA melhorou a Janeth como profissional?

Janeth: Jogar lá foi fundamental para equilibrar o lado emocional com o profissional. As estrangeiras na WNBA são muito cobradas e pressionadas, e isso me preparou para as cobranças que recebi quando atuei pela seleção após as aposentadorias da Paula e da Hortência. Mesmo nunca tendo me sentido ofuscada por elas, já que cada ídolo tem a sua luz e a sua responsabilidade, eu fiquei mais forte após a ida para a WNBA.

GLOBOESPORTE.COM : Você acredita que haja uma renovação de qualidade no basquete feminino brasileiro?

Janeth: Ainda é cedo para falar. É preciso esperar acontecer. Estamos há 15 anos entre as melhores equipes do mundo e espero que não haja um vácuo entre esta geração e a próxima. Temos, talvez, o menor número de atletas e equipes entre os países de ponta no esporte. É desta dificuldade que a qualidade aparece.

GLOBOESPORTE.COM : Como você analisa a derrota da seleção masculina no Mundial do Japão?

Janeth: Foi um torneio difícil e o Brasil pegou uma chave complicada. Acho que os nossos jogadores, ao contrário do que dizem, não são tão experientes assim. Eles estão há apenas dois ou três anos atuando no exterior, mas jogar fora do país não significa ser experiente. Ganha-se conhecimento, mas a cobrança é imensa. Agora é preciso olhar para frente. O Pré-olímpico será a chance de aprender a equilibrar os sentimentos. Me pareceu que eles não estavam muito conscientes da pressão que receberiam, tanto que sempre falhava alguma coisa na hora decisiva.

GLOBOESPORTE.COM : Você concorda com a manutenção da comissão técnica liderada pelo Lula Pereira?

Janeth: Concordo. O time tem qualidade, tanto que teve condições de vencer quase todas as partidas. Tenho certeza de que esta equipe voltará a vencer e a dar alegrias à torcida.

GLOBOESPORTE.COM : Como você analisa a preparação da seleção para o mundial?

Janeth: Os jogos contra o Canadá foram interessantes, mas enfrentar o Chile não nos valeu de nada. Na América do Sul nós sempre fomos muito superiores que as demais equipes. Honestamente, não sei a razão de termos jogado contra o Chile. Quem marca os amistosos é a Confederação.

GLOBOESPORTE.COM : Quem foi, na sua opinião, o adversário mais difícil que o Brasil já enfrentou?

Janeth: Foram muitos, mas os EUA sempre foram um time muito duro de se vencer, pela qualidade das jogadoras. Austrália e Rússia também são times fortes e que endurecem as partidas. Um time complicado de se enfrentar, por exemplo, é a China. O movimento de arremesso delas começa de muito baixo, e dificulta a marcação, pois nunca sabemos se elas farão o passe ou se arremessarão para a cesta.

GLOBOESPORTE.COM : Qual o grande jogo da sua carreira, aquele que sempre vem à sua memória?

Janeth: Curiosamente não foi uma final, mas o jogo contra a Espanha no Mundial de 1994. Faltando um minuto, nós perdíamos por quatro pontos. Roubei uma bola e sofri uma falta antidesportiva. Acertei os dois arremessos e, na posse de bola, fiz uma cesta de três pontos. Com isso, viramos a partida e, pouco depois, a partida acabou. Era um jogo decisivo e essa atuação ficou marcada na minha cabeça.

GLOBOESPORTE.COM : Houve alguma jogadora que tenha sido a marcadora mais difícil que você tenha enfrentado?

Janeth: Não houve uma especificamente, mas as cubanas são as que mais catimbam na marcação. Elas arranham, puxam o braço quando o árbitro não está vendo. São as mais complicadas de se enfrentar nesse aspecto.

GLOBOESPORTE.COM : Quem foi o seu maior ídolo no basquete?

Janeth: Entre as brasileiras, a Hortência, que me incentivou a jogar quando eu fui convocada pela primeira vez, e me chamou muito a atenção no Mundial de 1983. Jogar com ela foi incrível. Muitas vezes, treinando com ela, eu ficava olhando para os seus movimentos, prestando atenção, e a bola vinha na minha cara. No exterior, a melhor que eu vi jogar foi a Cinthia Cooper. Além de jogar demais, foi uma grande companheira e amiga.

GLOBOESPORTE.COM : Como você analisa o grupo do Brasil no Campeonato Mundial?

Janeth: Pegar a Argentina na estréia será bom, para diminuir a tensão, mesmo com a rivalidade que sempre existe entre os países. Contra a Coréia teremos que ter atenção total, já que elas virão com tudo para se vingar da derrota nas Olimpíadas de Sydney, em 2000, e de Atenas, em 2004. E a Espanha deve ser o nosso pior adversário, já que conta com jogadoras de muita qualidade nos arremessos de média e longa distância e pivôs versáteis.


Fonte: GloboEsporte
França e República Tcheca se enfrentam em clima de revanche

Barueri / Brasil – Revanche é a palavra de ordem do confronto entre França e República Tcheca pelo Grupo “D” do 15º Campeonato Mundial Feminino de Basquete, que começa nesta terça-feira em São Paulo. O duelo entre as equipes na última Eurocup, em 2005, vencido pelos tchecos, ainda está na memória dos dois treinadores e a partida de estréia desta terça-feira, às 13h, em Barueri, é vista como uma oportunidade de vingança para os “Bleus”.

Comandante da equipe francesa na competição européia, que terminou com a República Tcheca campeã e a França em quinto lugar, Alain Jardel lembra em detalhes a derrota elástica (65 a 45) sofrida na fase classificatória, há pouco mais de um ano. O treinador sabe que a estréia será provavelmente o jogo mais difícil do grupo e espera que sua jovem equipe possa quebrar a seqüência de vitórias dos tchecos sobre a França.

— Perdemos por 20 pontos de diferença e isso não é uma coisa que se esqueça facilmente. Não vencemos a República Tcheca há anos e espero que possamos mudar essa história. O time deles é muito forte e será uma estréia dificílima. Estou há dez anos à frente da equipe e acho que nunca nos preparamos tão bem para uma competição. Estou muito otimista.

O técnico francês tem objetivos bem definidos não apenas no Mundial, mas também para os próximos anos.

—- Acho que podemos chegar às quartas-de-final aqui no Brasil. Acho que a República Tcheca é nosso grande adversário na primeira fase e o mais forte do grupo, mas não podemos esquecer de Cuba, que também é uma excelente equipe. Não sei muito sobre a seleção de Taipé, mas enfrentamos a China num amistoso para nos acostumarmos à maneira asiática de jogar. Falando a longo prazo, nosso objetivo é que a equipe, que é muito jovem, ganhe experiência para participar da próxima Eurocup e dos próximos Jogos Olímpicos.

Os tchecos têm consciência de que a partida de estréia é tida pelos franceses como uma revanche. O treinador da equipe, Jan Bobrovsky, está preparado para um jogo equilibrado nesta terça-feira.

— Nosso jogo de estréia na Eurocup também foi contra a França e nós vencemos, então tenho certeza de que eles pensam numa revanche. A equipe francesa é muito forte, mas espero começar bem porque o desempenho do primeiro jogo é muito importante para o emocional do time e pode influenciar toda a performance no campeonato.

Apontada como uma das fortes candidatas ao título do Mundial, a República Tcheca procura tirar proveito do favoritismo, mas com o pé no chão.

— Vejo pontos positivos em sermos considerados favoritos ao lado de outras equipes, acho que a confiança das meninas aumenta e isso faz com que eles usem todo o seu potencial em quadra. Mas não se pode acreditar demais nisso. A competição é muito difícil e outras equipes também carregam esse favoritismo, como o próprio Brasil, a Austrália e os Estados Unidos. Pegamos um grupo que não é fácil, são equipes com muita força de vontade e muita garra em quadra.

França e República Tcheca abrem a disputa do Grupo “D” no Ginásio José Corrêa, em Barueri. No outro jogo da chave, Cuba enfrenta a seleção de Taipé, às 17h30min, no mesmo local.


Argentina estréia contra Brasil de olho na Coréia

São Paulo/Brasil –
A medalha de ouro conquistada pela seleção masculina de basquete da Argentina nos Jogos Olímpicos Atenas, em 2004, não coloca nenhuma pressão sobre o time feminino, que estréia nesta terça-feira (15h15 de Brasília), contra o Brasil no 15º Campeonato Mundial. A partida será transmitida ao vivo pela TV Globo, SPORTV e ESPN Brasil.

— Todos em meu país sabem que há uma diferença muito grande de nível entre o basquete masculino e feminino e não vão nos cobrar um rendimento parecido — disse o técnico Eduardo Pinto, que dirige a seleção em seu terceiro mundial consecutivo.

Enquanto jogadores como Ginóbili, Nocioni, Scola e Delfino fazem sucesso na NBA e na Europa, muitas das jogadoras argentinas só podem se dedicar em tempo integral ao basquete em época de competição.

— Tenho jogadoras com outro emprego pela manhã e só treinam à tarde. Há um campeonato razoável apenas em Buenos Aires, mas os salários não são altos. Não posso dizer que tenho um time totalmente profissional — diz o técnico Eduardo Pinto.

Pinto aponta o jogo contra a Coréia, dia 14, às 13 horas, como o mais importante para sua seleção.

— Acredito que nosso grupo é muito duro. Brasil e Espanha vão se classificar para a segunda fase e podem lutar por uma das quatro melhores posições do Mundial. Nós precisamos passar pelas coreanas. Elas têm um jogo de muita velocidade e precisão nos três pontos. Precisamos marcar forte para forçar o arremesso da linha de dois pontos. Nossa chance é essa.
Espinha dorsal de ouro

Campeãs mundiais em 1994, Helen, Alessandra, Cíntia e Janeth buscam o bi


Marcelo Russio

SÃO PAULO - Entre as 12 jogadoras que representam o Brasil no Campeonato Mundial Feminino de Basquete de 2006, quatro já sentiram o gostinho de levantar a taça e serem consideradas as melhores do planeta.

Em 1994, no Mundial da Austrália, Helen, Janeth, Cintia e Alessandra, que hoje formam a base da equipe de Antônio Carlos Barbosa, estavam no time que fez o que muitos consideravam impossível. Até mesmo elas.

- Nós nunca imaginaríamos, naquela época, que seríamos campeãs mundiais. Claro que tínhamos confiança no nosso time, mas tínhamos pela frente rivais duríssimas, como os EUA, a Austrália e a própria China, que havia nos vencido na primeira fase e contava com a Zheng Haixia, de 2,11m e muito forte no garrafão. Não é mentira dizer que foi uma grande surpresa - diz a pivô Alessandra.

Para Helen, a conquista, por ter sido inesperada no início, teve um sabor ainda mais especial.

- Foi maravilhoso. Nosso jogo encaixou, e tínhamos na Paula e na Hortência duas jogadoras especiais, experientes e de um talento imenso. Isso nos dava confiança para arriscar jogadas, pois sabíamos que elas podiam realizar coisas especiais. O sabor do título foi inigualável. Por quatro anos, fomos as melhores do mundo.

Janeth, que já era considerada uma jogadora com bagagem de seleção brasileira em 1994 (foi convocada pela primeira vez em 1983), lembra da comemoração da equipe no estádio antes mesmo do apito final do árbitro.

- Foi fantástico. Nós nos olhávamos e víamos lágrimas nos olhos das nossas companheiras, tanto das que estavam na quadra quanto das que estavam no banco, abraçadas e pulando de alegria. Jogamos o último minuto chorando. O título de 1994 coroou um trabalho de muitos anos, de dificuldades e de superação por parte das atletas.

A pivô Cíntia Tuiú, que tinha apenas 19 anos em 1994, diz que lembrar da conquista em 2006 é como lembrar de um sonho.

- Para mim era uma novidade total. Com 19 anos, jogar ao lado de jogadoras experientes como Paula, Hortência, Ruth e tantas outras, e sair com a medalha de ouro no peito. Foi uma experiência inacreditável, que não dá para descrever. Hoje, com mais idade, vejo o quanto é difícil repetir aquele feito. Isso me faz dar ainda mais valor àquela medalha de ouro.

As quatro (Helen, Janeth, Cíntia e Alessandra) formam a base do time titular no Mundial de 2006. 12 anos depois da conquista histórica, elas afirmam que o objetivo da seleção brasileira é chegar à final do Mundial do Brasil.

- Hoje todas somos mais experientes, temos mais bagagem e vemos as coisas de uma outra forma. Prometer o título não é algo que possamos fazer. Prometemos luta e aplicação. Acho que podemos ficar entre as semifinalistas, e uma final seria maravilhoso. Temos de ter os pés no chão e saber que há equipes, como os EUA, a Austrália e a República Tcheca que podem ser campeãs também - diz a armadora Helen.

Para Janeth, a mescla de experiência e juventude é benéfica à seleção, mas isso não garante uma vaga entre as quatro melhores do Mundial.

- Temos jogadoras com muita experiência, como eu, a Alessandra, a Cíntia e a Helen, e outras mais jovens, como a Iziane, a Adrianinha, a Micaela e a Érika, que certamente vão ser determinantes para a nossa colocação final. Isso não é uma garantia de presença nas semifinais ou na final, mas certamente a nossa equipe tem muitas chances de estar entre as melhores.

Fonte: GloboEsporte.Com

Basquete faz aposta em "rodagem"

Na contramão de seus maiores rivais, seleção que disputa o Mundial em casa tem jogadoras mais velhas e experientes

Com média de idade de 27,9 anos, equipe de Antonio Barbosa tem dez atletas que já jogaram pelo menos uma Olimpíada ou um Mundial


ADALBERTO LEISTER FILHO
DA REPORTAGEM LOCAL

A seleção feminina aposta em veteranas para reconquistar o título do Mundial de basquete, que volta a ser disputado no Brasil depois de 23 anos.
A média de idade do time que estréia contra a Argentina na terça, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, é uma das mais altas da competição: 27,9 anos.
Dez das 13 atletas do elenco atual -o técnico Antonio Carlos Barbosa ainda definiria o último corte- têm experiência em Mundiais ou Olimpíadas.
Como comparação, no masculino, quem utilizou base jovem se destacou. Dois times rejuvenescidos decidiram o título do Mundial, encerrado há uma semana, no Japão. A Espanha, com média de 25 anos, derrotou a Grécia, de 25,8 anos.
A aposta do Brasil parece arriscada. Especialmente porque seus principais adversários no torneio estão rejuvenescidos.
É o caso de Rússia (24,6 anos), Austrália (24 anos) e República Tcheca (23,3 anos). Até os EUA, bicampeões mundiais e tricampeões olímpicos, são mais jovens: 26,9 anos.
As norte-americanas, ao menos, irão sentir a falta de seu principal ícone. Lisa Leslie, 34, que participou de todas as conquistas de sua seleção nos últimos dez anos, pediu dispensa alegando problemas familiares.
Se o time norte-americano perdeu uma de suas duas veteranas do Mundial de 1994 -só restou Sheryl Swoopes, 35-, o Brasil ainda cultiva quatro remanescentes do elenco campeão há 12 anos, na Austrália: Helen, 33, Janeth, 37, Cíntia Tuiú, 31, e Alessandra, 32.
Dessas, apenas Helen perdeu o status de titular, mas desempenha função como a sexta jogadora. Mas quem ainda está em quadra admite: não mantém o mesmo fôlego de antes.
"Já não corro tanto como naquela época", diz Janeth, maior estrela da seleção. "Mas, com o tempo, você descobre os atalhos da quadra e compensa a falta de velocidade com drible que a deixa em boa situação para tentar a cesta ou um passe."
Ontem, ela comandou o time na conquista do torneio preparatório para o Mundial com vitória sobre a Espanha (84 a 66).
"Acho que a minha experiência dá tranqüilidade às outras jogadoras. Mas é necessário mesclar isso com juventude das outras atletas", analisa Janeth.
O quarteto lembra com saudade da conquista de 1994, quando surpreendeu o mundo ao bater os EUA nas semifinais, por 110 a 107. Na final, o time superou a China. "Foi meu primeiro ano de titular. Parecia um sonho", afirma Alessandra.
No último Mundial, na China, faltou sorte: o Brasil perdeu Micaela, que sofreu fratura no tornozelo às vésperas da estréia, e competiu com 11 atletas.
Não bastasse isso, ficou fora da disputa por medalhas e amargou duas derrotas seguidas, para Coréia do Sul e China, por diferença de um ponto. Favorita à medalha, a equipe amargou o sétimo lugar.
Helen prefere se lembrar de outras campanhas mais felizes.
"Em Sydney [em 2000], não fizemos campanha brilhante, mas ganhamos medalha. Soubemos perder na hora certa." Na ocasião, o Brasil obteve quatro vitórias e quatro derrotas. Ainda assim, levou o bronze.


Fonte: Folha de São Paulo
Basquete inicia boom de eventos esportivos

Além do Mundial feminino, SP vê Abertos e Troféu Brasil de atletismo


Para os 3 eventos, Secretaria da Juventude investiu R$ 3,4 milhões, quase 30% do total repassado pelo Ministério do Esporte por ano à pasta

ADALBERTO LEISTER FILHO
DA REPORTAGEM LOCAL

São Paulo vive, a partir de amanhã, maratona de eventos esportivos. Na terça, começa o Mundial feminino de basquete na capital e em Barueri. No mesmo dia haverá a cerimônia de abertura dos Jogos Abertos, em São Bernardo, às 19h. Os dois eventos acabam dia 23.
Não bastasse isso, de 21 a 24, a pista do Ibirapuera será sede do Troféu Brasil de atletismo.
São três dos quatro maiores eventos da Secretaria de Estado da Juventude em 2006. Só a finalíssima da Copa do Mundo de ginástica artística, em dezembro, não será agora.
"No complexo do Ibirapuera, o torcedor poderá assistir ao Mundial de basquete, às disputas de atletismo dos Jogos Abertos, que serão em São Paulo, e ao Troféu Brasil", diz Antônio Carlos Pereira, coordenador de Esportes da secretaria.
Só para esses 15 dias foram investidos R$ 3,4 milhões. Ou seja, 28,3% dos R$ 12 milhões anuais repassados pelo Ministério do Esporte, maior fonte de renda da pasta. "Dividimos esforços para fazer o melhor. Mas será difícil. Trabalharemos como nunca", diz Pereira.
O Mundial de basquete será o torneio mais caro. Para trazer a competição -a disputa estava marcada para o Rio-, a secretaria gastará R$ 2,5 milhões.
O Estado é o maior investidor do evento, que também levou verba do Ministério do Esporte e do Comitê Olímpico Brasileiro. Não bastasse isso, a Nossa Caixa (banco estadual) comprou cota de patrocínio.
"Os custos ficarão entre R$ 2,8 milhões e R$ 3 milhões", contabiliza Gerasime Bozikis, o Grego, presidente da Confederação Brasileira de Basquete.
Para abrigar os jogos, o Estado, em parceria com a CBB e usando lei de isenção fiscal, importou novo piso para o Ibirapuera. "Compramos da Mondo a um custo de R$ 170 mil. É um material de qualidade superior ao que foi usado em Saitama", conta Pereira, citando o ginásio que abrigou os mata-matas do Mundial masculino de basquete, encerrado dia 3, no Japão.
"Esse piso ficará de legado e, como é removível, poderá ser emprestado a outras cidades."
O Estado promoveu obras no Ibirapuera, com impermeabilização da cúpula do ginásio, melhoria da iluminação e reforma dos vestiários. O gasto maior, porém, foi com o pagamento de hospedagem e alimentação das 16 delegações: R$ 1,7 milhão.
Nos Jogos Abertos, cujo maior investidor foi a Prefeitura de São Bernardo, o Estado liberou R$ 600 mil. No Troféu Brasil, serão gastos R$ 300 mil.
"Tentamos adiar os Jogos Abertos, mas eles estavam marcados há um ano. E o Troféu Brasil classifica para o Sul-Americano [da Colômbia], na semana seguinte ", diz Pereira.
Com tantas opções, o temor é que não haja público. Por isso uma cota de 2.000 ingressos para os jogos do Mundial será distribuída nos colégios da capital -o Ibirapuera tem capacidade para 11 mil pessoas. Barueri adotará solução similar.

BARBOSA CORTA 2 E CHAMA ALA DE ÚLTIMA HORA

O técnico Antonio Carlos Barbosa surpreendeu ontem na definição do grupo que irá disputar o Mundial -o Brasil estréia amanhã, contra a Argentina. O treinador cortou Palmira, 22, e Mamá, 28. A ala do Bauru era apontada como uma nova aposta do treinador, mas foi desligada por causa de uma lesão no quadril. Para o seu lugar foi chamada Karen Gustavo, 22, do Ourinhos, que já se desligara do elenco. Já Mamá, da Ponte Preta, perdeu a concorrência para a pivô Êga, 28, do São Caetano. O time fez ontem jogo-treino com os EUA, no ginásio do Pinheiros. As norte-americanas venceram por 73 a 53.

Fonte: Folha de São Paulo